62% dos tatus da Amazônia brasileira no Pará têm bactéria da lepra, diz estudo

62% dos tatus da Amazônia brasileira no Pará têm bactéria da lepra, diz estudo
12 julho 16:09 2018 Imprimir

Um estudo inédito publicado na “PLos Neglected Tropical Diseases” mostrou que 62% dos tatus que vivem na Amazônia brasileira (especificamente no oeste do Pará) testaram positivos para a Mycobacterium leprae, bactéria causadora da hanseníase, ou da lepra, como a doença é conhecida.

Não é de hoje que a ciência sabe que tatus podem atuar como um reservatório natural para a bactéria causadora da doença. Trata-se da 1ª vez, contudo, que a relação é demonstrada com essa precisão no Brasil, dizem os autores.

No sul dos Estados Unidos, a associação já era observada — por isso, pesquisadores acreditam que a relação de transmissão entre humanos-tatus, principalmente via consumo da carne, seja um fenômeno antigo no Brasil.

A hipótese da pesquisa também é corroborada pelas maiores taxas de hanseníase detectadas em áreas rurais do país (com Centro-Oeste e Norte apresentando os maiores índices; veja abaixo).

1.       62% dos tatus na Amazônia no oeste do Pará testaram positivo para a Mycobacterium leprae (bactéria causadora da lepra ou hanseníase);

2.       Das 146 pessoas entrevistadas no município de Belterra, 7 foram diagnosticadas com hanseníase;

3.       63% (92) apresentavam sinais de anticorpos contra a lepra, o que indica contato com a bactéria;

4.       Aqueles que mais consumiam carne de tatu tinham maiores níveis de anticorpos contra a lepra que aqueles que não consumiam a carne;

5.       Levando-se em consideração as altas taxas de hanseníase na Amazônia, pesquisadores acreditam que a rota de transmissão tatu-humanos não seja um fenômeno recente na região.

Segundo os autores, o estudo mostra, pela primeira vez, que esses animais podem atuar como um reservatório para bactéria por aqui. O trabalho teve como primeiros autores Juliana Portela, Universidade Federal do Oeste do Pará, e Moises Silva, da Universidade Federal do Pará.

A pesquisa também teve a participação de cientistas dos Estados Unidos, como John Spencer, da Universidade do Estado do Colorado (EUA).

A hanseníase, ou a lepra, é uma doença contagiosa. Causada por bactéria, a condição danifica os nervos levando a sérias incapacidades físicas (pode haver dificuldades para andar ou para segurar objetos).

Manchas avermelhadas, esbranquiçadas e amarronzadas são marcas da doença. Indivíduos sentem febre, dor e “fisgadas” nos músculos.

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