Chegada de Bruno tem protesto de mulheres e divide cidade mineira

Chegada de Bruno tem protesto de mulheres e divide cidade mineira
16 março 11:51 2017 Imprimir

goleiro bruno boa esporte

Goleiro se apresenta ao Boa Esporte, em Varginha, entre críticas e autógrafos.

VARGINHA — Um grupo de crianças pulava e comemorava o autógrafo em letras redondas, caprichosamente escrito em uma folha de caderno: “Um abraço do seu amigo Bruno Souza”. Solto na semana passada, Bruno, condenado pelo assassinato de Eliza Samudio, voltou pela primeira vez a treinar — e a ser tietado — em um time profissional: o Boa Esporte Clube, da segunda divisão do futebol brasileiro.

A chegada do goleiro causou alvoroço em Varginha, cidade de cerca de 120 mil habitantes no sul de Minas Gerais, que abriga o Boa desde 2011. A população se dividiu entre o entusiasmo pelo convívio com o craque e a sensação de injustiça, já que Bruno foi condenado em primeira instância a mais de 22 anos de prisão, mas aguarda novo julgamento, e o corpo de Eliza jamais foi encontrado. Na noite de terça-feira, um grupo de mulheres vestidas de preto e com maquiagem que simulava marcas de agressões protestaram na praça principal da cidade contra a contratação do goleiro.

Em seu primeiro dia, Bruno se deixou cercar, sem pressa, por mulheres que queriam tirar fotos abraçadas a ele e foi cumprimentado por fãs do Boa, enquanto o restante do time, composto sobretudo por jogadores desconhecidos, aplicava gelo nas pernas sentados no gramado.

— Eu sempre fui fã dele porque sou flamenguista. Está certo que ninguém pode tirar a vida de ninguém, mas quem sou eu para julgar? — dizia Rafaela Lacerda, de 30 anos, mulher do roupeiro do Boa, que trouxe a filha Amanda, de 4 anos, para ser fotografada ao lado do ídolo.

‘QUEREMOS DAR UMA CHANCE’

Embora o clube tenha uma estrutura modesta — o centro de treinamento tem caixas d’água aparentes e o estádio comporta no máximo 15 mil torcedores —, o salário de Bruno deve chegar a cerca de R$ 20 mil. Os três irmãos que comandam o time foram procurados por defensores do goleiro, que anteviam a possibilidade de que o Supremo Tribunal Federal aceitasse o pedido de Habeas Corpus, como de fato ocorreu.

— Quem garante que meu avô não foi o pior dos matadores? Queremos dar uma chance, fazer a ressocialização dele. Se em 30 dias não se portar bem, vai embora — disse o diretor do Boa Roberto Moraes, justificando a decisão, e acrescentando que sua família é espírita e já empregou egressos do sistema penitenciário para fazer pinturas no estádio de Varginha.

Embora fosse um plano antigo do Boa, a contratação pegou a cidade de surpresa — o clube perdeu cinco patrocinadores. Nem o técnico nem o elenco foram avisados sobre o a contratação por dois anos. — O clube tem o direito de contratar o porteiro, o treinador, o jogador que quiser. Eu, como educador físico, tenho que treinar sem ver o rosto. Tenho o dever de receber bem — afirmou o técnico Julinho Camargo, que minimizou o desconforto provocado pela chegada de Bruno.

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