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Ação do ICE em St. Paul gera revolta: Família nega presença de criminosos sexuais citados pelo DHS

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Uma operação controversa realizada por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) no último domingo, no East Side de St. Paul, desencadeou uma disputa pública entre o Departamento de Segurança Interna (DHS) e a família de um cidadão americano naturalizado.

ChongLy “Saly” Scott Thao, de 57 anos, foi detido e retirado de sua residência vestindo apenas roupas íntimas (boxers), um cobertor e um par de Crocs, enfrentando as temperaturas gélidas do inverno de Minnesota. A ação ocorreu perto do cruzamento da Case Avenue East com a Greenbrier Street.

A justificativa oficial do governo americano é de que a residência abrigava dois criminosos sexuais condenados, originários do Laos, que eram os alvos da operação. No entanto, segundo apurado pelo Brazilian Press, a família contesta veementemente essa versão, garantindo que Thao, seu filho, sua nora e seu neto são os únicos moradores da casa e que desconhecem os homens procurados pelos agentes.

Momentos de terror Relatos divulgados pela família descrevem uma cena de caos e uso excessivo de força. O neto de Thao, de apenas 5 anos, dormia no sofá e acordou chorando de medo quando os agentes invadiram o local.

“O ICE foi ao apartamento do meu cunhado Saly, arrombou a porta, destruiu o local, algemou-o e apontou uma arma para a cabeça da nora dele”, escreveu Louansee Moua, cunhada da vítima, em um comunicado divulgado pelo grupo Hmong American Experience. “Eles não permitiram que ele vestisse roupas adequadas e o forçaram a sair no tempo congelante.”

Versões conflitantes O DHS alega que Thao “se recusou a fornecer impressões digitais ou ser identificado facialmente” e que ele “correspondia à descrição dos alvos”. A Secretária Assistente Tricia McLaughlin defendeu a ação nas redes sociais, afirmando que é “protocolo padrão deter todos os indivíduos em uma casa alvo de operação para a segurança do público e da aplicação da lei”.

A defesa da família, contudo, aponta irregularidades graves. Eles argumentam que os agentes não apresentaram mandado nem solicitaram identificação antes de agir com violência.

“Acreditamos que eles procuravam alguém que morou lá anteriormente, mas, em vez de pedir identificação, escolheram a violência, a intimidação e a humilhação”, desabafou Moua.

Após ser levado, Thao foi mantido sob custódia em um veículo por quase uma hora, interrogado e teve suas impressões digitais colhidas. “Só depois de tudo isso perceberam que ele não tinha antecedentes criminais e nenhum motivo para ser detido. Então, o deixaram de volta em seu apartamento como se nada tivesse acontecido”, completou a cunhada.

Repercussão Política e Legal O caso gerou indignação na liderança local. A prefeita de St. Paul, Kaohly Her, que conhece a família pessoalmente, declarou ao Minnesota Star Tribune estar “furiosa” com o incidente e com as tentativas de justificativa do DHS.

“É devastador assistir a isso. E não estou indignada porque são pessoas próximas a mim. Isso está acontecendo em toda a nossa cidade, em todo o nosso estado”, disse a prefeita. “O governo federal, o ICE, não está fazendo o que diz fazer. Eles não estão indo atrás de criminosos endurecidos. Estão indo atrás de qualquer um em seu caminho. Isso é inaceitável. Isso é não-americano.”

A família de Thao já arrecadou mais de US$ 62.000 através de uma campanha no GoFundMe para custear despesas legais e buscar “justiça e cura”. Queixas formais já foram apresentadas à União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) de Minnesota e ao escritório do Procurador-Geral do estado, Keith Ellison. Até o fechamento desta matéria, o DHS não forneceu detalhes adicionais sobre os homens que os agentes supostamente procuravam na residência errada.


VÍDEO: ICE invade casa, prende e humilha idoso imigrante, vestindo bermuda e “crocs”. Comunidade se revoltou

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