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Léa Campos: Começar de Novo

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laurinha leaEntre 1967 e 1971, lutei com unhas e dentes por um sonho: queria ser árbitro de futebol.

Enfrentei o machismo de alguns mandatários do futebol, como do Sr. João Havelange, naquela época presidente da C.B.D, hoje C.B.F, e também do sr. Pais Leme (Federação Paulista) que não aceitavam a mulher no futebol.

Lutei rompendo todas as barreiras postas contra minha meta e depois de quatro anos de idas e vindas, consegui meu sonhado diploma e pude finalmente atender aos convites que me chegavam para apitar futebol.

Queria jogar, mas infelizmente naquela época nossa constituição não permitia.

Felizmente a lei mudou e hoje temos muitas meninas jogando futebol, apesar da falta de apoio e incentivo.

Ao que parece a lei não conseguiu mudar a mentalidade de alguns homens e até mulheres que estão no comando do futebol feminino brasileiro.

Um caso que revolta aos que lutam pelo futebol feminino, está ocorrendo em São Carlos, São Paulo, com a garota Laurinha, que joga em um time masculino, por não haver competição para meninas de menos de 15 anos e Laurinha tem 11.

Ela jogou todo o campeonato com os meninos e quando chegou a decisão da competição, a Delegada Regional da Secretaria de Esporte e Turismo do Estado de São Paulo, Maria Aparecida Forti Araujo, simplesmente impediu Laurinha de jogar sob a alegação de que a competição era masculina e ainda ameaçou punir as equipes que aceitaram jogar com ela em campo.

Ora, se não há uma competição para as meninas nessa idade, e se as equipes participantes aceitam que Laurinha, ou outra garota jogue, por que a delegada atua com tanta truculência matando o sonho de uma menina, cujo único erro é gostar de jogar futebol?

Antes de proibir deveriam criar opções. Nos países desenvolvidos meninas jogam com meninos sem nenhum problema, existem nas escolas equipes mistas para acolher as garotas que queiram jogar.

Isto que fizeram com Laurinha é buling, ela está arrasada, como é natural.

Laurinha é uma pioneira e o fato dela jogar em equipes masculinas está incentivando outras garotas da mesma idade a seguirem seus passos.

Peço às autoridades da esfera Federal, no caso o Ministério dos Esportes, que encontrem uma solução para que as “Laurinhas” brasileiras não percam o gosto pelo futebol feminino.

Creio que somente os pais poderiam proibir que a filha jogasse em equipes masculinas, se os pais apoiam a responsabilidade é deles, estamos no século XXI e essa atitude é ridícula, machista e infeliz.

Esta coisa de “clube do Bolinha, Lulú não entra”, não existe mais.

A luta pela igualdade dos direitos continua, não vamos jogar a toalha, Laurinha é uma guerreira e por isso a apoiamos.

Laurinha sua luta é minha também, não se sinta desmoralizada por isso, sua vitória será sua recompensa!


Social Press . 19/11/2015

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2 Comments

  1. Parabens pela materia, vamos acabar com esse preconceito contra nossas mulheres.Vamos incentivar o esporte e fazer o Brasil forte em todas as modalidades.
    Parabens

  2. PARABÉNS PELA MATÉRIA, VAMOS INCENTIVAR E VALORIZAR AS MULHERES QUE LUTAM PELA IGUALDADE.

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