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Médico brasileiro que se curou de Covid-19 nos EUA ressalta importância da prevenção

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Brasileiro, mas com residência nas universidades de Harvard e Stanford e atuando há 16 anos nos Estados Unidos, o médico Fernando Kawai lida diretamente com pacientes de Covid-19 em um centro hospitalar no Queens, o bairro com mais casos da doença na cidade de Nova York. Ele ressalta a necessidade de evitar o agravamento da pandemia no Brasil.

“No sistema de saúde mais rico do mundo nós chegamos a beira do caos”, destaca. “O sistema de saúde dos EUA gasta aproximadamente US$ 3,4 trilhões por ano, o que é quase o dobro do PIB do Brasil inteiro. Aqui, na terra de recursos quase ilimitados, chegamos na beira do caos, portanto fico muito preocupado com o impacto da doença no Brasil”.

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Ele mesmo acabou contaminado pelo coronavírus, que transmitiu à mulher. “Fiquei em casa por 13 dias, cansado, com tosse, falta de ar, diarreia e dores. No processo acabei também infectando minha esposa. Felizmente, nós nos recuperamos bem e ficamos curados, mas sei que poderia ter sido exatamente o oposto. Vi com meus próprios olhos colegas morrendo pela doença, e isso é muito triste”. O médico, que viaja com frequência ao Brasil, onde dá aulas em diversas regiões e participa de trabalho voluntário no Amazonas e na Comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro, se preocupa com a vulnerabilidade da população brasileira e os recursos limitados do SUS. Por isso, insiste que a prevenção é a melhor estratégia e deve ser adotada com muita seriedade por todos.

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“Por favor, lavem as mãos, usem máscara e pratiquem o distanciamento social. O vírus é muito contagioso, e lembrem-se que pessoas sem nenhum sintoma podem passar o vírus para uma pessoa próxima que poderá vir a morrer da doença. A prevenção salva vidas e evita o alastramento rápido do vírus, ajudando a evitar o colapso do sistema de saúde”, diz. “Adoraria dizer que existe uma cura milagrosa e uma vacina efetiva contra o Covid, mas infelizmente ainda não estamos lá”, acrescenta. “Elas provavelmente levarão meses a anos para serem desenvolvidas, e precisamos ter paciência”.

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“Respeito as perdas econômicas que o distanciamento social está causando, e também entendo que muitas pessoas podem morrer de fome se não trabalharem para ganhar o seu pão. A vida é muito preciosa, acredito que devemos tentar salvar o maior número delas, evitando tanto mortes pela doença como também ajudando economicamente setores vulneráveis da população”, ressalta o médico, especialista em Clínica Médica, Geriatria e Cuidados Paliativo. Segundo o Dr. Kawai, a união deverá ser a chave para a melhor saída. “A solução para um problema complexo vai envolver a colaboração de médicos, profissionais de saúde, cientistas, governo, a imprensa e a sociedade como um todo. Vai ser um processo longo e difícil, mas escutando uns aos outros e colaborando uns com os outros, vamos chegar lá”, acredita. // G1.

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