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Pelosi pede investigação sobre denúncia de histerectomia nas mulheres imigrantes, nos EUA

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A presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, a democrata Nancy Pelosi, pediu nesta terça-feira, 15, a abertura de uma investigação sobre a denúncia de que um alto número de histerectomias (remoção do útero) foi registrado em uma prisão privada para imigrantes, algo que uma presidiária descreveu como “uma experiência de um campo de concentração”. 

“Se isso for verdade, as terríveis condições descritas pela queixa da denunciante, incluindo alegações de que mulheres migrantes vulneráveis foram submetidas a histerectomias em massa, constituem um abuso avassalador dos direitos humanos”, afirmou Pelosi, ressaltando que o inspetor-geral do Departamento de Segurança Interna (DHS) “deve investigar imediatamente” o caso.

A denúncia sobre extrações de úteros surgiu depois que a enfermeira Dawn Wooten expôs informações sobre as práticas sanitárias no Centro de Detenção do Condado de Irwin, no Estado da Geórgia.  Wooten observou sua preocupação com o alto índice de mulheres submetidas à histerectomia, afirmando que embora o procedimento às vezes seja indicado, “não é comum que os úteros de todas essas mulheres estivessem ruins”.

A enfermeira comentou que ela e seus colegas estavam particularmente impressionados com a prática de um ginecologista particular que atendia fora do centro, para onde eram encaminhadas as detidas.  Uma detenta entrevistada pela organização Project South disse que quando soube que todas essas mulheres haviam se submetido a uma cirurgia, sua conclusão foi de que se tratou de algo similar a “um experimento em um campo de concentração”. “Era como se eles estivessem fazendo experiências com nossos corpos”, observou.

Pelosi considerou a queixa “profundamente perturbadora” e disse que a remetia aos tempos “sombrios” como a exploração de Henrietta Lacks, uma mulher negra cujas células eram usadas para pesquisas; e ao horror das experiências em Tuskegee (Alabama) com a sífilis ao longo de várias décadas no século 20.  “O Congresso e o povo americano precisam saber o por quê e em quais circunstâncias tantas mulheres, supostamente sem seu consentimento, foram empurradas para esse procedimento extremamente invasivo”, concluiu Pelosi.

Descaso com coronavírus

A denúncia da enfermeria Dan Wooten foi além e destacou também o descaso das autoridades no centro de detenção com os riscos de propagação do coronavírus. Segundo ela, na instituição, as precauções de segurança contra o vírus são rotineiramente ignoradas, e os detidos não recebem remédios ou são sequer submetidos a exames. A enfermeira registrou uma queixa federal na segunda-feira 14.  Wooten, que trabalhou em tempo integral no Centro de Detenção até julho, descreveu suas alegações em uma queixa apresentada ao Escritório do Inspetor-Geral do Departamento de Segurança Interna por uma coalizão de grupos de defesa.

“As revelações da sra. Wooten confirmam o que os imigrantes detidos vêm relatando há anos: grave desrespeito aos padrões de saúde e segurança, falta de atendimento médico e condições de vida insalubres em Irwin”, disse Priyanka Bhatt, advogada do Project South. O Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE, na sigla em inglês) não retornou aos pedidos de comentários do Washington Post sobre as alegações. À agência Associated Press, o ICE lançou dúvidas sobre o uso de depoimentos anônimos de detidos e ex-detentos para apoiar as alegações de Wooten.  “Em geral, alegações anônimas e não comprovadas, feitas sem nenhum fato específico verificável, devem ser tratadas com o ceticismo apropriado que merecem”, disse a agência em um comunicado à Associated Press.

LaSalle Corrections, a empresa com sede em Louisiana que dirige a Irwin, também não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. A empresa enfrentou reclamações semelhantes sobre a segurança sanitária relacionada ao coronavírus em outra instalação que administra na Louisiana em julho.  Segundo Wooten, houve um desrespeito generalizado pela proteção de funcionários e presidiários nas instalações da Geórgia. A enfermeira trabalhou em Irwin por três anos ao longo de períodos separados e disse ao Intercept que foi rebaixada em julho para uma posição de plantão com poucas horas como retaliação por exigir uma adesão mais rígida às regras médicas. “Eles ainda não estão levando isso a sério”, disse Wooten ao Intercept. /AFP e W. POST


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