Entenda a relação da China com a epidemia de overdose que mata mais de 50 mil por ano nos EUA

Entenda a relação da China com a epidemia de overdose que mata mais de 50 mil por ano nos EUA
13 julho 13:17 2017 Imprimir

O traficante de drogas Leroy Shuarod Steele vendeu um analgésico tão potente a um de seus clientes no estado de Ohio, nos Estados Unidos, que o usuário morreu na hora, de overdose.

Em janeiro deste ano, Steele, de 36 anos, admitiu em um tribunal que ministrou, em março de 2015, a dose de fentanil na vítima, identificada apenas com as iniciais T. R.

Trata-se de um opióide sintético potente – 50 vezes mais poderoso que a heroína e cem vezes mais que a morfina -, usado legalmente para tratar dores crônicas. Nos últimos anos, porém, seu consumo abusivo levou a uma série de mortes no país.

O acusado confessou também ter adquirido o produto da China, para então distribuí-lo nas cidades de Akron e Fairlawn.

Porém, o caso esteve longe de comover as populações das localidades. Seus residentes se habituaram com as mortes provocadas pelo consumo do analgésico, uma das drogas que mais preocupam as autoridades americanas.

“É mais uma vida humana perdida por causa dos opióides trazidos da China para Ohio”, disse, em janeiro, a promotora Carole Rendon, responsável pelo distrito em que ocorreu o delito.

As palavras de Rendon foram replicadas por outros funcionários em estados como Kentucky, New Hampshire e Virgínia Ocidental, onde, além de Ohio, as mortes por overdose de fentanil com heroína aumentam progressivamente desde 2011. Hoje, a situação pode ser considerada uma epidemia.

– 9.580, pessoas morreram em 2015 nos EUA por overdose de fentanil e drogras similares, 73% a mais que em 2014.

– 144, pessoas morreram por dia devido à intoxicação com drogas em 2015.

– Entre US$ 3 mil e US$ 5 mil é o valor do quilo para a venda. O mesmo pode ser comercializado entre US$ 40 mil e US$ 80 mil no país.

– 52 mil, cidadãos morreram por overdose de drogas em 2015, 63% deles por opióides

A Administração para o Controle de Drogas destacou, em um relatório de novembro do ano passado, que o fentanil ilícito é responsável pela crise de overdose que assola o país.

E declarou que a China tem muito a ver com isso.

O gigante asiático é o principal provedor de fentanil ilegal e outros derivados aos Estados Unidos, segundo o documento da DEA.

A agência explica que a maioria das remessas de fentanil ilegal chegou por contrabando da China – e em menor escala, do México – através do correio americano.

Traficantes adquirem no país asiático o fentanil em pó, além de substâncias químicas associadas e máquinas para fabricar pílulas. O fármaco é processado assim que chega aos Estados Unidos, onde é misturado a outros componentes similares.

A China é uma fonte global de fentanil porque suas grandes indústrias farmacêuticas e químicas estão pobremente reguladas e monitoradas, apontou um comunicado deste ano da Comissão de Revisão Econômica e de Segurança entre Estados Unidos e China.

No entanto, a agência não registrou uma redução no número de vítimas por consumo de fentanil nos Estados Unidos.

A distribuição também traz um problema, segundo funcionários americanos, já que uma grande quantidade de opióides, em especial o fentanil, entra no país por correio.

Este é um dos fatores por que alguns políticos americanos consideram que o assunto não depende da China, mas de reforçar internamente a segurança do serviço de correios.

Por isso, vários congressistas americanos propuseram este mês um projeto de lei para exigir uma tecnologia mais avançada no monitoramento eletrônico de todos os pacotes e envelopes grandes enviados por correio aos EUA.

Enquanto isto, os governos locais dos EUA terão que continuar lidando com as mortes por overdose, que desde 2009 superam aquelas causadas por armas de fogo, acidentes de trânsito, suicídios e homicídios – 52 mil por ano.

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