Palácio do Planalto discute novas medidas para conter greve dos caminhoneiros

Palácio do Planalto discute novas medidas para conter greve dos caminhoneiros
26 maio 11:00 2018 Imprimir

Presidente Michel Temer e ministros do governo discutiram neste sábado (26), durante reunião no Palácio do Planalto, novas medidas para conter a greve dos caminhoneiros que chega ao sexto dia. Foi apresentado um relatório com várias situações críticas, inclusive em portos. Entre as medidas discutidas na reunião conduzida pelo ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Sergio Etchegoyen, segundo a reportagem apurou, estão:

Prioridade para tentar normalizar os aeroportos de Brasília, Recife e Confins; Chamar todos os donos de empresa de caminhão para prestar depoimentos; Chamar a responsabilidade para a questão da área da saúde, que enfrenta dificuldades por causa da greve; Contratar motoristas para dirigir os caminhões (e exercer pressão nos motoristas); Aplicar multas.

Greve de caminhoneiros (Foto: Reuters)

Governo demorou para perceber gravidade da crise

De forma reservada, ministros próximos do presidente Michel Temer reconhecem que a demora na reação do governo para perceber a gravidade da insatisfação dos caminhoneiros e do setor de transportes tem um motivo especial: o governo estava com todo o foco na sobrevivência política diante das investigações da Lava Jato e o enfraquecimento cada vez maior junto ao Congresso Nacional. “Já havia sinais dessa insatisfação dos caminhoneiros desde o final do ano passado. Mas o governo não deu a dimensão correta porque estava preocupado com a própria situação do presidente Temer”, reconheceu ao blog um auxiliar próximo do presidente. A avaliação interna é que o avanço das investigações na Lava Jato contra Temer e a dificuldade para comandar a base aliada no Congresso tiraram do Planalto a energia necessária para cuidar de outros temas.

Ceasa de Brasília enfrenta desabastecimento no 5º dia da greve de caminhoneiros (Foto: EVARISTO SA / AFP)

Por isso, admitem interlocutores do presidente, as queixas do setor foram minimizadas. Mesmo depois de iniciada a greve, o Palácio do Planalto subestimou o movimento num primeiro momento. Na terça-feira (22), quando a paralisação da categoria já era intensa em todo o Brasil, o governo estava focado na agenda eleitoral com o pré-lançamento da candidatura do ex-ministro Henrique Meirelles ao Palácio do Planalto. “Se o governo tivesse dimensionado o potencial da greve dos caminhoneiros teria adiado o evento do Meirelles. Mas o foco era outro”, observou essa fonte.

Tanto que o Planalto recebeu de forma positiva – no primeiro momento – a iniciativa do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de zerar a Cide em troca da reoneração da folha de pagamento de vários setores da economia. Nas palavras de um assessor, seria transformar um limão em uma limonada. “Esse foi outro grande erro: achar que tão pouco solucionaria uma crise que já era muito maior. Quando o governo acordou, o movimento já tinha outra dimensão”, admitiu esse assessor palaciano, lembrando que os empresários do setor também agiram para mobilizar a paralisação dos caminhoneiros.

Caminhoneiros mantêm greve em Seropédica, no Rio (Foto: Patricia Teixeira/G1)





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