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“Sonhos não são impossíveis”, diz aluna brasileira que ganhou bolsa nos EUA

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Estudante do terceiro ano da ETEC Jaraguá, em São Paulo, Bruna Santos, foi premiada em concurso para estudar no mês de julho na Universidade de Yale.

Bruna dos Santos nasceu em Parada de Taipas, bairro da periferia da zona norte de São Paulo. Filha de pedreiro e faxineira, a jovem de 17 anos aprendeu com os pais a ter garra. Eles, migrantes nordestinos, ensinaram as duas filhas que estudar é o melhor caminho para crescer.

A caçula da família levou o conselho tão a sério que conseguiu uma bolsa integral para estudar na Universidade de Yale, nos Estados Unidos. “Meus pais não tiveram condições de cursar uma universidade, minha irmã mais velha, Hortência Lopes, cursa sistemas de Informação na USP, eles sempre me incentivaram a estudar e aproveitar ao máximo as oportunidades que surgem”, conta Bruna. A jovem estudante da ETEC Jaraguá (Escola Técnica Estadual de São Paulo) participou em setembro do ano passado do Programa Parlamento Jovem Brasileiro (PJB). Foi ali que descobriu a possibilidade de tentar o processo seletivo para o YYGS (Yale Young Global Scholars Program.) Durante cinco dias, os jovens parlamentares vivenciaram a rotina da Câmara dos Deputados, em Brasília, por meio de tomada de posse, proposição de projetos, debates e votações.

“Como éramos jovens de diversas partes do país e vindos de realidades diferentes, trocávamos ideias sobre oportunidades tanto no Brasil como em outros países”, explica. Bruna foi selecionada para participar do PJB ao propor um projeto de lei que estabelece normas direcionadas à área da educação visando a erradicação do analfabetismo funcional. “Estava a quatro meses das inscrições para o curso em Yale, eu não tinha dinheiro e nem tinha viajado para fora do país, foi uma correria”, conta. Nesse período, a jovem produziu uma redação em inglês e foi atrás de uma carta de recomendação. Providenciou os documentos, passaporte e visto. “Em março fiquei sabendo da aprovação, escolhi o curso de Política, Direito e Economia, porque pretendo estudar relações internacionais na faculdade”, diz. “A melhor notícia foi saber que consegui uma bolsa integral — aula, alimentação e alojamento inclusos”.

Uma professora pagou a taxa do visto para os Estados Unidos. Amigos e familiares organizaram uma vaquinha virtual e com o valor arrecadado, os pais conseguiram parcelar a passagem aérea. “Aprendi inglês em um cursinho do bairro, mas viajei acompanhada de uma amiga que me ajudou muito no embarque e até chegar na Universidade.” No curso, jovens de diferentes nacionalidades passaram duas semanas mergulhados diariamente em seminários, palestras e debates.Uma imersão de praticamente 10 horas diárias. “Logo no primeiro dia, tivemos uma palestra no auditório da faculdade de Direito e lá formamos o que eles chamam de família, conheci pessoas de diferentes nacionalidades e culturas, foi uma integração importante. Voltei muito diferente do que fui e quero compartilhar essa experiência com a minha comunidade”. O que ficou? “Nunca imaginei que um dia teria a chance de estudar fora do Brasil, quanto mais em Yale, percebi que nem todo sonho é impossível e quero que outras pessoas saibam que não é porque estudamos em escola pública que não vamos conseguir”, diz. “Minha irmã está na USP, ela é minha inspiração, também quero chegar lá, quero estudar muito e me especializar em direito internacional”.


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