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Algumas domésticas se recusam a trabalhar para patrões brasileiros nos EUA

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Domésticas brasileiras que moram nos Estados Unidos têm evitado trabalhar em casas de brasileiros, queixando-se de posturas autoritárias dos patrões e de problemas para calcular seus pagamentos.

Os casos, mais comuns em áreas que concentram tanto famílias ricas quanto trabalhadores braçais brasileiros, como a Flórida, a cidade de Boston e a capital Washington, expõem diferenças na forma como o trabalho doméstico é encarado no Brasil e nos EUA.

Uma doméstica brasileira que trabalha em Washington há quase 20 anos diz à BBC Brasil que algumas colegas chegam a se recusar a fazer faxina em casas de brasileiros.

Sede de importantes universidades e organismos internacionais, a capital americana e seus arredores abrigam muitos técnicos brasileiros com alto padrão de vida, bem como milhares de imigrantes que trabalham com serviços domésticos ou na construção civil.

A doméstica diz que se desentendeu com chefes brasileiros quando eles lhe pediram que lavasse parte do telhado da casa. Ela argumentou que, na vizinhança, o trabalho era realizado por empresas de limpeza, pois exigia equipamentos especiais e mão de obra treinada.

Ela diz ter sabido de casos em que empregadas brasileiras que serviam patrões brasileiros fugiram das casas em que trabalhavam. Um dos casos teria envolvido uma mulher que, após dizer aos chefes que não queria mais servi-los, foi levada até o aeroporto para embarcar de volta ao Brasil.

Pouco antes do embarque, ela diz que a empregada se escondeu no banheiro para despistar os patrões. Horas depois, saiu do aeroporto e buscou a ajuda de colegas para permanecer nos Estados Unidos.

São raros nos Estados Unidos os trabalhadores domésticos fixos, que atuam em uma só casa. Muitas domésticas no país se referem a seus empregadores como clientes, e não patrões.

Domésticas dizem que alguns empregadores brasileiros nos Estados Unidos pensam que, por serem brasileiras, estariam dispostas a cumprir o mesmo esquema de trabalho do país natal e tentam pechinchar o preço dos serviços, em geral bem mais caros que no Brasil.

Dois desses conflitos envolvendo domésticas e patrões brasileiros ganharam as páginas do jornal The Boston Globe em setembro passado.

Convidada pela patroa a trabalhar nos Estados Unidos em 2009, Edilene Moraes Almeida diz ter sido incumbida de todas as tarefas da casa – segundo ela, uma “mansão” nos arredores de Boston.

Ela diz que iniciava o expediente às seis da manhã e só o encerrava à noite, após servir o jantar. Ela afirma que, durante a jornada, mal conseguia deixar a casa, pois tinha de ficar atenta a recados e à correspondência dos patrões. Adventista, conta que seu único dia de descanso era o sábado.

Quando os patrões deixaram o país, Edilene resolveu ficar e diz ter lhes pedido dinheiro para comprar a passagem quando decidisse regressar. “Eles falaram que não, que não iam dar dinheiro, que podiam pagar a passagem só se eu voltasse naquele dia”, afirma. “Eles saíram e não me deixaram condição de nada.”

A doméstica hoje se dedica principalmente aos estudos de inglês e a atividades missionárias, distribuindo DVDs e livros de sua igreja.

Outro caso envolveu a doméstica Noíva Ferreira de Resende, que chegou aos Estados Unidos em 2012 para servir a família de um executivo. Segundo seus advogados, ela recebia US$ 300 semanais por uma jornada de 14 horas diárias, cinco dias por semana, pagamento que seria inferior ao definido em seu contrato.

O caso foi encerrado com um acordo que envolveu o pagamento de US$ 17 mil à ex-funcionária e uma multa de US$ 5.100.

 


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1 Comment

  1. Boa tarde! Sou brasileira estou aqui nos estados unidos à 4 meses estava trabalhando para um restaurants brasileiro em Jacksonville e a dona deste estabelecimento se recusou a me pagar. Onde posso buscar ajuda para resolver este problema ? A dona do restaurante me fazia ameaças contantementes estou com medo dela me prejudicar, o que EU faço? Alguem pode me ajudar?

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