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Sem trabalho, com fome e medo de ir ao médico: O drama dos brasileiros ilegais na quarentena em Londres

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Às 21h56 de domingo (5 de abril), nove minutos antes do horário programado, decolava o último voo direto da companhia aérea Latam de Londres com destino a São Paulo. O próximo só partirá no fim deste mês, quando se espera que as regras de isolamento social decretadas pelo governo britânico para combater a pandemia de coronavírus comecem a ser afrouxadas.

Não se sabe ao certo quantos brasileiros vivem ilegalmente no Reino Unido, mas estimativas apontam que até metade possa estar em situação irregular.

O governo britânico financia o retorno voluntário de imigrantes que violem as regras de seus vistos a seus países de origem. Como contrapartida, não podem voltar ao Reino Unido por um período de dois anos e meio.

Segundo a ONG Casa do Brasil, que intermedia o contato de imigrantes junto ao governo britânico, aumentou “de quatro a seis vezes” a procura pelo programa, devido à pandemia de coronavírus. A Casa do Brasil tem apoio do Consulado brasileiro em Londres.

“Em média, recebemos de cinco a seis telefonemas por dia. Nas últimas semanas, esse número passou para 20 a 30. A imensa maioria das pessoas que nos procura está desesperada. Algumas delas não têm o que comer ou onde ficar. Como são ilegais, não têm contrato de trabalho e, portanto, não podem acessar os benefícios concedidos pelo governo por causa da crise do coronavírus”, diz Vitoria Nabas advogada de imigração e diretora da Casa do Brasil.

Recentemente, o Reino Unido anunciou um amplo pacote de medidas para apoiar trabalhadores de carteira assinada e autônomos em meio ao caos socioeconômico causado pela doença. Por essa iniciativa, o governo paga até 80% do salário do funcionário, no limite de 2,5 mil libras por mês.

Por causa do isolamento social, o atendimento da Casa Brasil deixou de ser presencial, o que inviabiliza o retorno daqueles que ainda não tiveram o visto expirado ou perderam o passaporte.

“O programa se volta a todos os imigrantes que violem as regras de seus vistos. Uma pessoa que tenha entrado no Reino Unido com um visto de turismo e que ainda esteja válido, mas trabalhe aqui, ou seja, burlando as leis de imigração, também pode se candidatar”, exemplifica Nabas. O mesmo vale para quem perdeu o passaporte”, acrescenta ela.

“Se o imigrante é deportado, ele normalmente é preso e levado a um centro de imigração. Dali ele é colocado de volta em um avião e suas algemas só são tiradas quando está dentro do avião”, explica Nabas.

Qualquer visitante estrangeiro, incluindo aqueles que vivem no país sem permissão, tem que pagar por tratamentos médicos a menos que se enquadre em uma lista de exceções, como casos de emergências, atualizada com regularidade.

Em nota enviada à BBC News Brasil, o Ministério do Interior afirmou que a realização tanto de testes, mesmo com resultados negativos, quanto tratamentos para o novo coronavírus, não serão cobrados de não-residentes.

“Nenhuma verificação da situação imigratória será feita para aqueles que se submetam a testes ou a tratamento para o covid-19. Também não haverá nenhuma cobrança em relação aos testes, mesmo que o resultado seja negativo”, diz o comunicado do órgão enviado à BBC News Brasil.

No entanto, essa verificação pode acontecer caso a condição não esteja relacionada ao coronavírus, acrescentou a pasta.


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