{"id":28959,"date":"2017-06-01T13:10:24","date_gmt":"2017-06-01T17:10:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/?p=28959"},"modified":"2017-06-01T13:10:24","modified_gmt":"2017-06-01T17:10:24","slug":"pesquisa-identifica-evasao-escolar-na-raiz-da-violencia-extrema-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/2017\/06\/01\/pesquisa-identifica-evasao-escolar-na-raiz-da-violencia-extrema-no-brasil\/","title":{"rendered":"Pesquisa identifica evas\u00e3o escolar na raiz da viol\u00eancia extrema no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>O soci\u00f3logo Marcos Rolim procurou esta resposta ao investigar a viol\u00eancia extrema, Em experimento in\u00e9dito no pa\u00eds, ele entrevistou um grupo de jovens violentos de 16 a 20 anos que cumpriam pena na Fase (Funda\u00e7\u00e3o de Atendimento Socioeducativo) do Rio Grande do Sul. Ao final, pediu que indicassem um colega de inf\u00e2ncia sem liga\u00e7\u00e3o com o crime e foi atr\u00e1s dessas hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>Rolim esperava que prevalecessem, no grupo dos matadores, relatos de viol\u00eancia familiar e uso de drogas, mas outro fator se destacou: a evas\u00e3o escolar. E, aliado a isso, a aproxima\u00e7\u00e3o com grupos armados que &#8220;treinam&#8221; esses jovens a serem violentos. Entre os que cumpriam pena, todos, sem exce\u00e7\u00e3o, tinham largado a escola entre 11 e 12 anos. E citavam motivos banais: s\u00e3o &#8220;burros&#8221; e n\u00e3o conseguem aprender, a escola \u00e9 &#8220;chata&#8221;, o sapato furado era motivo de chacota. Os colegas de inf\u00e2ncia continuavam estudando.<\/p>\n<p>&#8220;Muitos meninos que se afastam da escola s\u00e3o, de fato, recrutados pelo tr\u00e1fico de drogas e s\u00e3o socializados de forma perversa. E isso provavelmente dever\u00e1 se repetir se a pesquisa for reproduzida em outros locais, pois a diferen\u00e7a estat\u00edstica foi muito forte&#8221;, diz Rolim \u00e0 BBC Brasil. A conclus\u00e3o pr\u00e1tica, segundo o soci\u00f3logo, \u00e9 que a preven\u00e7\u00e3o da criminalidade deve levar em conta a redu\u00e7\u00e3o da evas\u00e3o escolar, aspecto que costuma ser negligenciado no Brasil quando o assunto \u00e9 seguran\u00e7a p\u00fablica. Considerados os \u00edndices de evas\u00e3o escolar, o cen\u00e1rio no Brasil seria, de fato, favor\u00e1vel \u00e0 viol\u00eancia extrema.<\/p>\n<p>Em 2013, por exemplo, uma pesquisa do Pnud (Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento) mostrou que um a cada quatro alunos que inicia o ensino fundamental no pa\u00eds abandona a escola antes de completar a \u00faltima s\u00e9rie.<\/p>\n<p>O Brasil figurava no estudo com a terceira maior taxa de abandono escolar entre os 100 pa\u00edses de maior IDH (\u00cdndice de Desenvolvimento Humano), atr\u00e1s apenas da B\u00f3snia e Herzegovina e do arquip\u00e9lago de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o e N\u00e9vis.<\/p>\n<p>E por que as escolas n\u00e3o conseguem manter esses jovens na escola? A primeira, diz, \u00e9 o despreparo de professores para lidar com alunos mais vulner\u00e1veis e problem\u00e1ticos. Outra poss\u00edvel causa, segundo Rolim, est\u00e1 na falta de conex\u00e3o das escolas com as comunidades em regi\u00f5es violentas. O terceiro problema seria a pr\u00f3pria educa\u00e7\u00e3o oferecida nas escolas p\u00fablicas. &#8220;Basicamente, a mesma de 50 anos atr\u00e1s&#8221;, afirma o soci\u00f3logo.<\/p>\n<p>O POD (Programa de Oportunidades e Direitos) RS Socioeducativo, criado em 2009 no Rio Grande do Sul, atende jovens infratores de 12 a 21 anos que deixam o sistema de interna\u00e7\u00e3o. Cada jovem passa a receber, por um ano, uma bolsa de meio sal\u00e1rio m\u00ednimo (R$ 468,50), vale-transporte e alimenta\u00e7\u00e3o, desde que frequente cursos de forma\u00e7\u00e3o em \u00e1reas como inform\u00e1tica, mec\u00e2nica e manuten\u00e7\u00e3o predial. Segundo o governo ga\u00facho, a cada dez jovens atendidos pelo programa, apenas tr\u00eas reincidem no crime.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O soci\u00f3logo Marcos Rolim procurou esta resposta ao investigar a viol\u00eancia extrema, Em experimento in\u00e9dito no pa\u00eds, ele entrevistou um grupo de jovens violentos de 16 a 20 anos que cumpriam pena na Fase (Funda\u00e7\u00e3o de Atendimento Socioeducativo) do Rio Grande do Sul. Ao final, pediu que indicassem um colega de inf\u00e2ncia sem liga\u00e7\u00e3o com o crime e foi atr\u00e1s dessas hist\u00f3rias. Rolim esperava que prevalecessem, no grupo dos matadores, relatos de viol\u00eancia familiar e uso de drogas, mas outro fator se destacou: a evas\u00e3o escolar. 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