O piolho que está provocando um aumento vertiginoso no preço internacional do salmão

O piolho que está provocando um aumento vertiginoso no preço internacional do salmão
16 fevereiro 15:54 2017 Imprimir

salmao

Um parasita que mede pouco mais de um centímetro está causando estragos na indústria do salmão, fazendo com que o preço internacional do peixe suba vertiginosamente.

Uma epidemia severa de piolhos do mar, ou piolhos de salmão, nas águas de Noruega e da Escócia, somada à proliferação de algas tóxicas no Chile – segundo produtor mundial depois do país nórdico – provocaram uma redução de 9% na produção mundial em 2016.

De acordo com analistas da indústria pesqueira, a produção deve continuar diminuindo na primeira metade deste ano por causa do parasita, que tem o nome científico de Lepeophtheirus salmonis. Segundo o jornal britânico The Guardian, a alta do preço de atacado chegou a 50% no ano passado.

A infecção atinge várias espécies de salmão e peixes como o robalo, a tainha e o mero, e pode causar um prejuízo anual de mais de US$ 300 milhões.

É importante lembrar que esses parasitas sempre existiram nos ecossistemas marinhos, onde não são necessariamente um problema.

Ao grudarem no corpo do salmão, se alimentam do seu sangue, muco e barbatanas – um peixe adulto pode sobreviver com um ou dois piolhos presos a ele.

Quando o salmão sobe o rio para desovar, os piolhos acabam morrendo, pois dependem da água salgada para sobreviver.

“O problema aparece quando temos populações de salmão confinadas em sistemas de criação intensivos, onde há milhares de peixes”, explica o epidemiologista Fernando Mardones, professor assistente da Universidade André Bello, no Chile.

Nessa situação, “o parasita se reproduz, cresce e acaba provocando um grande estrago nos peixes, porque se alimenta basicamente do seu sistema de defesa, que é o muco”.

Com a defesa baixa, o salmão fica vulnerável a outros tipos de infecções. E, ainda que sobreviva, não será aprovado para o consumo humano caso tenha um determinado número de piolhos.

Desde os anos 1970, as indústrias de peixe buscam uma solução para o problema, mas até o momento nenhuma estratégia foi 100% eficaz.

Um dos métodos para controlar o piolho é o uso de remédios na comida dos peixes, o que resulta num problema adicional: a resistência do parasita a essas substâncias.

“Apesar das tentativas de usar, na maioria dos casos, drogas antiparasitárias de forma responsável e de alternar os tratamentos, o piolho do salmão está ficando resistente”, explica Daniel Merrifield, professor de saúde e nutrição de peixes da Universidade de Plymoutn, no Reino Unido, referindo-se ao caso do Chile.

“E embora os órgãos reguladores adotem programas importantes de monitoramento, o desenvolvimento dessa resistência é o que torna o piolho do salmão ainda um problema”, acrescenta o cientista.

“Além disso, algumas das substâncias usadas são tóxicas para os peixes e, devido à sua ação, podem também ser venenosas para os crustáceos”, continua.

Mardones cita outra forma de controle, que são os banhos com produtos semelhantes aos xampus usados em crianças com piolhos.

Mas esse método pode ser estressante e levar o peixe a contrair outras doenças.

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