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165 países se unem para garantir vacina Covax contra coronavírus às nações mais pobres

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Em meio à disputa pela vacina, pelo menos 165 países manifestaram interesse em fazer parte de uma coalizão que visa garantir o acesso igualitário a uma vacina que funcione. A iniciativa foi batizada de Covax. Dos 165 países pelo menos 75 já se apresentaram como financiador para desenvolver as vacinas com as melhores chances de sucesso informou a OMS.

Essas nações concordaram em compartilhar o possível sucesso de uma ou mais dessas vacinas com 90 outros países com menos possibilidades econômicas ou sistemas de saúde mais fracos. No total, 60% da população mundial teriam acesso à vacinação.

Para Seth Berkley, diretor executivo da Fundação Gavi, que co-dirige a iniciativa com a Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (Cepi) e a OMS, a Covax pode ser a única solução verdadeiramente global.

Argentina, Brasil e México estão entre os países latino-americanos que se manifestaram a favor da aliança Covax.

No entanto grandes economias como Estados Unidos, China, União Europeia e Rússia indicaram que não farão parte da coalizão por enquanto.

Isso levanta preocupações de que a atual pandemia se agrave, como aconteceu em 2009 com a crise do H1N1. Na ocasião, alguns países tentaram imunizar toda a sua população em vez de respeitar a orientação internacional de vacinar os mais vulneráveis de todos os países.

Projetos de vacinas que afirmam estar na avançada fase 3, como da Rússia, China ou da Universidade de Oxford-AstraZeneca, ainda não provaram sua eficácia em grupos de massa.

Mesmo assim, vários países já concordaram em produzi-los em larga escala, como a associação Argentina-México para produzir e distribuir a vacina Oxford-AstraZeneca na América Latina.

Diante desse problema, a OMS afirma que todos os países da Covax “compartilharão os riscos associados ao desenvolvimento de vacinas” por meio da criação de um fundo global de financiamento.

Eles vão investir na fabricação antecipada de vacinas candidatas de seu portfólio “assim que seu sucesso for demonstrado”. E vão somar as aquisições dessas vacinas “para atingir volumes suficientes” no próximo ano com 2 bilhões de doses que tenham sido aprovadas pela OMS.

O mecanismo busca distribuir as doses de forma proporcional às populações de cada país, “priorizando inicialmente os profissionais de saúde e depois ampliando para cobrir 20% da população”.

Uma rodada subsequente de doses seria estabelecida “com base nas necessidades do país, vulnerabilidade e ameaça da covid-19”, além de formar uma “reserva humanitária”.

A Covax é parte do Access to COVID-19 Tools (ACT) Accelerator, mecanismo que a OMS criou em resposta à pandemia.

Soumya Swaminathan, cientista-chefe da OMS, diz que, para realmente funcionar, é necessário que “todos os países apoiem” a iniciativa.

Em julho, iniciou-se um processo de consulta aos 165 países que manifestaram inicialmente a intenção de participar e que devem apresentar um adiantamento e um compromisso de compra das doses até o final de agosto, o que os torna participantes da Covax.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse em 13 de agosto que “a Covax já tem nove vacinas candidatas em seu portfólio, que estão em testes de fase 2 ou 3”.

O Fundo Monetário Internacional (FMI), diz Tedros, estima que a pandemia custe ao mundo US$ 375 bilhões e que em dois anos ultrapassará US$ 12 trilhões, se não for contida.


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