{"id":28986,"date":"2017-06-01T14:56:16","date_gmt":"2017-06-01T18:56:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/?p=28986"},"modified":"2017-06-01T14:56:16","modified_gmt":"2017-06-01T18:56:16","slug":"a-incrivel-historia-do-brasileiro-chamado-de-louco-pelos-vizinhos-por-plantar-a-propria-floresta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/2017\/06\/01\/a-incrivel-historia-do-brasileiro-chamado-de-louco-pelos-vizinhos-por-plantar-a-propria-floresta\/","title":{"rendered":"A incr\u00edvel hist\u00f3ria do brasileiro chamado de louco pelos vizinhos por plantar a pr\u00f3pria floresta"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Quando comecei a plantar, as pessoas me diziam: &#8216;voc\u00ea n\u00e3o viver\u00e1 para comer as frutas, porque essas \u00e1rvores v\u00e3o demorar 20 anos para crescer'&#8221;, conta Vicente ao rep\u00f3rter Gibby Zobel, do programa Outlook, do Servi\u00e7o Mundial da BBC.<\/p>\n<p>&#8220;Eu respondia: &#8216;Vou plantar essas sementes, porque algu\u00e9m plantou as que estou comendo agora. Vou plant\u00e1-las para que outros possam com\u00ea-las.&#8221; Vicente, prestes a completar 84 anos, comprou seu terreno em 1973, uma \u00e9poca na qual o governo militar oferecia facilidades de cr\u00e9dito para investimentos em tecnologia agr\u00edcola, com o objetivo de impulsionar a agricultura. Mas sua ideia era exatamente a oposta.<\/p>\n<p>Criado em uma fam\u00edlia numerosa de agricultores, ele via com preocupa\u00e7\u00e3o como a expans\u00e3o dos campos destru\u00eda as fauna e flora locais, e como a falta de \u00e1rvores afetava os recursos h\u00eddricos. &#8220;Quando era crian\u00e7a, os agricultores cortavam as \u00e1rvores para criar pastagens e pelo carv\u00e3o. A \u00e1gua secou e nunca voltou&#8221;, explica. &#8220;Pensei comigo: &#8216;a \u00e1gua \u00e9 o bem mais valioso, ningu\u00e9m fabrica \u00e1gua e a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o para de crescer. O que vai acontecer? Ficaremos sem \u00e1gua.&#8221; As florestas s\u00e3o fundamentais para a preserva\u00e7\u00e3o da \u00e1gua porque absorvem e ret\u00e9m esta mat\u00e9ria-prima em suas ra\u00edzes. Al\u00e9m disso, evitam a eros\u00e3o do solo. Quando tinha 14 anos, Antonio Vicente saiu do campo e passou a trabalhar como ferreiro na cidade.<\/p>\n<p>Com o dinheiro da venda de seu neg\u00f3cio, p\u00f4de comprar 30 hectares em uma regi\u00e3o de plan\u00edcie perto de S\u00e3o Francisco Xavier, distrito de 5 mil habitantes que faz parte de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, no interior de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>&#8220;A vida na cidade n\u00e3o era f\u00e1cil&#8221;, lembra ele. &#8220;Acabei tendo de viver debaixo de uma \u00e1rvore porque n\u00e3o tinha dinheiro para o aluguel. Tomava banho no rio e vivia debaixo da \u00e1rvore, cercado de raposas e ratos. Juntei muitas folhas e fiz uma cama, onde dormi&#8221;, diz Vicente. &#8220;Mas nunca passei fome. Comia sandu\u00edches de banana no caf\u00e9 da manh\u00e3, almo\u00e7o e jantar&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s retornar ao campo, come\u00e7ou a plantar, uma por uma, cada uma das \u00e1rvores que hoje formam a floresta \u00famida tropical com cerca de 50 mil unidades. Um quadro pendurado na parede da casa de Vicente serve de lembran\u00e7a das mudan\u00e7as que ele conseguiu com seu pr\u00f3prio esfor\u00e7o. &#8220;Em 1973, n\u00e3o havia nada aqui, como voc\u00ea pode ver. Tudo era pastagem. Minha casa \u00e9 a mais bonita de toda essa regi\u00e3o, mas hoje n\u00e3o se pode tirar uma foto desse \u00e2ngulo porque as \u00e1rvores a encobrem, porque est\u00e3o muito grandes&#8221;, brinca Vicente.<\/p>\n<p>Com o replantio, muitos animais reapareceram. &#8220;H\u00e1 tucanos, todo tipo de aves, pacas, esquilos, lagartos, gamb\u00e1s e, inclusive, javalis&#8221;, enumera. &#8220;Temos tamb\u00e9m uma on\u00e7a pequena e uma jaguatirica, que come todas as galinhas&#8221;, ri.O mais importante, contudo, \u00e9 que os cursos de \u00e1gua tamb\u00e9m voltaram a brotar. Quando Vicente comprou o terreno, s\u00f3 havia uma fonte. Agora, h\u00e1 cerca de 20.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Quando comecei a plantar, as pessoas me diziam: &#8216;voc\u00ea n\u00e3o viver\u00e1 para comer as frutas, porque essas \u00e1rvores v\u00e3o demorar 20 anos para crescer&#8217;&#8221;, conta Vicente ao rep\u00f3rter Gibby Zobel, do programa Outlook, do Servi\u00e7o Mundial da BBC. &#8220;Eu respondia: &#8216;Vou plantar essas sementes, porque algu\u00e9m plantou as que estou comendo agora. Vou plant\u00e1-las para que outros possam com\u00ea-las.&#8221; Vicente, prestes a completar 84 anos, comprou seu terreno em 1973, uma \u00e9poca na qual o governo militar oferecia facilidades de cr\u00e9dito para investimentos em tecnologia agr\u00edcola, com o objetivo de impulsionar a agricultura. Mas sua ideia era exatamente a oposta. 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