{"id":29212,"date":"2017-06-15T16:09:17","date_gmt":"2017-06-15T20:09:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/?p=29212"},"modified":"2017-06-15T16:09:17","modified_gmt":"2017-06-15T20:09:17","slug":"medico-mexicano-reidrata-corpos-dos-mortos-na-fronteira-com-os-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/2017\/06\/15\/medico-mexicano-reidrata-corpos-dos-mortos-na-fronteira-com-os-eua\/","title":{"rendered":"M\u00e9dico mexicano reidrata corpos dos mortos na fronteira com os EUA"},"content":{"rendered":"<p>Na d\u00e9cada de 90, Ciudad Ju\u00e1rez, localizada na fronteira entre o M\u00e9xico e os EUA, ganhou notoriedade pelo n\u00famero impressionante de mulheres jovens desaparecidas. E, entre 2008 e 2011, foi a capital mundial de homic\u00eddios.<\/p>\n<p>&#8220;Elas nunca s\u00e3o encontradas vivas. Tudo o que recuperam s\u00e3o ossos, \u00e9 assim que s\u00e3o devolvidas \u00e0s fam\u00edlias&#8221;, explica Rosa Mar\u00eda m\u00e3e de uma jovem desaparecida, em refer\u00eancia \u00e0s mulheres desaparecidas.<\/p>\n<p>S\u00e3o pessoas como Rosa Mar\u00eda que Alejandro Hern\u00e1ndez C\u00e1rdenas tenta ajudar. Ele trabalha como m\u00e9dico legista e desenvolveu uma t\u00e9cnica pr\u00f3pria de reidrata\u00e7\u00e3o de corpos para ajudar a identific\u00e1-los.<\/p>\n<p>Hernandez submerge os corpos em uma f\u00f3rmula qu\u00edmica criada por ele pr\u00f3prio, que ajuda a revitalizar os tecidos mortos o suficiente para que seja poss\u00edvel identificar cicatrizes, pintas, impress\u00f5es digitais, tatuagens e outros sinais que permitam o reconhecimento dos cad\u00e1veres &#8211; e at\u00e9 dar pistas \u00e0 pol\u00edcia sobre as causas da morte.<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica \u00e9 t\u00e3o inovadora que, no ano passado, o Instituto Mexicano de Propriedade Industrial concedeu a patente da f\u00f3rmula.<\/p>\n<p>O composto qu\u00edmico d\u00e1 aos peritos uma arma que vai al\u00e9m das inje\u00e7\u00f5es de glicerina, usada h\u00e1 mais de um s\u00e9culo para reconstruir dedos e obter impress\u00f5es digitais, mas que n\u00e3o funciona para o corpo inteiro.<\/p>\n<p>Testes de DNA ajudam, mas \u00e9 preciso que pelo menos amostras de dois parentes diretos sejam coletadas para uma compara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 o processo de reidrata\u00e7\u00e3o de Hernandez faz com que o cad\u00e1ver recupere muito de sua condi\u00e7\u00e3o original, o que permite que as fam\u00edlias o identifiquem.<\/p>\n<p>&#8220;Comecei esse trabalho porque fiquei muito abalado com a ideia de que esses corpos iriam para valas comuns e suas fam\u00edlias n\u00e3o poderiam vel\u00e1-los&#8221;, diz Hernandez.<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica de reidrata\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ajuda em investiga\u00e7\u00f5es criminais.<\/p>\n<p>Quando Hern\u00e1ndez reidratou um corpo no Estado de Queretaro, na regi\u00e3o central do M\u00e9xico, descobriu les\u00f5es pouco comuns na pele, o que ajudou a pol\u00edcia a efetuar uma pris\u00e3o.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico legista diz ter sido informado de que sua ajuda foi fundamental em uma condena\u00e7\u00e3o por homic\u00eddio.<\/p>\n<p>Hernandez conta que resolveu enveredar pelo campo da medicina legal por uma surpresa do destino. Aos 18 anos, ele era estudante de odontologia e trabalhava como motorista de ambul\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Em uma noite de 1977, foi chamado para participar do resgate das v\u00edtimas de um acidente de trem que deixou 35 pessoas mortas, a maioria delas irreconhec\u00edveis.<\/p>\n<p>&#8220;Quando o legista chegou, ele mandou que chec\u00e1ssemos os dentes&#8221;.<\/p>\n<p>Ele ajudou nos trabalhos do necrot\u00e9rio durante cinco dias. A tarefa pode parecer m\u00f3rbida para alguns, mas que inspirou no m\u00e9dico o desejo de ajudar a identificar v\u00edtimas.<\/p>\n<p>Hernandez se formou como dentista, mas depois passou a trabalhar como perito, fazendo experi\u00eancias com sua t\u00e9cnica de reidrata\u00e7\u00e3o, usando peles de porco e dedos humanos, que mantinha em jarras e checava diariamente.<\/p>\n<p>Em 2004, enquanto inspecionava sete jarras, ele descobriu que o dedo contido na quarta estava praticamente perfeito.<\/p>\n<p>Quatro anos mais tarde, ele conseguiu hidratar um corpo inteiro.<\/p>\n<p>Ju\u00e1rez \u00e9 um dos principais pontos de entrada nos EUA e mais de seis mil corpos foram retirados de \u00e1reas ao longo da fronteira desde 1990.<\/p>\n<p>Os corpos s\u00e3o frequentemente encontrados em valas comuns, muitas vezes mutilados &#8211; ou mumificados por causa das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Hernandez financia a pesquisa com dinheiro do pr\u00f3prio bolso, trabalhando em seu tempo livre, pois n\u00e3o h\u00e1 uma unidade de investiga\u00e7\u00f5es no laborat\u00f3rio em que trabalha.<\/p>\n<p>Ele espera que algu\u00e9m possa se interessar pela pesquisa. Mas diz que sonha com menos trabalho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na d\u00e9cada de 90, Ciudad Ju\u00e1rez, localizada na fronteira entre o M\u00e9xico e os EUA, ganhou notoriedade pelo n\u00famero impressionante de mulheres jovens desaparecidas. E, entre 2008 e 2011, foi a capital mundial de homic\u00eddios. &#8220;Elas nunca s\u00e3o encontradas vivas. Tudo o que recuperam s\u00e3o ossos, \u00e9 assim que s\u00e3o devolvidas \u00e0s fam\u00edlias&#8221;, explica Rosa Mar\u00eda m\u00e3e de uma jovem desaparecida, em refer\u00eancia \u00e0s mulheres desaparecidas. S\u00e3o pessoas como Rosa Mar\u00eda que Alejandro Hern\u00e1ndez C\u00e1rdenas tenta ajudar. Ele trabalha como m\u00e9dico legista e desenvolveu uma t\u00e9cnica pr\u00f3pria de reidrata\u00e7\u00e3o de corpos para ajudar a identific\u00e1-los. 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