Internacional: Crise na Amazônia pode “melar” indicação de Eduardo Bolsonaro à Embaixada de NY

Internacional: Crise na Amazônia pode “melar” indicação de Eduardo Bolsonaro à Embaixada de NY
23 agosto 15:38 2019 Imprimir

Levantamento mostra ainda que, entre as casas de análise de risco político as apostas em vitória do governo neste front caíram de 33% para 8% em um mês.

Uma das próximas batalhas a serem enfrentadas pelo governo no parlamento, a nomeação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro, para a embaixada brasileira em Washington (EUA) enfrenta um clima mais adverso para sua efetivação em comparação com semanas atrás. Essa é a avaliação dos analistas políticos consultados na oitava edição do Barômetro do Poder, iniciativa do InfoMoney que compila mensalmente as avaliações e projeções das principais casas de análise de risco político em atividade no Brasil. O estudo foi realizado entre os dias 19 e 21 de agosto.

Segundo o levantamento, entre julho e agosto, caíram de 33% para 8% as avaliações dos especialistas de que são altas as chances do presidente conseguir emplacar o nome do filho em um dos postos mais cobiçados da diplomacia nacional. Por outro lado, o grupo dos que veem como baixa essa possibilidade saltou de 13% para 31% no mesmo comparativo. A maioria (62%) vê como moderada tal probabilidade. Em julho, eram 40%.

A indicação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada do Brasil nos Estados Unidos precisa passar por deliberação da Comissão de Relações Exteriores e pelo plenário do Senado Federal para passar a valer. Em ambos os casos, a votação é secreta e é exigido apoio da maioria dos presentes.

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O clima piorou desde que veio a público um parecer da consultoria do Senado Federal que classifica como nepotismo o movimento. No documento, os técnicos argumentam que o cargo de chefe de missão diplomática é um posto comissionado comum. Neste caso, seria vedada a nomeação de parentes pelo chefe do Poder Executivo, conforme determina decreto de 2010 e uma decisão do Supremo Tribunal Federal de 2008.

A polêmica envolvendo a decisão fez com que o presidente Jair Bolsonaro admitisse, pela primeira vez, a possibilidade de recuar da nomeação se perceber que não conta com votos suficientes. “Você, por exemplo, está noivo. A noiva é virgem. Vai que você descobre que ela está grávida. Você desiste do casamento? Na política, tudo é possível. Eu não quero submeter o meu filho a um fracasso. Acho que ele tem competência. Tudo pode acontecer”, afirmou na última terça-feira (20).

Apesar da mudança de perspectivas, um dos analistas consultados pelo Barômetro do Poder acredita em um acordo entre governo e parlamentares. “Os senadores devem impor uma renegociação benéfica aos Estados no Pacto Federativo / Plano Mansueto para, em troca, aprovar a nomeação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada”, pontua.

Amazônia em chamas contamina debate

A crise de proporções globais envolvendo o governo brasileiro com os incêndios na Amazônia, porém, traz novos complicadores para esta equação. Após uma série de líderes globais se manifestarem sobre o tema, nesta sexta-feira (23) uma autoridade do governo norte-americano expressou preocupação com o número recorde de queimadas, em entrevista à agência de notícias Reuters. O filho 03 do presidente chegou a compartilhar, em seu perfil nas redes sociais, um vídeo em que o presidente da Fança, Emanuel Macron, é chamado de “completo idiota”. O líder francês classificou os incêndios na Amazônia como “criminosos” e convocou integrantes do G7 a discutirem o assunto em reunião de cúpula que começa no sábado.





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