{"id":28995,"date":"2017-06-01T17:13:37","date_gmt":"2017-06-01T21:13:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/?p=28995"},"modified":"2017-06-01T17:13:47","modified_gmt":"2017-06-01T21:13:47","slug":"tratamento-obrigatorio-para-viciados-em-crack-e-acao-ridicula-diz-neurocientista-americano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/2017\/06\/01\/tratamento-obrigatorio-para-viciados-em-crack-e-acao-ridicula-diz-neurocientista-americano\/","title":{"rendered":"Tratamento obrigat\u00f3rio para viciados em crack \u00e9 a\u00e7\u00e3o &#8216;rid\u00edcula&#8217;, diz neurocientista americano"},"content":{"rendered":"<p><strong>Para Hart, que estuda drogas h\u00e1 mais de 20 anos, \u00e9 preciso descobrir quem de fato \u00e9 viciado entre frequentadores desses espa\u00e7os e, depois, desenvolver tratamentos individuais para os dependentes qu\u00edmicos.<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Embora usem crack, muitas pessoas n\u00e3o s\u00e3o viciadas e t\u00eam outros problemas: psiqui\u00e1tricos, relacionados \u00e0 pobreza. Precisamos descobrir exatamente o problema de cada pessoa, e isso demandaria grande comprometimento e mais intelig\u00eancia na abordagem&#8221;, afirmou Hart \u00e0 BBC Brasil.<\/p>\n<p>Procurada pela reportagem, a Prefeitura de S\u00e3o Paulo n\u00e3o comentou as considera\u00e7\u00f5es do professor.<\/p>\n<p>As pesquisas de Hart, autor de\u00a0<em>Um Pre\u00e7o Muito Alto &#8211; A Jornada de Um Neurocientista Que Desafia Nossa Vis\u00e3o Sobre Drogas<\/em>\u00a0(editora Zahar), inspiraram programas como o Bra\u00e7os Abertos, programa da gest\u00e3o Fernando Haddad (PT) extinto pelo governo Doria.<\/p>\n<p>No programa anticrack da gest\u00e3o petista, dependentes qu\u00edmicos ganhavam moradia em hot\u00e9is da cracol\u00e2ndia e R$ 15 por dia se trabalhassem em atividades como varri\u00e7\u00e3o e jardinagem.<\/p>\n<p>No \u00faltimo domingo, uma grande opera\u00e7\u00e3o policial dispersou \u00e0 for\u00e7a dependentes qu\u00edmicos que se reuniam na cracol\u00e2ndia, fechou com\u00e9rcios e hot\u00e9is usados no Bra\u00e7os Abertos. Na ter\u00e7a, tr\u00eas pessoas se feriram durante a demoli\u00e7\u00e3o de uma pens\u00e3o pela prefeitura.<\/p>\n<p>A prefeitura solicitou ainda autoriza\u00e7\u00e3o para retirar dependentes da cracol\u00e2ndia e envi\u00e1-los para avalia\u00e7\u00e3o m\u00e9dica contra sua vontade, o que seria uma &#8220;\u00faltima alternativa&#8221; para casos graves.<\/p>\n<p>&#8220;Minha primeira impress\u00e3o \u00e9 que o novo prefeito est\u00e1 colocando a politica \u00e0 frente das pessoas. Se o objetivo \u00e9 ajudar outras pessoas da sociedade, \u00e9 preciso descobrir um modo de inclu\u00ed-las nessa sociedade&#8221;, disse Hart, que dever\u00e1 voltar ao Brasil em setembro para a Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Professor de Psicologia e Psiquiatria, Hart questiona a vis\u00e3o de que as drogas tenham alto poder viciante e sejam a causa de diferentes mazelas sociais. Ele diz reconhece que h\u00e1 quem abuse delas e sofra efeitos graves no cotidiano, mas diz que concluir que as subst\u00e2ncias sejam o problema &#8211; e declarar &#8220;guerra&#8221; a elas &#8211; \u00e9 um erro.<\/p>\n<p>Um primeiro passo em suas pesquisas foi a descoberta, segundo ele, de que drogas como crack n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o viciantes como se pensa. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 droga que vicie em uma dose. Dados mostram claramente que 80%, 90% das pessoas que usam drogas n\u00e3o possuem um &#8216;problema com drogas&#8221;, afirmou Hart em confer\u00eancia em 2014.<\/p>\n<p>O pesquisador costuma citar o tabaco como a droga mais viciante (33% dos fumantes, ou um em cada tr\u00eas, ficar\u00e1 dependente, diz), seguida por hero\u00edna (25%), coca\u00edna e crack (15% a 20%), \u00e1lcool (15%) e maconha (10%).<\/p>\n<p>Para estudar o comportamento dos dependentes, ele publicou an\u00fancio em revista \u00e0 procura de viciados nas ruas de Nova York. Oferecia US$ 950 para que fumassem crack produzido a partir de coca\u00edna de padr\u00e3o farmac\u00eautico, desde que permanecessem vivendo em um hospital por tr\u00eas semanas durante o experimento.<\/p>\n<p>No come\u00e7o de cada dia, uma enfermeira colocava uma dose de crack em um cachimbo e oferecia ao usu\u00e1rio &#8211; vendado, o dependente n\u00e3o tinha como saber o tamanho da dose. Depois, cada participante recebia novas ofertas para fumar aquela mesma dose, mas tamb\u00e9m poderiam optar por uma recompensa, que \u00e0s vezes eram US$ 5 ou um vale-compra do mesmo valor.<\/p>\n<p>Quando a primeira dose era alta, os dependentes normalmente optavam por uma nova dose. Mas, se a primeira havia sido reduzida, era mais prov\u00e1vel que abrissem m\u00e3o da segunda rodada.<\/p>\n<p>O neurocientista chegou aos mesmos resultados ao repetir o experimento com usu\u00e1rios de metanfetamina. E quando elevava a recompensa alternativa para US$ 20, todos os viciados, de crack e metanfetamina, optavam pelo dinheiro, mesmo sabendo que levariam semanas para embolsar os valores.<\/p>\n<p>Para Hart, isso mostrou que dependentes qu\u00edmicos s\u00e3o capazes de tomar decis\u00f5es racionais, desmontando a &#8220;caricatura&#8221; do viciado que n\u00e3o consegue resistir a uma dose.<\/p>\n<p>Hart afirma que, embora &#8220;n\u00e3o fosse perfeito&#8221;, o programa Bra\u00e7os Abertos era &#8220;um passo na dire\u00e7\u00e3o certa&#8221; porque demonstrava, diz ele, &#8220;compaix\u00e3o&#8221; com os dependentes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para Hart, que estuda drogas h\u00e1 mais de 20 anos, \u00e9 preciso descobrir quem de fato \u00e9 viciado entre frequentadores desses espa\u00e7os e, depois, desenvolver tratamentos individuais para os dependentes qu\u00edmicos. &#8220;Embora usem crack, muitas pessoas n\u00e3o s\u00e3o viciadas e t\u00eam outros problemas: psiqui\u00e1tricos, relacionados \u00e0 pobreza. 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