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Pesquisadores brasileiros desenvolvem biossensor que avisa se alimentos estão contaminados por bactérias

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Todos os anos, 10% da população do planeta contrai algum tipo de doença transmitida por alimentos contaminados – desde infecções gastrointestinais até meningite, informa a Organização Mundial da Saúde.

Um grupo de pesquisadores brasileiros desenvolveu um biossensor que usa nanopartículas magnéticas e uma substância extraída do veneno do ferrão de abelhas para detectar contaminação em comidas e bebidas de forma muito mais rápida e eficiente que os métodos tradicionais. Segundo o físico Osvaldo Novais de Oliveira Junior, do Instituto de Física da USP de São Carlos, coordenador da equipe que desenvolveu o dispositivo, uma das maiores dificuldades para evitar as DTAs, sigla para doenças transmitidas por alimentos, é detectar bactérias no estágio inicial da contaminação, ou seja, quando o número delas ainda é muito pequeno.

“Nos métodos convencionais, amostras de alimentos ou bebidas são coletadas e depois levadas a um laboratório especializado para a verificação da formação de colônias delas”, explica. Isso tem que ser feito por meio de análises no microscópio para visualizar os agrupamentos, e pode demorar até 72 horas, principalmente se a contaminação estiver no começo. De acordo com ele, o sensor propriamente dito é bastante simples. Ele contém eletrodos de prata, depositados sobre filmes de um plástico, o poli (tereftalato de etileno) – ou PET -, com uma técnica de serigrafia. A tinta do metal é espalhada sobre o polímero usando uma máquina produzida no Brasil com uma tela de poliéster.

“O que é especial nele é a possibilidade de se produzir grandes quantidades a baixo custo, e em outros tipos de materiais”, conta Oliveira. “Não só no PET, mas também em papel e tecidos, como já testamos em nossos laboratórios.” O outro ingrediente essencial do ensaio é a pré-concentração das amostras. Isso é feito para resolver a dificuldade da detecção de pequenas concentrações de micro-organismos. Na tecnologia desenvolvida em São Carlos, nanopartículas magnéticas produzidas em laboratório pelos pesquisadores são recobertas com melitina, a substância extraída do veneno do ferrão da abelha, que tem afinidade com bactérias.

Quando essas nanopartículas são introduzidas em uma amostra líquida a ser analisada, as bactérias eventualmente presentes se dirigem a elas devido à presença da melitina. Após um determinado tempo – cerca de 20 minutos -, as nanopartículas magnéticas, com os micro-organismos aderidos, são atraídas com um ímã. É este material com bactérias pré-concentradas que é usada para a detecção. No caso de alimentos sólidos, uma pequena amostra triturada, homogeneizada e filtrada bastará para fazer o mesmo procedimento. “O processo de medida é rápido, cerca de alguns minutos, o que é vantajoso sobre os métodos tradicionais.” Além disso, os procedimentos também podem ser de baixo custo se a metodologia for usada em grande escala. “Outra possível vantagem é a simplicidade na realização das medidas de detecção, mesmo para pequenas concentrações de bactérias, o que pode ser feito por não especialistas em análises, com pouquíssimo treinamento”, acrescenta Oliveira.


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