Léa CamposNotícias

Léa Campos: Vencendo Barreiras

0

Aos poucos vamos conquistando mais espaços. Me sinto orgulhosa pelas brasileiras que estão levando a bandeira da arbitragem feminina ao mundo e impondo respeito. Soprar um apito ou segurar uma bandeirinha é um trabalho de muita responsabilidade, mas quando esse trabalho é feito por mulheres os “machos” duvidam que possamos fazê-lo. Quando iniciei na carreira da arbitragem, foi mais difícil, pois era única e precisava provar a toda hora que eu era capaz.

Não contava com o apoio da entidade brasileira, ao contrário do que ocorre hoje, ao ver a CBF apoiar e incentivar as meninas. Tive uma carreira curta, como já relatei várias vezes, talvez se não houvesse sofrido o acidente, eu teria ido mais longe, mas meu destino não era me fazer grande e sim ajudar outra mulheres a serem grandes. Hoje vejo com muito orgulho o trabalho de Edina Batista e Neuza Back. Gostaria de ter o megafone mais potente e tecnológico do mundo para gritar a todos: essas meninas são frutos da árvore que plantei. Não é receber o troféu da vitória e sim ajudar que outras o façam. Estou emocionada com tudo o que está ocorrendo com minhas seguidora, mas quero viver para ver uma delas dirigindo no Mundial no próximo ano. Seria meu maior triunfo ver Edina e Neuza, nos representado no Mundial de Futebol.

Elas já mostraram do que são capazes, que têm pulso e condições de apitar ou auxiliar em qualquer jogo. Se para ver Edina apitando uma final de Mundial teremos que deixar o Brasil fora da conquista do título, vou torcer por elas. Minha felicidade é dupla, pois aqui nos EEUU, tivemos a oportunidade de assistir ontem 7 de fevereiro, uma mulher pela primeira vez dirigindo uma final da Super Bowl, no torneio de futebol americano. Assim como Edina faz história deixando o nome do Brasil no topo do cenário do futebol “soccer”, Sarah Thomas faz história nos Estados Unidos, um país que embora não pareça é mais machista do que muitos países latinos incluindo o Brasil. Quando nos propomos algo, as barreiras se tornam frágeis, quanto mais difícil mais valor tem a vitória. Sou pioneira sim, mas criei uma escola onde estão fazendo o certo, lutando por nossos direitos de igualdade profissional. Jamais em toda minha luta pretendi ser superior ao homem, lutei lado a lado pelo mesmo direito deles, se eles podem apitar futebol eu também posso, afinal fui submetida aos mesmos testes em igualdade de condições. Lutei e venci e hoje colho os frutos de minha teimosa insistência. Tive a honra de conhecer a Sarah em 2017 se não me falha a memória, e hoje a vejo realizando o sonho dela. Me lembro de ter dito a ela a mesma frase que sempre digo: NÃO JOGUE A TOALHA ANTES DE SUBIR NO RING ( DO NOT TROWN THE TOWEL BEFORE RISING THE RING). Este é meu conselho para as pessoas que querem triunfar. Que outra mulheres sigam esses exemplos.


Corona Vírus: Educação do futuro. Como será?, by Alessandro Lima

Previous article

Seeking Justice in America, Dismantling a Crime Empire & Painting Heaven

Next article

You may also like

Comments

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

More in Léa Campos