O que deveria ser o encerramento feliz de um intercâmbio cultural de três semanas transformou-se em um pesadelo logístico e físico para um grupo de 15 estudantes brasileiros. Com idades entre 14 e 18 anos, os jovens de Lençóis Paulista, no interior de São Paulo, estão retidos há cerca de 72 horas no Aeroporto Internacional de Dallas–Fort Worth (DFW), no Texas, vítimas do caos aéreo provocado por uma severa tempestade de inverno que atinge os Estados Unidos.
Desde o último sábado (24), o grupo, acompanhado por uma professora, tenta embarcar de volta para o Brasil. No entanto, após cinco cancelamentos consecutivos de voos pela American Airlines, os adolescentes se viram obrigados a improvisar acampamento nos assentos do terminal, sem acesso a banho ou alimentação nutricionalmente adequada.
A situação de vulnerabilidade dos menores chamou a atenção pela falta de suporte da companhia aérea. Segundo apurado pelo Blog do Marcelo, a agência de intercâmbio Volpe & Lima relatou que o grupo permaneceu confinado na área do portão A21, dormindo em cadeiras e recebendo apenas um voucher de US$ 12 (cerca de R$ 60) para alimentação — valor insuficiente para refeições completas nos preços praticados em aeroportos internacionais.
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Giselle Sartori Milagres, a professora responsável pelos alunos, desabafou sobre a sensação de abandono. “A gente tinha que ter voltado no sábado, mas parece que não somos uma prioridade para a American Airlines. Já saíram vários voos para o Brasil, estamos no nosso quinto cancelamento, sem poder tomar banho”, relatou a educadora, destacando o desgaste físico dos jovens.
Um dos estudantes descreveu o impacto emocional da espera indefinida: “Estamos há três dias sem uma higiene adequada, sujos e nos alimentando de fast food. A gente fica muito exausto, a nossa mente fica exausta”.
Famílias denunciam descaso
No Brasil, o clima é de apreensão e revolta entre os familiares, que cobram uma intervenção urgente do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty). Lais Cardoso, mãe de uma adolescente de 15 anos, criticou a postura dos funcionários da companhia aérea e o não cumprimento de promessas de alocação em hotéis.
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“Prometeram depois de 24 horas alocá-los em um hotel em Miami e não cumpriram. Os atendentes foram sem educação com a professora. Entendemos as questões climáticas, a questão é o descaso com os jovens”, afirmou Lais.
Previsão de retorno e posicionamento
Após a longa espera, houve uma nova reacomodação. O grupo deve embarcar nesta quarta-feira (28), às 5h, com destino a Miami. Contudo, a saga ainda não terá fim: os estudantes passarão uma noite na cidade da Flórida antes de pegar o voo final para o Brasil na quinta-feira (29), com chegada prevista em Guarulhos apenas na manhã de sexta-feira (30). A companhia aérea informou que não fornecerá hospedagem durante a conexão em Miami.
Em nota, a American Airlines sustentou que, em casos de cancelamentos por condições climáticas (fatores fora do controle da empresa), os passageiros são responsáveis pelas despesas de hospedagem e alimentação, embora a reacomodação no voo seja gratuita. A empresa afirmou que seus agentes podem apenas “auxiliar na busca” por hotéis e que o reembolso é uma opção para quem desistir de viajar. Até o fechamento desta matéria, o Itamaraty não havia respondido aos pedidos de assistência solicitados pelas famílias e pela reportagem.















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