{"id":13081,"date":"2015-03-26T13:33:56","date_gmt":"2015-03-26T17:33:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/?p=13081"},"modified":"2015-03-26T13:33:56","modified_gmt":"2015-03-26T17:33:56","slug":"cacique-surui-leva-ao-mundo-sua-luta-contra-desmatamento-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/2015\/03\/26\/cacique-surui-leva-ao-mundo-sua-luta-contra-desmatamento-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Cacique Suru\u00ed leva ao mundo sua luta contra desmatamento na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-13082\" src=\"http:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/cacique-almir-surui.jpg\" alt=\"cacique almir surui\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/cacique-almir-surui.jpg 500w, https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/cacique-almir-surui-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p>O emblem\u00e1tico cacique amaz\u00f4nico Almir Narayamoga Suru\u00ed mobilizou o Google, lan\u00e7ou um plano de gest\u00e3o florestal, deu a volta ao mundo. E, apesar disso, a cada dia saem de seu territ\u00f3rio 40 caminh\u00f5es carregados de madeira cortada ilegalmente.<\/p>\n<p>Em seu livro, &#8220;Salvar o planeta&#8221;, uma esp\u00e9cie de testemunho para seus filhos, o l\u00edder ind\u00edgena brasileiro conta como decidiu h\u00e1 25 anos trabalhar para defender seu povo, protegendo a floresta. O primeiro contato do povo suru\u00ed com os brancos remonta a 1969. Tr\u00eas anos depois, a popula\u00e7\u00e3o de 5.000 pessoas caiu para 240, dizimada pelas epidemias.<!--more--><\/p>\n<p>Quando Almir nasceu, em 1974, a tribo viu seu h\u00e1bitat encolher com a chegada de novos povoados, pequenos fazendeiros, especuladores. Seu territ\u00f3rio mudou com a constru\u00e7\u00e3o de rodovias e o aparecimento da agricultura.<\/p>\n<p>O jovem Almir foi o primeiro de sua tribo a estudar. Ele cursou biologia. Chefe de seu cl\u00e3 aos 17 anos e da tribo aos 26, tem uma mente criativa que lhe rendeu o apelido de &#8220;\u00edndio high tech&#8221;.<\/p>\n<p>Suru\u00ed chega, por exemplo, a um acordo com o Google Earth, que permite mapear as parcelas e ver onde acontecem os cortes ilegais. &#8220;Precisamos de tecnologia para nos defender e nos comunicar&#8221;, resume. &#8220;No Brasil, muitas pessoas t\u00eam medo de que os povos ind\u00edgenas consigam sua autonomia&#8221;.<\/p>\n<p>A comunidade, composta hoje por 1.400 pessoas, espera a chegada da internet.<\/p>\n<p>Os suru\u00eds tamb\u00e9m prop\u00f5em um plano de gest\u00e3o dos recursos que prev\u00ea, entre outras coisas, replantar um milh\u00e3o de \u00e1rvores.<\/p>\n<p>Com a ajuda de organiza\u00e7\u00f5es internacionais, eles lan\u00e7aram um regime de compensa\u00e7\u00e3o de carbono: as empresas compram cr\u00e9ditos dos suru\u00eds e eles em troca protegem a floresta.<\/p>\n<p>A etapa seguinte consiste em transmitir esse modelo \u00e0s 180 tribos da Amaz\u00f4nia brasileira. Umas 50 j\u00e1 responderam. &#8220;A ideia consiste em deixar de sermos s\u00f3 v\u00edtimas&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>A tarefa, no entanto, \u00e9 complicada. O desmatamento avan\u00e7a em seu territ\u00f3rio, uma \u00e1rea 20 vezes maior do que a cidade de Paris.<\/p>\n<p>Almir Suru\u00ed critica com firmeza o governo federal. &#8220;As pol\u00edticas p\u00fablicas querem um desenvolvimento a qualquer pre\u00e7o&#8221;, condena.<\/p>\n<p>Um quinto da floresta amaz\u00f4nica, a maior do mundo, desapareceu devido ao avan\u00e7o da pecu\u00e1ria extensiva, do plantio de soja, do consumo de madeira legal, das grandes infraestruturas&#8230;<\/p>\n<p>O que vai acontecer em 50 anos?, pergunta-se Almir, que tamb\u00e9m se preocupa com a seca e a falta do bambu que usava at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s para fazer suas flechas.<\/p>\n<p>&#8220;A destrui\u00e7\u00e3o da floresta \u00e9 responsabilidade do governo&#8221;, afirma, denunciando medidas como a Portaria 303, que limita o uso de terras pelos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>&#8220;As quest\u00f5es ind\u00edgenas e ambientais n\u00e3o s\u00e3o prioridades para o governo. Nossa estrat\u00e9gia consiste em mostrar que nossos territ\u00f3rios s\u00e3o importantes para o Brasil, tamb\u00e9m economicamente. O Brasil poderia ser o l\u00edder em desenvolvimento sustent\u00e1vel&#8221;, diz o l\u00edder ind\u00edgena.<\/p>\n<p>Entre outra de suas ideias est\u00e1, por exemplo, a de criar uma universidade ind\u00edgena &#8220;para que os brancos aprendam a conhecer o patrim\u00f4nio suru\u00ed&#8221; e um centro de estudos da biodiversidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O emblem\u00e1tico cacique amaz\u00f4nico Almir Narayamoga Suru\u00ed mobilizou o Google, lan\u00e7ou um plano de gest\u00e3o florestal, deu a volta ao mundo. E, apesar disso, a cada dia saem de seu territ\u00f3rio 40 caminh\u00f5es carregados de madeira cortada ilegalmente. Em seu livro, &#8220;Salvar o planeta&#8221;, uma esp\u00e9cie de testemunho para seus filhos, o l\u00edder ind\u00edgena brasileiro conta como decidiu h\u00e1 25 anos trabalhar para defender seu povo, protegendo a floresta. O primeiro contato do povo suru\u00ed com os brancos remonta a 1969. Tr\u00eas anos depois, a popula\u00e7\u00e3o de 5.000 pessoas caiu para 240, dizimada pelas epidemias.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":13082,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[7,1],"tags":[],"views":2042,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13081"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13081"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13081\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13083,"href":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13081\/revisions\/13083"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13082"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13081"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13081"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13081"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}