Uma operação da Agência de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) realizada no último domingo (15) em Union City, Nova Jersey, transformou um momento de fé em angústia para a comunidade local. Dois homens foram detidos por agentes federais nas imediações da Igreja Cristiana Dios De Amor, pouco antes de entrarem para o culto, reacendendo o debate sobre os limites da fiscalização imigratória em áreas consideradas sensíveis.
O incidente foi registrado em vídeo por uma moradora, Laura Nolasco, que decidiu filmar a cena ao perceber a movimentação atípica. Nas imagens, é possível ver os dois homens sendo levados sob custódia, uma cena que deixou a congregação em estado de choque.
Reportagem mostra momento da prisão:
Embora a ação tenha ocorrido pacificamente, o impacto emocional foi devastador. Mercedes Cruz, esposa do pastor da igreja, relatou em lágrimas que os detidos frequentavam o local há cerca de uma década e lideravam um grupo de estudos bíblicos para adolescentes. “É muito difícil. São bons rapazes”, desabafou.
A repercussão do caso trouxe à tona detalhes sobre os bastidores da operação. Segundo apurado pelo Brazilian Press, o Departamento de Segurança Interna (DHS) negou veementemente que a igreja tenha sido o alvo de uma “batida” ou ataque direto. As autoridades federais sustentam que os agentes realizavam uma vigilância direcionada que começou a mais de um quilômetro do local e que a abordagem final, coincidentemente, ocorreu próximo ao templo.

O DHS identificou um dos detidos como Emilio Ruiz-Esquivel, nacional de El Salvador, que possuía uma ordem final de deportação após não comparecer a uma audiência de imigração. O segundo homem, Oscar Leonel Telong Gonzalez, da Guatemala, teria entrado ilegalmente nos Estados Unidos. Um porta-voz do órgão classificou as críticas à operação como “lixo” que contribui para o aumento da violência contra os oficiais, citando um salto de 1.300% nas agressões a agentes.
A justificativa, contudo, não acalmou os ânimos políticos. O congressista democrata Robert Menendez Jr., representante do distrito, classificou o episódio como “ultrajante”. Menendez lembrou que, historicamente, locais de culto eram tratados como zonas protegidas, fora dos limites para ações de fiscalização imigratória em administrações anteriores. “O fato de isso ter acontecido ontem do lado de fora de uma igreja deveria enfurecer cada americano”, declarou o parlamentar.
Enquanto a comunidade tenta se recuperar do susto, com os carros dos detidos ainda estacionados na igreja, o governo federal reforça a pressão. O porta-voz do DHS reiterou a oferta vigente para imigrantes em situação irregular: “2.600 dólares e um voo gratuito para se autodeportar agora”. Para os fiéis da Igreja Cristiana Dios De Amor, no entanto, restam apenas as orações pelos dois membros que, segundo o filho do pastor, Miguel Flores, deixaram um vazio doloroso na congregação.















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