O polêmico vilarejo que quer banir muçulmanos e gays para se manter ‘branco e cristão’

O polêmico vilarejo que quer banir muçulmanos e gays para se manter ‘branco e cristão’
16 fevereiro 15:33 2017 Imprimir

vilarejo anti-gay

Ásotthalom, um vilarejo de pouco mais de 4 mil habitantes no sul da Hungria, proibiu o uso de trajes muçulmanos, os chamados para preces e a construção de mesquita.

Segundo seu prefeito, a cidade se vê como ponta de lança de uma “guerra contra a cultura muçulmana” e espera atrair cristãos europeus que se opõem à diversidade cultural em seus países.

“Nós recebemos basicamente pessoas da Europa Ocidental – gente que não gosta de viver em uma sociedade multicultural”, disse o prefeito, Laszlo Toroczkai, em entrevista ao programa Victoria Derbyshire, da BBC. “Nós não gostaríamos de atrair muçulmanos”.

Ásotthalom fica nas remotas planícies do sul do país, a duas horas da capital, Budapeste.

A crise de refugiados de conflitos no Oriente Médio tem contribuído para o aumento da rejeição aos imigrantes por parte dos habitantes da Europa – e na Hungria não é diferente.

Em 2015, no auge da crise migratória europeia, 10 mil pessoas cruzavam diariamente a fronteira da Sérvia para a Hungria, que fica a poucos minutos de Ásotthalom.

O prefeito se aproveitou do clima de tensão com o aumento do fluxo de imigrantes na região e decretou leis polêmicas – e legalmente questionáveis.

Assim, a nova legislação local proíbe o uso de trajes muçulmanos como o hijab (o véu que cobre a cabeça das mulheres), o chamado público para preces e veta ainda demonstrações públicas de afeto entre gays.

Também está sendo introduzida uma lei para proibir a construção de mesquitas no vilarejo, embora apenas duas pessoas muçulmanas vivam lá atualmente.

Para muitos juristas, as medidas desrespeitam a Constituição da Hungria e, até o fim deste mês, o governo central vai rever a legislação de Ásotthalom.

O país tem sido repetidamente acusado de desrespeitar valores europeus e já sofreu sanções da União Europeia que causaram um prejuízo de 6 bilhões de euros; a Hungria também foi ameaçada de expulsão do bloco econômico.

Em 2015, o governo nacionalista do primeiro-ministro, Viktor Orbán, no poder desde 2010, chegou a fechar com arame farpado os 175 quilômetros de fronteira com a Sérvia e a Croácia para impedir a passagem dos imigrantes.

Também deslocou 10 mil soldados e policiais para patrulhar a região.

O prefeito, Laszlo Toroczkai, de 38 anos, fundou e liderou um movimento de jovens de extrema-direita, do qual se afastou ao vencer as eleições em 2013.

As leis criadas por ele, no entanto, têm o apoio de vários moradores como Eniko Undreiner, que disse ter sido “muito assustador” ver “multidões de migrantes passando pela cidade”.

Os dois únicos muçulmanos que vivem no vilarejo não quiseram se manifestar porque não querem chamar a atenção da comunidade. Mas um morador disse que eles estão “completamente integrados”.

Foi criada milícias para patrulhar as fronteiras, medida que, acredita, atrairá moradores brancos europeus.

A organização Knights Templar International, ligada à extrema-direita britânica, tem anunciado casas em Ásotthalom na sua página no Facebook.

“Quando tudo tiver dado muito errado no Ocidente, mais pessoas vão se mudar para a Hungria, e a Hungria precisa dessa gente”.

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