ColunistasLéa CamposNotícias

Léa Campos: Cadeirante impedido de viajar

1

lea_camposUsando uma cadeira elétrica, o cadeirante, professor Wilton Oliveira foi impedido de viajar para a França dia 21 de setembro por causa de sua cadeira.
Ao fazer o check in no balcão da KLM, companhia associada à Air France, foi impedido de embarcar devido a sua cadeira de rodas.
O argumento é que não foi especificado a necessidade de transporte de uma cadeira de rodas mecânica. Francamente, hoje são poucas as pessoas que usam cadeira de rodas comum. Questão de independência.
Certas burocracias podem ser contornadas, este tipo de rigidez não evita terrorismo.
Mesmo Wilton tendo se oferecido para tirar a bateria da cadeira, os funcionários foram taxativos: não poderá embarcar.
Wilton viajava à França para participar de um evento em Paris e as passagens foram compradas pelos patrocinadores do mesmo, que não especificaram o tipo de cadeira usada pelo cadeirante.
O pior de tudo é a falta total de compreensão dos funcionários da companhia aérea.
A intolerância com os cadeirantes é comum em companhias áreas e em qualquer meio de transporte, além de serem vistos como “aleijados”, quando na realidade são deficientes para caminhar, mas são produtivos, trabalham e aportam muito para o país, ao contrario de muitos que têm o poder nas mãos e não fazem nada.
O professor em questão é pesquisador da Universidade Presbiteriana Mackenzie, logo uma pessoa séria e trabalhadora.
Infelizmente nosso governo até agora não se pronunciou em defesa do consumidor. Aliás, como ele é cadeirante, a presidente não fará nada mesmo, pois para ela todo deficiente é aleijado, como disse num encontro com deficientes.
Temos que lutar sozinhos estamos nadando contra a maré, não temos a quem reclamar nossos direitos, na verdade nem direito temos. A situação na qual vivemos é pior do que em qualquer ditadura e ainda reclamam que foram torturados e humilhados.
Acaso não é tortura e humilhação chegar a um aeroporto e ser impedido de embarcar por usar uma cadeira de rodas mecânica?
O pior é que nem todas as companhias aéreas possuem cadeiras suficientes para atender a demanda, e quando existem são tão apertadas que machucam as coxas do usuário.
Em Confins, por exemplo, o aeroporto não possui cadeiras de rodas para atender aos viajantes, um idoso ou deficiente que necessitar de uma cadeira sendo passageiro da TAM, vai passar por um mau momento, já vi uma passageira ter que subir carregada as escadas de um avião da TAM, porque não havia uma cadeira e nem mesmo um elevador para transportar a pessoa.
Um absurdo, um país que alardeia pertencer ao primeiro mundo não oferecer o mínimo de conforto aos que por necessidade precisam de uma cadeira de rodas para se locomover no aeroporto e nem mesmo sua própria cadeira pode embarcar para facilitar a sua vida por onde vai.
Precisamos de normas mais rígidas para as companhias aéreas oferecerem um atendimento decente aos que pagam tão caro pelo direito de fazer uso da aeronave.
O atendimento interno também deixa a desejar. O atendimento feito pelos funcionários é precário. Tive oportunidade de viajar com uma senhora que chamou a comissária para ajudá-la ir ao banheiro e a mesma disse: “espere um pouquinho, já volto”, resultado: a senhora fez pipi na cadeira, menos mal que não tenha sido outra coisa.
Este é o cenário que no qual vivemos, mas podemos mudar.
2014 não é apenas ano de Copa, é também o ano de mudar os governantes, com seriedade e amor ao país e a nós mesmos, conseguiremos.

Informar é um privilégio, informar corretamente uma obrigação.
Léa Campos
www.cronicasdeleacampos.blogspot.com


Social Press . 10/10/2013

Previous article

Fato Policial by Roger Costa . 10/10/2013

Next article

You may also like

1 Comment

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado.

More in Colunistas