{"id":29630,"date":"2017-07-13T13:16:02","date_gmt":"2017-07-13T17:16:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/?p=29630"},"modified":"2017-07-13T13:16:02","modified_gmt":"2017-07-13T17:16:02","slug":"superbacterias-avancam-no-brasil-e-levam-autoridades-de-saude-a-correr-contra-o-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/2017\/07\/13\/superbacterias-avancam-no-brasil-e-levam-autoridades-de-saude-a-correr-contra-o-tempo\/","title":{"rendered":"Superbact\u00e9rias avan\u00e7am no Brasil e levam autoridades de sa\u00fade a correr contra o tempo"},"content":{"rendered":"<p>Capazes de criar escudos contra os medicamentos mais potentes, esses organismos infectam pacientes geralmente debilitados em camas de hospitais e se espalham rapidamente pela falta de antibi\u00f3ticos capazes de cont\u00ea-los. Por isso, as chamadas superbact\u00e9rias s\u00e3o consideradas a pr\u00f3xima grande amea\u00e7a global em sa\u00fade p\u00fablica pela OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade).<\/p>\n<p>&#8220;Estamos numa situa\u00e7\u00e3o de alerta&#8221;, diz Ana Paula Assef, pesquisadora do Instituto Oswaldo Cruz, da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (IOC\/Fiocruz), que faz a estimativa sobre mortes anuais no pa\u00eds com base nos\u00a0dados oficiais dos Estados Unidos. No Brasil, ainda n\u00e3o h\u00e1 um compilado nacional sobre o n\u00famero de v\u00edtimas por bact\u00e9rias resistentes.<\/p>\n<p>Um exemplo \u00e9 a\u00a0Acinetobacter spp. A bact\u00e9ria pode causar infec\u00e7\u00f5es de urina, da corrente sangu\u00ednea e pneumonia e foi inclu\u00edda na\u00a0lista\u00a0da OMS como uma das 12 bact\u00e9rias de maior risco \u00e0 sa\u00fade humana pelo seu alto poder de resist\u00eancia.<\/p>\n<p>De acordo com a Anvisa, 77,4% das infec\u00e7\u00f5es da corrente sangu\u00ednea registradas em hospitais por essa bact\u00e9ria em 2015 foram causadas por uma vers\u00e3o resistente a antibi\u00f3ticos poderosos, como os carbapenems.<\/p>\n<p>Essa fam\u00edlia de antibi\u00f3ticos \u00e9 uma das \u00faltimas op\u00e7\u00f5es que restam aos m\u00e9dicos no caso de infec\u00e7\u00f5es graves.<\/p>\n<p>Outro exemplo \u00e9 a\u00a0Klebsiella pneumoniae. Naturalmente encontrada na flora intestinal humana, \u00e9 considerada end\u00eamica no Brasil e foi a principal causa de infec\u00e7\u00f5es sangu\u00edneas em pacientes internados em unidades de terapia intensiva em 2015, segundo\u00a0dados da Anvisa.<\/p>\n<p>O mais preocupante \u00e9 que ela tem se tornado mais forte com o passar do tempo. Nos \u00faltimos cinco anos, a sua taxa de resist\u00eancia aos antibi\u00f3ticos carbapen\u00eamicos (aqueles usados em pacientes j\u00e1 infectados por bact\u00e9rias resistentes) praticamente quadruplicou no Estado de S\u00e3o Paulo &#8211; foi de 14% para 53%, segundo dados do Centro de Vigil\u00e2ncia Epidemiol\u00f3gica paulista.<\/p>\n<p>Esse processo natural pode ser acelerado por alguns fatores, como o uso excessivo de antibi\u00f3ticos. Um agravante \u00e9 o emprego desses medicamentos tamb\u00e9m na agricultura, na pecu\u00e1ria e em outras atividades de produ\u00e7\u00e3o de prote\u00edna animal.<\/p>\n<p>Muitos fazendeiros injetam regularmente medicamentos em animais saud\u00e1veis como um aditivo de performance. Isso acelera a sele\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias no ambiente e em animais, que podem vir a contaminar humanos.<\/p>\n<p>O pa\u00eds \u00e9 hoje o terceiro no mundo a mais utilizar antibi\u00f3ticos na produ\u00e7\u00e3o de prote\u00edna animal, atr\u00e1s apenas da China e dos Estados Unidos &#8211; e deve continuar nessa posi\u00e7\u00e3o at\u00e9 pelo menos 2030, aponta um\u00a0estudo\u00a0coordenado por Thomas P. Van Boeckel, da Universidade de Princeton (EUA).<\/p>\n<p>Desde dezembro, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade vem elaborando, com diferentes pastas e a Anvisa, um plano nacional de combate a bact\u00e9rias resistentes, a pedido da OMS. O material deveria ter sido apresentado em maio na 70\u00aa Assembleia da organiza\u00e7\u00e3o, em Genebra, na Su\u00ed\u00e7a.<\/p>\n<p>O pa\u00eds \u00e9 tamb\u00e9m um dos \u00fanicos Brics (sigla para Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul) que ainda n\u00e3o disponibilizou o documento publicamente no site da OMS, juntamente com a R\u00fassia. Mas enquanto o governo trabalha numa estrat\u00e9gia, bact\u00e9rias aprimoram sua capacidade de sobreviver aos rem\u00e9dios mais poderosos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Capazes de criar escudos contra os medicamentos mais potentes, esses organismos infectam pacientes geralmente debilitados em camas de hospitais e se espalham rapidamente pela falta de antibi\u00f3ticos capazes de cont\u00ea-los. 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