Léa Campos: Contando História

Léa Campos: Contando História
30 janeiro 13:40 2020 Imprimir

Muitas coisas acontecem em nossas vidas e se não a relatamos não serão conhecidas e cairão no esquecimento. Fundada como Rádio Santo Amaro (originalmente Rádio Difusora Hora Certa de Santo Amaro ou Rádio Difusora de Santo Amaro) pela comunidade japonesa, ficava na Avenida da Liberdade e operava na frequência 730 kHz. Foi também propriedade da família Paulo Machado de Carvalho e depois adquirida por Francisco Monteleone quando a transferiu para a Rua Granja Julieta, Sto. Amaro. Em 1969 Roberto Montoro, a comprou junto com a Rádio Voz da Araraquarense de Araraquara. Nasceu com uma proposta diferente e em 1970 foi lançada a Rádio Mulher, uma sociedade de Roberto e seu irmão Antonio Bruno.

Nascia então, uma emissora, cuja proposta era ser feita por mulheres e voltada para o público feminino. Hebe Camargo, um dos nomes marcantes da rádio, apresentava um programa semelhante ao que comandava na TV, vale lembrar que a Rádio Mulher foi uma das últimas emissoras paulistas a se dedicar a radionovelas, Em 1975 passou a operar na frequência de kHz. Em 2 de julho de 1971 foi uma data memorável, entrava no ar a sua primeira equipe esportiva inteiramente feminina, sob a chefia da publicitaria Helena Marques. A equipe contava com Zuleide Raniere na narração, comentários técnicos de Jurema Yara e Leila Silveira, comentar a arbitragem estava a meu cargo, (Lea Campos), no campo com maestria estava Germana Garili entrevistando os jogadores, além de Claudete Troiano e Branca do Amaral. O objetivo era levar mais mulheres aos estádios, onde o slogan era “A cada mulher a mais no estádio, um palavrão a menos”.

Apesar do esforço e profissionalismo de todos que ali se encontravam a equipe foi dissolvida em 1975, a audiência não era a que esperávamos e o maior motivo para o fim da equipe foi o preconceito por parte dos profissionais masculinos que reclamavam ter que dividir espaço com as repórteres femininas. Nossa equipe foi substituída por outra composta por 15 homens. Além da equipe feminina esportiva, havia dificuldade em manter a equipe feminina da emissora, já que dos 136 funcionários, 132 éramos mulheres que atuávamos na produção, apresentação, da parte burocrática e direção geral. Os quatro homens eram os dois proprietários e dois vendedores de anúncios, que talvez não souberam como convencer os anunciantes de apoiar as mulheres em dita caminhada. Em dezembro de 1980, a Rádio Mulher aparecia na décima colocação (empatada com a Rádio Gazeta) entre as mais ouvidas na Grande São Paulo, Cinco anos depois, era registrado que o projeto inicial havia sido abandonado e boa parte da programação era comandada por homens. Em 1986 e 1987, a Rádio Mulher comemorava êxito em sua programação 100% sertaneja. Hoje, sob o nome de Rádio Morada do Sol, sua programação esta arrendada para a Igreja Pentecostal Deus e Amor transmitindo a programação da Rádio Deus e Amor, a mesma emissora que na década de 1980 era repetidora do programa A Voz da Libertação. Hoje não temos ideia de como anda nossa querida Rádio Mulher. Restando algumas amizades feitas naquela época, entre as quais destaco minha grande e querida amiga, Germana Garili com quem divido espaço no Museu do Futebol de São Paulo. Sua memória sobre tudo o que envolve o futebol é inigualável.

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