FBI alertou governo Trump sobre racistas em maio: ‘Mataram mais que qualquer grupo extremista doméstico nos últimos 16 anos’

FBI alertou governo Trump sobre racistas em maio: ‘Mataram mais que qualquer grupo extremista doméstico nos últimos 16 anos’
17 agosto 10:38 2017 Imprimir

A tragédia do fim de semana em Charlottesville não pegou de surpresa o FBI e o Departamento de Segurança Interna.

Em maio, um relatório assinado pelos dois órgãos informou o governo que os supremacistas e grupos de extrema-direita americana são responsáveis por mais mortes do que qualquer outro grupo extremista doméstico do país nos últimos 16 anos.

“Extremismo supremacista branco impõe ameaça persistente de violência letal” é o título do informe.

“Eles provavelmente continuarão a representar uma ameaça de violência letal durante o próximo ano”, informava o documento, revelado na segunda-feira pela revista Foreign Policy.

Ainda de acordo com o relatório apresentado, os supremacistas foram responsáveis por 49 homicídios em 26 ataques contabilizados no período.

O boletim conjunto foi entregue ao governo Donald Trump há pouco mais de três meses com “o objetivo de oferecer novos dados sobre os alvos dos supremacistas e extremistas brancos e a situação da violência praticada por estes grupos nos EUA”.

O relatório pretendia ainda servir como base para investigadores federais, estaduais e locais contra o terrorismo, além de polícias e agências de segurança privada, “na contenção, prevenção ou combate a ataques terroristas no país.

Só em 2016, segundo o relatório grupos supremacistas e extremistas brancos cometeram um ataque letal e outros cinco com potencial de mortes. Todos tinham como alvo minorias religiosas ou raciais, “incluindo latinos, afro-americanos, um estudante chinês e uma pessoa identificada como judia”.

A maior parte dos ataques foi realizada com armas de fogo – em seguida vieram os ataques com facas.

Uma estudante chinesa foi atacada com uma machadinha enquanto tirava fotos para um trabalho universitário, em fevereiro de 2016. Segundo o tribunal local que julga o caso, o suspeito teria se auto-identificado como um supremacista e dito que queria matar a estudante por sua “raça”.

Dez dias depois, em Los Angeles, três homens pertencentes a um grupo racista foram presos após atacar um grupo de latinos. Eles teriam gritado ofensas raciais antes de avançar sobre os homens e atualmente aguardam julgamento.

Há um ano, em 21 de agosto de 2016, um homem que também se declarou como supremacista foi preso como suspeito de matar um homem negro com uma faca no Estado de Indiana, também motivado por ódio racial.

O relatório oficial entregue ao governo inclui outros casos e também citava membros da Ku Klux Klan como potenciais mobilizadores de ataques contra minorias.

Procurado pela revista Foreing Policy, um porta-voz do FBI disse que a agência não pode comentar relatórios específicos de inteligência.

“O FBI compartilha rotineiramente informações sobre potenciais ameaças para melhor habilitar a aplicação da lei para proteger as comunidades”, disse a corporação.

Já o Departamento de Segurança Interna, que também assina o relatório conjunto, preferiu comentar apenas o episódio de Charlottesville.

A Casa Branca ainda não comentou publicamente os dados do relatório.

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