{"id":1653,"date":"2013-07-11T08:33:48","date_gmt":"2013-07-11T12:33:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/?p=1653"},"modified":"2013-07-11T08:33:48","modified_gmt":"2013-07-11T12:33:48","slug":"brasileira-com-paralisia-cerebral-e-primeira-pessoa-com-deficiencia-a-ganhar-bolsa-integral-de-estudo-nos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/2013\/07\/11\/brasileira-com-paralisia-cerebral-e-primeira-pessoa-com-deficiencia-a-ganhar-bolsa-integral-de-estudo-nos-eua\/","title":{"rendered":"Brasileira com paralisia cerebral \u00e9 primeira pessoa com defici\u00eancia a ganhar bolsa integral de estudo nos EUA"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-medium wp-image-1654\" alt=\"foto brasileira nos eua\" src=\"http:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/foto-brasileira-nos-eua-300x228.jpg\" width=\"300\" height=\"228\" srcset=\"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/foto-brasileira-nos-eua-300x228.jpg 300w, https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/foto-brasileira-nos-eua.jpg 450w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>O sentimento de pena \u00e9 o que mais incomoda Nathalia Blagevitch Fernandez. Nascida h\u00e1 22 anos com paralisia cerebral (hemiplegia), Nathalia gosta de ser vista apenas como algu\u00e9m normal que tem limita\u00e7\u00f5es nos movimentos corporais. \u201cA defici\u00eancia \u00e9 um agravante, n\u00e3o um diferencial\u201d, declara. \u201cEu me vejo s\u00f3 como mais um aluno que conseguiu uma bolsa\u201d.<\/p>\n<p>Apesar de n\u00e3o permitir mexer o lado direito do corpo, a doen\u00e7a nunca foi um obst\u00e1culo. Ao contr\u00e1rio, foi um combust\u00edvel para a supera\u00e7\u00e3o. Como estudou a vida toda em escolas n\u00e3o adaptadas, Nathalia ouviu muita gente desencoraj\u00e1-la em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida profissional. \u201cOs professores me diziam tantas bobagens que isso me fortaleceu muito e me fez correr ainda mais atr\u00e1s dos meus objetivos.\u00a0Eles falavam que eu n\u00e3o conseguiria passar no vestibular, n\u00e3o chegaria \u00e0 gradua\u00e7\u00e3o\u201d, lembra.<\/p>\n<p><!--more-->Estavam equivocados. A estudante da Faculdade de Direito Dam\u00e1sio de Jesus, em S\u00e3o Paulo, foi indicada pela Comiss\u00e3o de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da OAB-SP para um curso intensivo de introdu\u00e7\u00e3o ao sistema jur\u00eddico norte-americanona Thomas Jefferson\u00a0School\u00a0of Law, em San Diego, durante julho deste ano. \u201cSer\u00e1 uma oportunidade para me aprofundar na \u00e1rea Internacional e do Direito da Defici\u00eancia, e adaptar o conhecimento para a legisla\u00e7\u00e3o brasileira\u201d, prossegue.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que Nathalia viaja sozinha ao exterior. Ano passado, ela concluiu um curso de ingl\u00eas em Las\u00a0Vegas, com dura\u00e7\u00e3o de 45 dias. \u201cO balan\u00e7o da primeira experi\u00eancia foi muito positivo\u201d, diz. Mas o processo foi extenso e teve algumas surpresas. Demorou um ano at\u00e9 que ela encontrasse uma casa adaptada e uma fam\u00edlia disposta a ter cuidados espec\u00edficos.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 no primeiro dia percebi que a casa n\u00e3o tinha nada de acess\u00edvel. A\u00ed tive que pagar um extra para a fam\u00edlia, mas eles n\u00e3o tinham qualquer disposi\u00e7\u00e3o para me ajudar\u201d. Foi a\u00ed que ela se mudou para uma resid\u00eancia estudantil e descobriu habilidades ainda desconhecidas. \u201cHoje j\u00e1 consigo ver as limita\u00e7\u00f5es que a minha defici\u00eancia me imp\u00f5e e as que s\u00e3o geradas pelo meu psicol\u00f3gico\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>Segundo Nathalia, as meninas com quem morava n\u00e3o ligavam muito para limpeza. \u201cCozinhar, passar um pano no banheiro, lavar roupa s\u00e3o atividades que eu tenho quem fa\u00e7a aqui no Brasil, ent\u00e3o n\u00e3o sabia que conseguiria fazer sozinha. Mas l\u00e1 eu tinha que fazer! Pegava a minha scooter (quadriciclo el\u00e9trico) e ia passando o aspirador pela casa toda. Sem dramas!\u201d<\/p>\n<p>A bordo de seu ve\u00edculo el\u00e9trico, Nathalia faz de suas incurs\u00f5es pelos Estados Unidos uma inje\u00e7\u00e3o de motiva\u00e7\u00e3o, para trazer uma acessibilidade melhor para o pa\u00eds. \u201cCostumo dizer que os EUA t\u00eam acessibilidade arquitet\u00f4nica, e o Brasil, social.\u201d<\/p>\n<p>Se aqui ela fica \u201cmais presa\u201d, como contou, na Calif\u00f3rnia ela vai para cima e para baixo. No entanto, o vento californiano j\u00e1 foi uma pedra em seu caminho. \u201cAcabei tombando da scooter e fiquei com o olho roxo\u201d, diz, sem se abalar. E \u00e9 este o esp\u00edrito que ela mant\u00e9m durante toda a conversa. \u201cMuitas vezes, por n\u00e3o conhecerem, as pessoas me tratam como coitadinha. Confesso que isso me revolta\u201d, desabafa e avisa: \u201cTenho total condi\u00e7\u00e3o de lutar para chegar junto com os outros\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sentimento de pena \u00e9 o que mais incomoda Nathalia Blagevitch Fernandez. Nascida h\u00e1 22 anos com paralisia cerebral (hemiplegia), Nathalia gosta de ser vista apenas como algu\u00e9m normal que tem limita\u00e7\u00f5es nos movimentos corporais. \u201cA defici\u00eancia \u00e9 um agravante, n\u00e3o um diferencial\u201d, declara. \u201cEu me vejo s\u00f3 como mais um aluno que conseguiu uma bolsa\u201d. Apesar de n\u00e3o permitir mexer o lado direito do corpo, a doen\u00e7a nunca foi um obst\u00e1culo. Ao contr\u00e1rio, foi um combust\u00edvel para a supera\u00e7\u00e3o. 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