{"id":10743,"date":"2014-11-20T13:23:49","date_gmt":"2014-11-20T17:23:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/?p=10743"},"modified":"2014-11-20T13:23:49","modified_gmt":"2014-11-20T17:23:49","slug":"alunas-da-medicina-da-usp-relatam-estupros-em-festas-de-estudantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/2014\/11\/20\/alunas-da-medicina-da-usp-relatam-estupros-em-festas-de-estudantes\/","title":{"rendered":"Alunas da Medicina da USP relatam estupros em festas de estudantes"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-10739\" src=\"http:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/alunas-usp.jpg\" alt=\"_alunas usp\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/alunas-usp.jpg 500w, https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/alunas-usp-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p>Duas alunas da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (Fmusp) relataram na ter\u00e7a-feira, 11, publicamente casos de estupro sofridos em festas promovidas por alunos da institui\u00e7\u00e3o na capital. Os depoimentos foram feitos em audi\u00eancia p\u00fablica na Assembleia Legislativa de S\u00e3o Paulo (Alesp), que teve como objetivo denunciar casos de viol\u00eancia sexual na Fmusp e a exist\u00eancia de uma \u201ccultura machista\u201d nos trotes praticados contra calouros.<!--more--><\/p>\n<p>Foi a primeira vez que as alunas falaram sobre os epis\u00f3dios em p\u00fablico &#8211; depoimentos sobre os casos j\u00e1 haviam sido feitos anonimamente. Uma estudante do 4.\u00b0 ano, de 24 anos, afirmou que sofreu dois estupros em 2011 em festas organizadas pela Associa\u00e7\u00e3o Atl\u00e9tica Acad\u00eamica Oswaldo Cruz (AAAOC).<\/p>\n<p>A jovem, que preferiu n\u00e3o ser identificada, integra o grupo feminista Geni, que luta pelos direitos das mulheres. Um dos epis\u00f3dios, segundo ela, ocorreu na semana de inser\u00e7\u00e3o de calouros. Ao fim da festa, foi abordada por um rapaz, que disse que a acompanharia na sa\u00edda, por estar embriagada. \u201cFui puxada para uma sala de materiais escura. Ele come\u00e7ou a me agarrar, tentar me beijar e abaixou minha cal\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p>A jovem disse que na \u00e9poca, preferiu n\u00e3o levar o caso adiante e n\u00e3o contou a ningu\u00e9m do ocorrido. \u201cE me senti muito silenciada ao longo desses quase quatro anos que estou na faculdade\u201d, afirmou. Outro epis\u00f3dio ocorreu na festa Carecas no Bosque, tamb\u00e9m em 2011, que foi feita em uma \u00e1rea de propriedade da USP.<\/p>\n<p>A universit\u00e1ria estava na festa com o atual namorado. De madrugada, foi a uma barraca onde eram oferecidas bebidas alco\u00f3licas e adormeceu. Foi quando um funcion\u00e1rio terceirizado da festa entrou na barraca e a estuprou. \u201cEu estava desacordada. Descobri que o funcion\u00e1rio conseguiu entrar na barraca porque ele deu dinheiro para os seguran\u00e7as.\u201d<\/p>\n<p>O epis\u00f3dio foi visto por um amigo, que expulsou o rapaz e contou a ela o que tinha acontecido. Outra estudante, que preferiu n\u00e3o ter o nome identificado, contou que sofreu estupro na festa Cervejada, em 2013, tamb\u00e9m organizada pelos estudantes de Medicina.<\/p>\n<p>Ela disse ter sido abordada por dois alunos, de 4.\u00ba e 5.\u00ba ano, que a chamaram para beber no carro de um deles. Quando a jovem foi at\u00e9 o local, disse ter sido agarrada. \u201cPassaram a m\u00e3o nas minhas partes \u00edntimas. Eu gritei para que parassem e continuaram.\u201d<\/p>\n<p><strong>Sem apura\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A reclama\u00e7\u00e3o das estudantes \u00e9 de que nenhum dos casos foi apurado e, ao fazer qualquer den\u00fancia, h\u00e1 persegui\u00e7\u00e3o dos alunos, que n\u00e3o acreditam nas hist\u00f3rias. De acordo com os estudantes de Medicina ouvidos na audi\u00eancia p\u00fablica, a viol\u00eancia sexual \u00e9 \u201cinternalizada\u201d na cultura da Fmusp logo no primeiro ano.<\/p>\n<p>A aluna Ana Lu\u00edsa Cunha, do Geni, relatou a forma como os trotes s\u00e3o feitos. \u201cEles separam as meninas dos meninos, colocam elas sentadas no ch\u00e3o e formam uma roda em volta, em p\u00e9.\u201d Na sequ\u00eancia, os rapazes &#8211; na maioria, veteranos &#8211; entoam um hino que faz apologia ao estupro. \u201cMuitas delas falam que ficam com muito medo\u201d, disse a estudante.<\/p>\n<p><strong>Inqu\u00e9rito<\/strong><\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual solicitou \u00e0 Fmusp, h\u00e1 dois meses, informa\u00e7\u00f5es sobre casos de trotes violentos e viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos em festas. Um inqu\u00e9rito foi instaurado no fim de agosto, pela promotora Paula Figueiredo Silva, depois de receber den\u00fancia de estudantes.<\/p>\n<p>\u201cQueremos fortalecer os mecanismos de apura\u00e7\u00e3o da repress\u00e3o. A universidade n\u00e3o deve apenas dar o ensino t\u00e9cnico, mas formar o cidad\u00e3o\u201d, disse a promotora na audi\u00eancia p\u00fablica.<\/p>\n<p>A AAAOC informou que ainda est\u00e1 se organizando para comentar as declara\u00e7\u00f5es das estudantes. Ao fim da reuni\u00e3o, a reportagem procurou a Fmusp, mas n\u00e3o conseguiu nenhuma resposta at\u00e9 as 20 horas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Duas alunas da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (Fmusp) relataram na ter\u00e7a-feira, 11, publicamente casos de estupro sofridos em festas promovidas por alunos da institui\u00e7\u00e3o na capital. 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