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EUA: Governo separa famílias de imigrantes ilegais e envia as crianças para antiga base militar

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O internamento de nipo-americanos durante a Segunda Guerra Mundial sempre permaneceu uma mancha terrível nos livros de história dos Estados Unidos (EUA). Cerca 120 mil pessoas foram mantidas à força em várias dessas instalações entre 1942 e 1946, quando o país estava em guerra com o Japão.

Uma das mais infames bases militares utilizadas para esse “propósito escandaloso, paranóico e desumano”, segundo um artigo do All That’s Interesting (ATI), foi Fort Sill. Localizada a sudoeste da cidade de Oklahoma, esta base do Exército, com 150 anos, está agora pronta para ser reintegrada como um abrigo para o crescente número de imigrantes que entram ilegalmente nos EUA. A Administração Trump escolheu oficialmente a base para ser usada como campo de internamento de 1.400 das 40.900 crianças detidas pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos até 30 de abril deste ano. O plano estabelecido é mantê-las nesse local até que as mesmas possam se reunir com um familiar adulto.

Enquanto a agência responsável alegou que a base será apenas usada “como um abrigo temporário de emergência”, os críticos da Administração Trump são céticos em acreditar nesta como uma solução de curto prazo, temendo que práticas como essa sejam de natureza mais permanente. A declaração emitida pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos confundiu os especialistas, ao informar que já operam cerca de 168 instalações semelhantes em 23 estados do país. A quantidade de imigrantes detidos registou um aumento alarmante de 57% em relação ao ano passado. Enquanto 2016 ainda mantém o recorde de todos os tempos, com 59.171 menores sob custódia, este ano o mesmo está a caminho de ser superado.

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Segundo o ATI, embora essa prática “aparentemente nova e fascista” tenha chocado e enfurecido cidadãos em todo o país, o governo dos EUA tem estado envolvido na separação de crianças migrantes dos seus pais já há algum tempo. A Administração Obama colocou quase oito mil crianças em várias bases em todo o Texas, Califórnia e Oklahoma em 2014 – incluindo a Fort Sill. Contudo, os números por si só certamente diferenciam uma administração da outra. O Departamento de Saúde e Serviços Humanos disse que analisou outras duas bases militares antes de se estabelecer em Fort Sill. Em 2018, o Governo verificou numerosas instalações para abrigar imigrantes, mas decidiu não usá-las. No entanto, “tudo mudou muito rapidamente”, referiu o ATI.

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De acordo com o Hill, a descrição de Fort Sill feita por prisioneiros japoneses na década de 1940 incluía torres de vigilância “equipadas com metralhadoras de 30 calibres, espingardas e holofotes”. “Embora as condições que essas crianças migrantes experimentem possam ter um ou dois desses elementos, ser separado das suas famílias e trancado dentro de gaiolas pelo governo dos EUA é certamente uma experiência angustiante e traumática que nenhuma criança deveria sofrer”, lê-se no artigo. No entanto, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos garantiu que as crianças serão separadas da população geral do campo de internamento, e que serão supervisionadas pelos seus funcionários – e não por militares dos EUA. “A visão geral dessa situação não é bonita”, notou o ATI, acrescentando que a Administração Trump “deixou bem claro que vê a imigração ilegal como uma das questões mais perigosas do seu reinado”, embora a detenção de crianças na fronteira esteja a atingir altos recordes. Várias já morreram como resultado de detenção forçada nos EUA.


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