O longo período de incertezas que cercou o desaparecimento de Letícia Oliveira Alves, de 36 anos, culminou em um desfecho doloroso para sua família em Goiás, marcado por uma sucessão de perdas que atravessou fronteiras. A química, que possuía uma trajetória acadêmica brilhante com passagens pela Universidade Federal de Goiás e pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica, foi encontrada sem vida em uma região de floresta no Canadá, vítima de hipotermia.
No entanto, o peso da tragédia foi amplificado por um detalhe que comove parentes e amigos: o pai da pesquisadora, Jeremias Oliveira, faleceu no ano passado carregando a angústia de não saber o que havia acontecido com a filha.

O drama da família Oliveira começou em 2023, quando Letícia, que estava nos Estados Unidos, teve seu último contato registrado com os parentes enquanto residia em Boston. A partir de então, iniciou-se uma busca desesperada que envolveu autoridades internacionais e a inclusão de seu nome na lista de desaparecidos da Interpol. Durante todo o tempo em que esteve doente antes de falecer, Jeremias manteve a esperança de reencontrar a filha ou, ao menos, obter notícias sobre seu paradeiro, um desejo que não pôde ser realizado em vida. Segundo apurado pelo Jornal Brazilian Press, a confirmação do óbito e a identificação dos restos mortais só ocorreram meses após a partida do patriarca, impedindo que ele tivesse o fechamento emocional de uma busca que consumiu seus últimos dias.

A identificação de Letícia foi possível graças a cruzamentos de dados de DNA coletados anteriormente por órgãos de imigração norte-americanos. Somente em fevereiro de 2026 a família recebeu a notícia oficial das autoridades canadenses sobre a localização do corpo. O translado para o Brasil foi viabilizado recentemente, permitindo que a despedida ocorresse neste domingo, 29 de março, em um cemitério de Goiânia. Além da memória de seu esforço acadêmico e do luto pelo pai, Letícia deixa uma filha de 12 anos, que agora crescerá sob os cuidados da avó, encerrando um ciclo de espera que, embora trágico, trouxe o fim do anonimato sobre sua localização.















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