{"id":24875,"date":"2016-09-29T17:14:41","date_gmt":"2016-09-29T21:14:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/?p=24875"},"modified":"2016-09-29T17:14:41","modified_gmt":"2016-09-29T21:14:41","slug":"com-assassinatos-diarios-chicago-vive-experiencias-de-zonas-de-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/2016\/09\/29\/com-assassinatos-diarios-chicago-vive-experiencias-de-zonas-de-guerra\/","title":{"rendered":"Com assassinatos di\u00e1rios, Chicago vive experi\u00eancias de zonas de guerra"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-24876\" src=\"http:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/violencia.jpg\" alt=\"violencia\" width=\"500\" height=\"313\" srcset=\"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/violencia.jpg 500w, https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/violencia-300x188.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p>O correspondente da BBC Ian Pannell j\u00e1 conheceu muitos locais assolados pela viol\u00eancia. Ele cobriu guerras no Iraque, Afeganist\u00e3o e S\u00edria. Mas baseado atualmente em Washington, ele n\u00e3o teve que ir muito longe para fazer uma nova reportagem sobre conflitos: Pannell retratou o que est\u00e1 por tr\u00e1s das impressionantes taxas de viol\u00eancia de Chicago, que atingiram o seu patamar mais alto dos \u00faltimos 20 anos.<!--more--><\/p>\n<p>O jornal\u00a0Chicago Tribune\u00a0reportou que, no in\u00edcio de setembro, a cidade registrou seu 500\u00ba homic\u00eddio de 2016, mantendo uma tend\u00eancia de alta nesse tipo de crime iniciada em 2014, atribu\u00edda \u00e0 guerra entre gangues rivais, \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o de armas e \u00e0 exclus\u00e3o socioecon\u00f4mica de parte da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar de haver diferen\u00e7as brutais entre zonas de guerra da S\u00edria e as ruas de bairros como Englewood ou Austin, Pannell diz reconhecer algumas similaridades.<\/p>\n<p>Leia o depoimento de Ian Pannell \u00e0 BBC News:<\/p>\n<p><strong>A guerra vira um meio de vida<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;As pessoas vivem sob amea\u00e7a ou convivem com elementos de perigo, e apesar de o grau ser completamente diferente, ele tem semelhan\u00e7as para as popula\u00e7\u00f5es civis nos dois ambientes.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o que se v\u00ea \u00e9 o seguinte: se voc\u00ea for para zonas de guerra em dias em que nada est\u00e1 acontecendo, tudo pode parecer muito normal.<\/p>\n<p>O que sempre me impressiona &#8211; e voc\u00ea pode ver isso tanto em Chicago como na S\u00edria &#8211; s\u00e3o as pessoas: elas estar\u00e3o nas ruas, estar\u00e3o fazendo compras, mas elas conhecem as regras. Quando a confus\u00e3o come\u00e7a, elas recuam imediatamente e todo mundo desaparece.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m em Chicago me disse: &#8216;o carteiro sabe&#8217;. O carteiro n\u00e3o vai \u00e0quelas ruas quando h\u00e1 algo acontecendo. E acontece o mesmo em zonas de guerra &#8211; as pessoas se adaptam, mas isso tem consequ\u00eancias psicol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>As pessoas n\u00e3o desistem. Mas elas convivem com n\u00edveis de trauma, perigo e estresse que n\u00e3o s\u00e3o normais, e n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel lidar com aquele n\u00edvel de ama\u00e7a e perigo de forma rotineira sem que aquilo te afete.&#8221;<\/p>\n<p><strong>O poder das armas<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Eu nunca vi tantas armas em m\u00e3os civis fora de uma zona de guerra tradicional como vi em partes de Chicago.\u00a0Eu nunca vi uma prontid\u00e3o para usar armas fora de uma zona de guerra tradicional como eu vi em \u00e1reas da cidade.<\/p>\n<p>Em uma zona de guerra voc\u00ea espera que as pessoas estejam armadas, elas est\u00e3o prontas para us\u00e1-las e h\u00e1 uma grande chance de que elas tenham que us\u00e1-las. Em Chicago h\u00e1 garotos que ganharam autoridade pelas armas, eles ganham um status que n\u00e3o teriam se n\u00e3o as possu\u00edssem.<\/p>\n<p><strong>Impacto nas crian\u00e7as<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;A inf\u00e2ncia acaba cedo nos dois lugares. As pessoas que perpetram a viol\u00eancia n\u00e3o se importam com isso. Para eles, \u00e9 um &#8216;dano colateral&#8217;.<\/p>\n<p>Em Chicago, um desses danos colaterais \u00e9 a menina Tacarra Morgan, que foi baleada no est\u00f4mago enquanto brincava fora de casa. O mesmo acontece com as crian\u00e7as que s\u00e3o hospitalizadas na S\u00edria ap\u00f3s serem atingidas por disparos ou estilha\u00e7os de bombas enquanto brincavam em suas ruas.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as se tornam insens\u00edveis \u00e0 viol\u00eancia. Uma pessoa \u00e9 baleada e elas continuam subindo e descendo a rua com suas bicicletas porque est\u00e3o acostumadas a ver aquilo. O mesmo acontece nas zonas de guerra.<\/p>\n<p>Com o tempo algu\u00e9m coloca armas nas m\u00e3os delas e elas abra\u00e7am uma vida de viol\u00eancia. O limiar onde voc\u00ea estaria disposto a pegar uma arma e atirar em algu\u00e9m \u00e9 fortemente reduzido.&#8221; Viol\u00eancia em Chicago tamb\u00e9m \u00e9 atribu\u00edda \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o de armas e \u00e0 exclus\u00e3o socioecon\u00f4mica de parte da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O correspondente da BBC Ian Pannell j\u00e1 conheceu muitos locais assolados pela viol\u00eancia. Ele cobriu guerras no Iraque, Afeganist\u00e3o e S\u00edria. 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