{"id":10379,"date":"2014-10-30T13:25:43","date_gmt":"2014-10-30T17:25:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/?p=10379"},"modified":"2014-10-30T13:25:43","modified_gmt":"2014-10-30T17:25:43","slug":"quem-foi-o-poeta-que-escreveu-os-versos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/2014\/10\/30\/quem-foi-o-poeta-que-escreveu-os-versos\/","title":{"rendered":"Quem foi o poeta que escreveu os versos?"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-medium wp-image-9284\" src=\"http:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/carlos-spinola-300x225.jpg\" alt=\"carlos spinola\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/carlos-spinola-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/carlos-spinola.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>By Carlos Spinola<\/strong><br \/>\n<strong>@Spinola64<\/strong><\/p>\n<p>A mimosa poesia que adiante se vai ler, plenamente cheia do mais dedicado sentimento po\u00e9tico e perturbante ternura, \u00e9 uma das mais encantadoras que existem ainda da \u00e9poca do lirismo e constitui o m\u00e1ximo encanto de uma gera\u00e7\u00e3o inteira. \u00c9, portanto, das que ficam, como tantas outras, sejam quais forem as escolas e o predom\u00ednio do mais r\u00edgido materialismo dos tempos de agora. Por isso desejei registr\u00e1-la nas p\u00e1ginas deste jornal.<!--more--><\/p>\n<p>Ignora-se quem tivesse sido o mavioso autor, poeta do mais fino sentimento.<\/p>\n<p>Tais versos apareceram em nossas ilhas (Cabo Verde) vindos do Brasil, mais provavelmente do Rio de Janeiro, h\u00e1 muitos anos, no tempo em que eram frequentes, as comunica\u00e7\u00f5es com as ilhas de Barlavento por motivo do com\u00e9rcio do sal (segundo o poeta Jos\u00e9 Lopes). Assim tamb\u00e9m se introduziram modinhas brasileiras, poesias, livros, etc., que ficaram para as gera\u00e7\u00f5es na mem\u00f3ria dos nossos cabo-verdianos t\u00e3o amigos dos brasileiros.<\/p>\n<p>Analizando os encantadores versos, logo da segunda quadra se depreende que a mulher amada embarcava para Lisboa, era portuguesa metropolitana, e o apaixonado poeta ficava no Brasil, donde certamente era natural.<\/p>\n<p>Quem seria o eternecido vate? O caso \u00e9 digno de investiga\u00e7\u00e3o. Essa joia liter\u00e1ria bem o merece; tanto o poeta cabo-verdiano Jos\u00e9 Lopes, bem como o famoso \u201cAlmanaque Bertrand\u201d, h\u00e1 muitos anos propunham a mesma coisa. Os versos bem o merecem.<\/p>\n<p>Em Cabo Verde se tornaram t\u00e3o populares, sobretudo nos meios intelectuais da \u00e9poca. \u00c9 possivel que no Brasil, Cabo Verde ou Portugal algum erudito investigador possa descobrir o nome do autor e apresent\u00e1-lo a todos livre do ingrato olvido.<\/p>\n<p>Eis a seguir os versos:<\/p>\n<p>Tu Vais deixar-me!<\/p>\n<p>Tu vais deixar-me sem, talvez, que o pranto<br \/>\nTe inunde as faces de escutar meus ais<br \/>\nE deste afecto, da minh\u2019alma encanto,<br \/>\nQuem sabe, ingrata! Se esquecer-te vais!<br \/>\nTer\u00e1s ao longe, no teu p\u00e1trio Tejo,<br \/>\nVivas saudades deste imenso amor?<br \/>\nFagueira espr\u2019an\u00e7a dum porvir que invejo<br \/>\nVir\u00e1 de longe mitigar-me a dor!<\/p>\n<p>Tu vais deixar-me, eu que tea mo tanto!<br \/>\nOh! Que saudades hei-de ti sofrer!<br \/>\nSe meiga espra\u2019n\u00e7a n\u00e3o estancar meu pranto,<br \/>\nDe m\u00e1goa em breve sei que vou morrer!<\/p>\n<p>Morrer que importa? Que \u00e9 pra mim a vida<br \/>\nLogo que eu perca o teu ardente amor?<br \/>\nH\u00e1-de ir comigo a tua imagem querida<br \/>\nDescer a vala que me abrir a dor!<\/p>\n<p>Oh! n\u00e3o te esque\u00e7as que eu por ti s\u00f3 vivo<br \/>\nE, embora ausente, sempre te amarei!<br \/>\nNo c\u00e9u, na terra, no sepulcro, ou vivo,<br \/>\nEternamente, sempre teu serei!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>By Carlos Spinola @Spinola64 A mimosa poesia que adiante se vai ler, plenamente cheia do mais dedicado sentimento po\u00e9tico e perturbante ternura, \u00e9 uma das mais encantadoras que existem ainda da \u00e9poca do lirismo e constitui o m\u00e1ximo encanto de uma gera\u00e7\u00e3o inteira. \u00c9, portanto, das que ficam, como tantas outras, sejam quais forem as escolas e o predom\u00ednio do mais r\u00edgido materialismo dos tempos de agora. 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