A ex-militar americana Hannah Silveira tomou a decisão de deixar os Estados Unidos, país onde nasceu e serviu ao Exército, para viver no Brasil. A mudança drástica, descrita por ela como uma escolha feita com o “coração partido”, é consequência direta da detenção de seu marido, o brasileiro Matheus Silveira, que está sob custódia do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos EUA) há dois meses.
O drama do casal, que oficializou a união em 2024 e está junto desde 2022, expõe as rígidas políticas imigratórias americanas. Hannah, que atuou por dois anos como paramédica militar e cursava Direito na Califórnia, viu sua vida virar de cabeça para baixo em 24 de novembro de 2025. Naquele dia, o que deveria ser a etapa final para a regularização de Matheus transformou-se em um pesadelo.

O brasileiro foi detido durante a entrevista para a obtenção do green card em um escritório de imigração em San Diego. Segundo apurado pelo Brazilian Press, agentes do ICE adentraram o local e efetuaram a prisão no momento da entrevista, justificando a ação com base na permanência irregular de Matheus após o vencimento de seu visto de estudante.
Classificação contestada e condições precárias
A situação de Matheus na prisão tem gerado revolta na família. Em nota enviada à revista Newsweek, o Departamento de Segurança Interna classificou o brasileiro como um “estrangeiro ilegal criminoso”. A família, no entanto, contesta veementemente essa versão, assegurando que ele não possui qualquer antecedente criminal.

Além do embate legal, as condições humanitárias preocupam. Hannah relatou que o marido perdeu peso consideravelmente, recebendo alimentação que “não é suficiente para um homem adulto”. Ela também denunciou a superlotação carcerária: Matheus divide uma cela projetada para 16 pessoas que, em momentos de pico, obrigou detentos a dormirem no chão.
Sacrifício profissional e pessoal
Diante do impasse e sentindo-se insegura em seu próprio país, Hannah optou pelo autoexílio. A decisão implica o abandono de sua promissora carreira jurídica nos EUA, uma vez que sua formação acadêmica não possui validade automática no Brasil. “É de partir o coração saber que dei tanto pelo meu país e eles não têm problema nenhum em me tirar o meu marido e me forçar a escolher entre o meu país e o meu marido”, desabafou a veterana em entrevista ao “Bom Dia Rio”, da TV Globo.
Para encerrar o período de detenção, Matheus assinou na semana passada um termo de autodeportação. O acordo prevê que ele ficará banido de entrar nos Estados Unidos por dez anos. Luciana de Paula, mãe de Matheus, expressou a angústia da espera: “Dois meses ele nessa situação é muito tempo, é muito tempo pra mim, é muito tempo pra ele, é muito tempo pra todos nós”. O processo de saída deve ser concluído nas próximas semanas, quando o casal tentará recomeçar a vida em solo brasileiro.















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