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Maiores médias de mortes por Covid-19 no mundo são do Brasil e Índia

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Em meio ao avanço da terceira onda da pandemia, o Brasil ultrapassou a Índia e voltou à liderança do número de mortes diárias por covid-19 registradas, em média. São mais de 2.000 óbitos registrados por dia. É a terceira vez que o Brasil ocupa o topo desse ranking durante a pandemia. Nas duas primeiras, isso durou quase dois meses: do início de junho ao fim de julho de 2020 e do início de março ao fim de abril de 2021.

Segundo Domingos Alves, cientista de dados e professor da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão Preto, os cenários de ambos os países apresentam similaridades.

No caso do Brasil, é possível ver o aumento de novos diagnósticos e mortes por covid-19 depois de feriados, comenta o estudioso. “Você vê uma correlação bem forte dos aumentos de casos no Brasil com os últimos feriados, a 3ª onda aqui está muito relacionada a isso”, diz.

Para o especialista, é incorreto falar em queda de mortes e em estabilização da média, já que os momentos de estabilidade e de descida da curva não se sustentam ao longo do tempo. “A média está em alta. Esse conceito de estabilidade não existe em nenhum lugar do mundo. O número está crescendo, aí começa a descer, isso é uma flutuação”, afirma.

“Segundo a Organização Mundial da Saúde, você vai observar um controle quando os indicadores de interesse epidemiológico, que são o número de novos casos, óbitos e internações a cada dia começam a cair de maneira sustentada. O número tem que cair em torno de 50% do praticado anteriormente e ficar em queda por 3 semanas”, acrescenta.

Para o especialista, o Brasil e Índia também são semelhantes na atuação governamental frente à pandemia, que priorizou a retomada da economia. “A epidemia brasileira, vou extrapolar isso para a Índia também, está intimamente ligada com as medidas que são tomadas, não para conter a disseminação do vírus, mas frente a uma análise econômica da situação. Não existe uma análise de saúde pública na pandemia. A maioria dos estados brasileiros fez uma política de ampliação de leitos, não de contenção do vírus”, analisa.

Em junho, a Índia começou a registrar queda no número de casos, e algumas cidades decidiram flexibilizar as medidas de restrição.

Ambos os países também foram afetados por mutações do novo coronavírus. Na Índia, entretanto, prevaleceu a variante Delta, conhecida como variante indiana, já que foi relatada pela 1ª vez no país.

As evidências científicas até o momento indicam que essa variante pode ser a mais infecciosa. Médicos na Índia observaram aumento de deficiência auditiva, distúrbios gástricos sérios, fungo negro e coágulos em pacientes infectados com a cepa Delta.

“A epidemia na Índia está muito associada a essa cepa, já aqui no Brasil está associada não só à cepa de Manaus, mas ao fato de que, principalmente a partir do fim de março e começo de abril, nós viramos um laboratório de novas mutações do coronavírus, e até agora não temos um controle efetivo do aparecimento dessas novas cepas”, afirma Alves.


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