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Venda do TikTok nos EUA é classificado como roubo pela China, segundo jornal estatal

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Em meio a todo o caos do banimento do TikTok nos EUA e as negociações para venda da rede social por lá à Microsoft, uma parte que até o momento estava bastante silenciosa era a China. Agora um editorial lançado no fim da última segunda (3) pelo China Daily revela que o governo local não está nada contente com os planos de Donald Trump de forçar o desligamento do aplicativo da empresa chinesa ByteDance, chegando a classificar como “roubo” a ação federal americana.

“A China de jeito algum irá aceitar o ‘roubo’ de uma empresa de tecnologia chinesa e possui diversas formas de resposta caso a administração dê cabo de sua ação de esmagamento e agarramento” escreve o editorial, que também define como bullying a atuação do governo Trump para excluir a ByteDance da equação. O processo todo é considerado pelo governo chinês uma tentativa de criar uma “nova fonte de riqueza” para os EUA e reforçar uma visão de soma zero de “americanos primeiro”, o que leva o editorial a declarar que o país não tem escolha a não ser “se submeter ou travar um combate mortal na área da tecnologia.

O editorial ainda comenta que a venda à Microsoft é vista pela ByteDance como “preferível”, dado que a empresa estaria “trabalhando ‘pelo melhor resultado’” e também procurando investidores norte-americanos para viabilizar o acordo.

Não bastando a publicação, Hu Xijin, editor do também estatal Global Times, também comentou no fim da noite de ontem em seu perfil no Twitter que a ação é “um assalto à mão armada” e que Trump “está transformando a antes grandiosa América em um país rebelde”.

A situação promete ficar ainda mais quente do que já está nas próximas semanas, conforme o governo americano estabeleceu o dia 15 de setembro como data final para a venda da operação do TikTok no país a uma empresa local, a mesma que a Microsoft estabeleceu como limite para fechamento do acordo. Com menos de 45 dias para a realização do negócio, Trump declarou na segunda que a identidade do comprador norte-americano final em si não importa, mas disse em conversa com Satya Nadella que o Tesouro dos EUA deverá receber uma “porção substancial” do dinheiro envolvido na transação, uma medida que especialistas legais classificam como “não ortodoxa” e até mesmo similar a um comportamento de máfia.

É mais um capítulo na tensão geopolítica entre os dois países, que no ano passado já se viram em situação parecida com o embargo da Huawei nos EUA. O problema aqui é a natureza do conflito: se com a marca de celular a administração federal estadunidense podia argumentar sobre possíveis roubos de propriedades intelectuais e crimes do tipo, a justificativa para o banimento do TikTok ainda não está clara para além de declarações vazias do secretário de estado Mike Pompeo, que comentou há alguns dias que o aplicativo “está enviando dados diretamente ao Partido Comunista Chinês”.


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