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Temer diz ter sido ingênuo em escândalo que pode lhe custar o cargo

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O presidente Michel Temer disse ter sido ingênuo ao receber um dos donos da JBS, Joesley Batista, que gravou secretamente uma conversa comprometedora entre os dois, e reiterou que não vai renunciar, porque seria admitir culpa no escândalo que mantém o Brasil em suspense.

Encurralado por uma sequência de pedidos de impeachment e com sua base aliada enfraquecida, Temer, de 76 anos, deu sua primeira entrevista longa depois da divulgação das gravações que provocaram um escândalo que pode acabar com seu mandato.

Perguntado pelo jornal Folha de S. Paulo sobre sua culpa no atual terremoto político, um ano após o impeachment de Dilma Rousseff, Temer disse que “foi ingênuo ao receber uma pessoa naquele momento”.

O escândalo explodiu quando o colunista Lauro Jardim revelou, uma gravação em que Joesley Batista, um dos donos da maior empresa de carnes do mundo, a JBS, aparentemente recebe o aval do presidente para pagar propina em troca do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha, que está preso em Curitiba. A reunião ocorreu em 7 de março passado, por volta das 23h, no Palácio do Jaburu, residência do presidente em Brasília.

Acusado pela Procuradoria Geral da República (PGR) de obstrução da Justiça, corrupção passiva e organização criminosa, muitas vozes pedem sua renúncia. O presidente tenta manter, porém, as alianças de seu partido, o PMDB, e busca impedir que algum desses pedidos prospere. Até agora, apenas partidos pequenos abandonaram Temer, mas o apoio de seu principal parceiro de governo, o PSDB, está por um fio.

A presidente do Supremo, Carmen Lúcia, decidiu na segunda-feira, que a máxima corte tomará sua decisão somente quando a Polícia Federal concluir a perícia do material entregue por Batista, cujo gravador chegou na terça-feira ao Brasil. Joesley se encontra nos Estados Unidos.

No domingo, Temer conseguiu ganhar tempo com o cancelamento da reunião, na qual o PSDB poderia anunciar sua saída do governo. Para aumentar o suspense, o novo presidente tucano, Tasso Jereissati, assegurou que seu partido vai esperar as conclusões da Justiça para se definir.

Além das investigações no STF, Jereissati mencionou que o PSDB também aguarda a retomada do julgamento previsto a partir de 6 de junho no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de uma denúncia que pode levar à anulação da chapa Dilma-Temer, vencedora da eleição presidencial de 2014. Enquanto se discute nos bastidores, a nova crise política também ameaça dificultar a saída do País da pior recessão de sua história. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu cinco processos administrativos contra o grupo de Batista por suspeitas de manipulação de informação privilegiada nos mercados.


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