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É de Curitiba a estudante que desenvolveu absorvente interno com fibra de banana

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A estudante curitibana Rafaella de Bona Gonçalves desenvolveu em um curso de soluções de impacto social e teve como isso reconhecimento do júri do maior prêmio internacional de design para estudantes: um absorvente interno feito de fibra de banana para mulheres vulneráveis, que vivem nas ruas.

Um produto descartável e sustentável feito de material orgânico para que não agrida o meio ambiente.

O projeto ganhou o nome de Maria e surgiu a partir do trabalho de conclusão do curso livre, que exigia que os estudantes criassem produtos com base em um dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU.

Em suas pesquisas para o desenvolvimento do projeto, se deparou com um conceito que desconhecia e agora norteia seu trabalho: pobreza menstrual. Rafaella, então, procurou entidades e organizações sociais, em Curitiba, para obter mais informações sobre a realidade das mulheres que vivem nas ruas, e como lidam com os dias de fluxo. Descobriu que, em geral, elas não usam calcinha, o que inviabiliza o uso de absorvente descartável, que é adesivado na calcinha. Usam retalhos de tecidos e outros materiais, como plástico.

A estudante ainda assistiu a um vídeo em que uma mulher mostra como transforma um absorvente descartável externo em interno, tirando o algodão. E também assistiu ao filme vencedor do Oscar de melhor documentário de curta-metragem, em 2019, “Absorvendo o Tabu”, da diretora Rayka Zehtabchi.

Ela conta a história de uma comunidade rural em Harpur, na Índia, que recebe uma máquina que produz absorventes biodegradáveis e transforma a vida das mulheres na região. Para escrever o roteiro, Rayka se inspirou em um dado estarrecedor: três milhões de indianas deixam de ir à escola quando estão menstruadas.

A partir de todas essas informações e de conversas que teve com algumas mulheres que vivem nas ruas de Curitiba, Rafaella chegou ao protótipo final: um absorvente interno produzido em formato de rolo e destacável, como o papel higiênico.

Para produzir o rolo, ela procurou por materiais orgânicos porque o produto precisava ser descartável e não poderia causar danos ao meio ambiente. “Descobri uma empresa da Índia que fabrica absorventes com fibra de banana e resolvi usar esse material”, contou. E assim foi.

Este ano, termina a faculdade regular e quer se aprofundar em suas pesquisas, além de fabricar o primeiro protótipo do Maria Absorvente Íntimo para poder distribuí-lo o mais rápido possível para as mulheres que moram nas ruas de sua cidade.

Em setembro do ano passado, Rafaella foi reconhecida pelo júri do prêmio If Design Talent Award pelo trabalho desenvolvido com o Projeto Maria.

Desenvolvido e oferecido pelo guia de design alemão iF World Design Guide, este é um dos mais importantes prêmios para estudantes dessa área do mundo, que elege as soluções mais criativas e inovadoras com valores a partir de 50 mil euros.

Costuma receber dez mil inscrições por ano e, este ano, também aderiu aos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU para que os candidatos classifiquem os trabalhos inscritos.


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