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Ministra de Taiwan alerta sobre o ‘cavalo de Troia’ 5G da China

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A inclusão de equipamentos chineses na infraestrutura básica de telecomunicações de um país é como convidar um cavalo de Tróia, um tipo de malware, para a rede, afirmou a ministra digital de Taiwan, Audrey Tang, em entrevista ao jornal Kikkei Asian Review.

Ela relata que o povo de Taiwan, uma ilha governada democraticamente que a China vê como parte de seu território, presenciou os riscos de usar equipamentos fabricados por empresas como Huawei e ZTE há seis anos, quando as gigantes da tecnologia ainda eram pouco conhecidas fora da China, diz a reportagem. “Enquanto o mundo discute a inclusão ou não de empresas ligadas à China na infraestrutura do 5G, já o fizemos na era 4G”, afirma.

O governo de Pequim, em 2014, enfrentou as maiores manifestações em Taiwan em décadas, quando ativistas ocuparam a legislatura do país por quase um mês. O ex-presidente Ma Ying-jeou estabeleceu, então, um sistema de transmissão ao vivo para manifestantes que exigiam que o governo retirasse o projeto de lei sobre acordo de comércios de serviços com a China.

A reportagem informa que, justamente nesse período, Taiwan começou a implantar sua rede 4G. Tang lembra que a Comissão Nacional de Comunicação e o Conselho de Segurança Nacional atenderam às exigências dos ativistas de não permitir o equipamento das empresas chineses dentro da rede. À época, apoiada pelo estado de Taiwan, a Chunghwa Telecom lançou serviços na rede 5G da ilha em 30 de junho, usando a tecnologia Ericsson. Como resposta, Taipei excluiu a Huwaei de seu sistema de internet, segundo a reportagem.

Na semana passada, o Reino Unido inverteu sua política com a decisão de eliminar gradualmente os equipamentos da empresa Huawei da rede 5G do país antes de 20217, numa ação que segue os EUA – que aplicaram sanções adicionais à gigante tecnológica chinesa.

A Alemanha, outro grande mercado, também está debatendo a questão. A Deutsche Telekom, uma das principais operadoras do mercado europeu, disse ao jornal que implementa uma estratégia de vários fornecedores – e que inclui 25% da tecnologia comprada de fornecedores europeus e chineses, informa a reportagem.

A reportagem, feita por Cheng Ting-Fang, Lauly Li e Kensaku Ihara, relembra que as relações de Taiwan com a China deterioraram-se desde que o presidente Ing-wen, cético de Pequim, foi eleito em 2016 pela primeira vez, tornando a ilha alvo de frequentes ataques cibernéticos.

O governo diz que Taiwan é atingido, em média, 30 milhões de vezes por mês. O jornal aponta que como os laços entre EUA e Taiwan se aqueceram, Washington e Taipei realizaram os primeiros exercícios cibernéticos ofensivos e defensivos em 2019. A dupla quer compartilhar, ainda, conhecimento e realização de workshops sobre o combate à desinformação.

Os jornalistas destacam que, embora Taiwan não seja formalizada como integrante dos ‘Cinco Olhos’ – a aliança de inteligência entre Austrália, Canadá, Nova Zelândia, Reino Unido e EUA – a ilha, contudo, pode compartilhar informações de segurança com outros países.

A reportagem afirma que a empresa Huwaei rejeita as acusações feitas por Tang. A ZTE, por sua vez, não se pronunciou.

“A Huwaei Technologies não é uma empresa estatal, mas puramente privada, totalmente de propriedade de seus funcionários. A empresa não depende do Partido Comunista Chinês nem do aparato de segurança chinês. Não há evidências factuais para (alegações em contrário) e as rejeitamos fortemente”, afirma Huwaei em nota.


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