Brasil tem segunda maior taxa de homicídios da América do Sul, aponta ONU

Brasil tem segunda maior taxa de homicídios da América do Sul, aponta ONU
11 julho 17:57 2019 Imprimir

Um relatório da ONU revelou que o Brasil tem a segunda maior taxa de homicídios da América do Sul e uma das maiores do mundo. O estudo do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) mostra que o país registrou 30,5 homicídios a cada grupo de 100 mil habitantes, ficando apenas atrás da Venezuela. Os números são relativos a 2017.

O estudo, que analisou dados de todos os continentes, aponta uma tendência de alta nos chamados “homicídios intencionais” nesta década no Brasil, com a taxa que oscilava entre 20 e 26 a cada grupo de 100 mil habitantes, em 2012, indo para os atuais 30,5. Entre 1991 e 2017, 1,2 milhão de pessoas foram mortas no país. Outro ponto destacado pela ONU é o alto número de homicídios cometidos por policiais: em 2017 foram 1.599. Para efeito de comparação, nos EUA a polícia matou 448 pessoas. Os agentes de segurança também são vítimas da violência: em 2017, foram 80 policiais mortos. O relatório trabalhou com dados oficiais.

Os números do Brasil seguem a tendência na América Latina, que desde a década de 1990 registra um aumento substancial no número de homicídios. Em El Salvador, a taxa é de 62,1 a cada grupo de 100 mil habitantes, a maior da região. Na Venezuela, o índice chega a 56,8, o maior da América do Sul. A média da região é de 24,2, a segunda maior do mundo. Mas também há sinais positivos. Na Colômbia, que em 1991 tinha uma das maiores taxas de homicídios do planeta, quase 80 a cada grupo de 100 mil habitantes, os números hoje estão perto de 20. Para a ONU, isso é, em parte, resultado do acordo entre o governo colombiano e as Farc, colocando fim a um dos mais longos conflitos armados das Américas.

Os avanços na Colômbia refletem uma tendência vista em quase todos os continentes. Segundo a ONU, a média global é de 6,1 homicídios, uma queda de quase 15% em relação à década de 1990. As regiões mais seguras do mundo são Ásia, Europa e Oceania, onde os números ficam em torno de 2 homicídios a cada grupo de 100 mil pessoas. Ao todo, 460 mil pessoas foram mortas em todo o mundo em 2017. O estudo também traça um perfil das principais vítimas: homens entre 15 e 29 anos de idade possuem uma taxa média de 16,6 homicídios a cada grupo de 100 mil habitantes, seguidos por homens com idade entre 30 e 44 anos, com taxa de 14,7.

Outro fator destacado pelo estudo é o papel do crime organizado. De acordo com Yury Fedotov, diretor-executivo do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, 19% de todos os homicídios no estão ligados a ações de grupos criminosos e atividades como o tráfico de drogas. O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime também destaca que as mulheres, embora possuam taxas de homicídios mais baixas que as dos homens, são alvo de violência dentro de casa , com assassinatos cometidos por parceiros e familiares. Um fenômeno que, para Yury Fedotov, é frequente e muitas vezes ignorado.

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