MundoNotícias

Escravas sexuais brasileiras e latinas no Japão

0

A ativista japonesa de direitos humanos Shihoko Fujiwara é fundadora da Lighthouse, ONG que combate o tráfico de pessoas no Japão desde 2004.

Ela explica que, quando a economia japonesa passou por um boom, na década de 1970, “os homens japoneses começaram a viajar ao exterior para comprar serviços sexuais de mulheres”.

Em 2017, segundo a polícia japonesa, foram registrados 46 casos de tráfico de pessoas no país – sendo 28 japonesas, 13 de países asiáticos e uma brasileira.

Mas, segundo especialistas, as estatísticas oficiais não refletem a magnitude do problema, uma vez que muitos casos de exploração sexual nunca são denunciados.

Um relatório de 2018 do Departamento de Estado americano afirma que “como se reportou nos últimos cinco anos, o Japão é um país de destino, fonte e trânsito” de tráfico humano.

A ativista Fujiwara e membros de sua equipe já visitaram casas noturnas alvos de denúncias de escravização e exploração de mulheres latinas. Descobriram que os cafetões movem essas mulheres a cada dez dias, de uma casa noturna a outra, por todo o Japão.

E, nelas, os clientes que pagarem US$ 20 extras “podem ter relações sexuais com as bailarinas”.

“Eles recebem uma camisinha, uns lenços e têm dez minutos para fazer sexo. Esse tipo de serviço é padrão em clubes de stripers latinas”, conta.

E o sexo é realizado em um pequeno cubículo, do tamanho de uma cabine telefônica.

Fujiwara relatou suas descobertas à polícia, mas, frustrada, diz que muitas das vítimas de tráfico sexual acabam sendo presas sob acusação de prostituição e permanência ilegal no país.

Em vez de tratadas como vítimas, elas são deportadas, diz a ativista. “Não se dão ao trabalho de investigar seus casos.”

Embora ela acredite que o número de latinas exploradas no país tenha diminuído, acha que esse grupo “é o que sofre mais violência, mais exploração e por um tempo maior do que mulheres de outras nacionalidades. Não sei por quê, se é porque tinham que pagar dívidas mais altas (por virem de mais longe). Mas eram muito maltratadas.”

Entre 2011 e 2017, o relatório do Departamento de Estado americano listou o Japão como um dos países “cujos governos não cumprem plenamente com as normas mínimas da Lei de Proteção para Vítimas de Tráfico de Pessoas”, embora o país asiático tenha mudado de classificação em 2018, ante a mais esforços do governo em erradicar o problema.

No entanto, o mesmo levantamento adverte que muitos dos traficantes sexuais recebem tratamento leniente da Justiça japonesa, “recebendo sentenças pequenas que muitas vezes são suspensas”.

E que em muitos casos as autoridades prenderam, acusaram e deportaram estrangeiros que “fugiram de condições de exploração (impostas) pelos agenciadores que os contrataram, em vez de terem seu caso investigado e remetido a serviços de proteção”.


Junior vai acionar Atlético-MG por dívida na compra de Chará; Galo aguarda

Previous article

Brasileira é agredida na Itália por não falar língua local

Next article

You may also like

Comments

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

More in Mundo