Caiu a ficha e é hora de repensar relacionamento com os EUA, dizem assessores de Bolsonaro

Caiu a ficha e é hora de repensar relacionamento com os EUA, dizem assessores de Bolsonaro
04 dezembro 16:01 2019 Imprimir

Apesar de não externarem publicamente, o presidente Jair Bolsonaro e sua equipe já avaliam que o relacionamento com os Estados Unidos precisa ser repensado, porque a qualidade da parceria com o presidente Donald Trump não está sendo nada boa para o Brasil.

Nas palavras de um assessor presidencial, “caiu a ficha” e a hora é de ser pragmático com o governo norte-americano. Desde o início do governo, o presidente Bolsonaro adotou uma política deliberada de alinhamento com os Estados Unidos. Fez diversas concessões ao governo norte-americano, mas até agora só recebeu promessas em alguns setores e ameaças de retaliação em outros. Por isso, a avaliação agora, feita pela equipe presidencial, é que “a qualidade da parceria não está sendo boa para o Brasil”.

Isso não significa que o governo brasileiro irá praticar de imediato algum tipo de retaliação contra os Estados Unidos. Adotar esse caminho de cara, argumentam assessores da equipe econômica, seria ir contra a linha do governo atual, que é pela abertura da nossa economia, e não pela adoção de medidas protecionistas. Por enquanto, a ordem interna é apostar nas negociações para reverter a decisão de Trump, que anunciou a adoção de sobretaxa de 25% sobre a importação de aço brasileiro e de 10% sobre o alumínio. Negociadores brasileiros conversaram com funcionários da Casa Branca e ouviram deles o reconhecimento de que Trump pode ter errado ao incluir o Brasil no aumento de tarifas de importação.

Primeiro, porque, ao contrário de outros países, a maior parte do aço brasileiro exportado para os Estados Unidos é utilizada como insumo pelas siderúrgicas norte-americanas. Com isso, se a tarifa de importação sobe, o custo delas também sobe e acaba prejudicando a própria economia americana. Segundo, os funcionários norte-americanos concordam que o Brasil não estava adotando nenhuma medida artificial de desvalorização cambial, como havia acusado Trump. Agora, a expectativa é que, nas conversas com o presidente americano, ele possa voltar atrás. Ou que a medida fique apenas na ameaça e não entre em vigor. Por isso, o governo brasileiro está optando por evitar declarações críticas públicas contra Donald Trump. O Brasil não afasta, porém, a possibilidade de uma reação caso a sobretaxa seja realmente adotada nas próximas semanas.





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