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Brasileira morta na fronteira entre México e EUA teve velório mais de dois meses após o falecimento

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Depois de mais de dois meses, foi realizado o velório de Lenilda Oliveira dos Santos, brasileira morta na travessia entre EUA e México, em Vale do Paraíso (RO), na segunda. O traslado do corpo foi custeado com dinheiro arrecadado em vaquinhas online, e mobilizações de amigos e parentes.

O corpo de Lenilda, que era técnica de enfermagem, foi encontrado no dia 15 de setembro, numa área desértica ao Sul de Deming, uma cidade do Novo México, nos Estados Unidos, uma semana após o último contato que ela fizera com familiares. Antes, a mulher havia ligado a seus parentes que vivem em Massachusetts, avisando que havia sido deixada para trás pelo grupo que fazia a travessia junto com ela, e, sem água e comida, estava com medo de morrer. Lenilda teria sido abandonada pelos parceiros do trajeto ao passar mal devido ao calor do deserto.

Por causa do alto custo e da burocracia, a liberação do corpo demorou meses. Somente em outubro o órgão equivalente ao Instituto Médico Legal (IML) no estado de Ohio assinou o atestado de óbito, como causa pendente, as suspeitas são de fome e sede e a expectativa da família, que realizou um velório simbólico nos EUA, era de que o seu enterro, em Vale do Paraíso, fosse realizado no dia 20 de outubro, quando ela completaria 50 anos.

Mas, como o inquérito da Polícia do Novo México ainda estava aberto, uma questão burocrática impedia que o consulado brasileiro autorizasse o transporte do corpo. Os entraves só foram superados na semana passada, e, nesta segunda, o velório foi realizado.

Para custear o transporte, amigos e familiares lançaram campanhas de arrecadação na internet. Uma das vaquinhas, feita por uma das filhas de Lenilda, arrecadou pouco mais de R$ 17 mil até o momento. Em outra, promovida por Vilanova nos EUA, foram doados US$ 8,6 mil. Os custos para a repatriação do corpo foram estimados em cerca de US$ 12 mil, aproximadamente R$ 63 mil na cotação atual. O corpo foi inicialmente levado para São Paulo, para então ser transportado até Rondônia.

Para o velório, a família e amigos colocaram um cartaz, acima do caixão, em homenagem ao seu ofício como enfermeira: “Sonhos determinam o que você quer ser. Eu escolhi ser enfermeira para servir de instrumento nas mãos de Deus”, dizia a mensagem.

Os áudios enviados por Lenilda via celular à família em seus últimos momentos antes de morrer, entre os dias 5 e 7 de setembro, dão conta de que ela foi deixada para trás pelo coiote e pelo grupo que a acompanhava, amigos de infância, conterrâneos da pequena cidade de Vale do Paraíso, em Rondônia, que seguiram em frente quando ela passou mal, logo no início da travessia, prometeram voltar para buscá-la e nunca o fizeram, deixando-a à própria sorte.

Ela seria encontrada apenas dias depois, com o corpo já em estágio de mumificação, com as mãos ao rosto, numa cena que o chefe de polícia do condado de Luna, que a encontrou, definiu como “uma das mais tristes que já viu em vida”.

Por isso, e também pela grande repercussão que teve o caso, acredita-se que os investigadores locais estejam cautelosos quanto à conclusão do que aconteceu no dia da morte: se Lenilda chegou a ser atacada de alguma forma, envenenada ou se de fato sucumbiu à sede e ao calor do deserto.


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