Mãe processa EUA por morte de bebê que ficou sem tratamento em centro de imigração

Mãe processa EUA por morte de bebê que ficou sem tratamento em centro de imigração
29 agosto 12:54 2018 Imprimir

Menina, de 1 ano e 7 meses, pegou infecção respiratória durante 20 dias de detenção e morreu depois de ser liberada.

Uma mulher guatemalteca que pediu asilo nos EUA está processando o governo americano de homicídio por negligência de sua filha de apenas um ano e sete meses. A menina ficou doente num centro de detenção de imigrantes e morreu logo depois que as duas foram liberadas. Yasmín Juárez, de 20 anos, atravesssou em março o Rio Grande com sua filha Mariee para pedir asilo nos Estados Unidos, mas as duas foram detidas na fronteira e passaram 20 dias num centro da Imigração em Dilley, no Sul do Texas.

Segundo os documentos de entrada do processo, impetrado pelo escritório de advocacia Arnold & Porter, a bebê caiu doente uma semana depois da detenção, apresentando sintomas como febre de 40 graus, congestão, diarreia e vômitos. No entanto, “não foi atendida pela equipe médica enquanto esteve sob custódia”, diz um comunicado dos advogados. “Os responsáveis por sua segurança, condições de higiene e cuidados médicos falharam com esta menina e provocaram sua morte de maneira dolorosa”, diz o advogado R. Stanton Jones no comunicado. “Mariee Juárez chegou a Dilley como uma bebê saudável e 20 dias depois foi liberada gravemente doente, com uma infecção respiratoria que ameaçava sua vida”, acrescentou Jones. Mariee morreu seis semanas depois.

EMPRESAS BILIONÁRIAS GEREM PRISÕES

A notificação judicial para o processo foi enviada à cidade de Eloy, no Arizona. A cidade atua como uma intermediária entre o governo federal em Washington e a empresa privada que opera o centtro de detenção de imigrantes em Dilley. A empresa, a Corporação Correcional da América (CCA), agora CoreCivic, é um dos maiores grupos que administram prisões nos EUA, junto com a firma Geo. Ambas têm, inclusive, papéis em bolsas de valores. A CoreCivic opera quatro centros de detenções de imigrantes no Texas, enquando o grupo Geo opera três, mais um quarto que ainda está em construção. Juntas, as duas empresas administram 120 prisões cada no país. Os lucros anuais de ambas somaram US$ 4 bilhões (R$ 16,5 bilhões) em 2017.

INDENIZAÇÃO DE US$ 40 MILHÕES

Os advogados de Yazmín afirmarm que esta notificação judicial será “só a primeira de muitas que terão como alvo as organizações responsáveis pela operação e manutenção das instalações em Dilley”. Antes de morrer da infecção respiratória, Mariee foi levada pela mãe a hospitais em Nova Jersey e na Pensilvânia, mas os pulmões da bebê já haviam entrado em colapso, explicaram os advogados de Yazmín. O escritório exige do governo americano uma indenização de US$ 40 milhões (R$ 165 milhões).

TOLERÂNCIA ZERO

A política de “tolerância zero” com os imigrantes, implementada este ano pelo presidente Donald Trump, aumentou o número de detenções na fronteira com o México. Segundo a polícia, todos os imigrantes adultos que entravam sem visto no país deveriam ser acusados de crimes federais e, por isso, levados a penitenciárias. Como menores de idade não podem ser mantidos em prisões, crianças e adolescentes acabaram separados dos pais e responsáveis e levados para abrigos. Por causa dessa política, que vigorou entre abril e junho, mais de 2.300 menores de idade foram separados das famílias. Ainda há 528 crianças e adolescentes sozinhos sob custódia do Escritório de Reassentamento de Refugiados (ORR), dos quais 23 são menores de 5 anos. No caso da guatemalteca que pede indenização pela morte da filha, não houve separação familiar.





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