{"id":2980,"date":"2013-09-19T10:34:06","date_gmt":"2013-09-19T14:34:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/?p=2980"},"modified":"2013-09-19T10:34:06","modified_gmt":"2013-09-19T14:34:06","slug":"lutando-para-sobreviver-jovens-sirios-refugiados-formam-geracao-perdida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/2013\/09\/19\/lutando-para-sobreviver-jovens-sirios-refugiados-formam-geracao-perdida\/","title":{"rendered":"Lutando para sobreviver, jovens s\u00edrios refugiados formam gera\u00e7\u00e3o perdida"},"content":{"rendered":"<p>Os pais ficaram horrorizados ao saber que o mais velho de seus sete filhos poderia ser convocado para o Ex\u00e9rcito s\u00edrio. Tinham medo que sua filha adolescente fosse estuprada e sequestrada. E seu filho, que estava quase atingindo a adolesc\u00eancia, tinha come\u00e7ado a se rebelar na escola e na rua contra o governo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-2981\" alt=\"refugiados siria\" src=\"http:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/refugiados-siria.jpg\" width=\"500\" height=\"313\" srcset=\"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/refugiados-siria.jpg 500w, https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/refugiados-siria-300x187.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p>Ent\u00e3o, em setembro de 2011, seis meses depois do in\u00edcio do levante contra o presidente da S\u00edria,\u00a0Bashar al-Assad\u00a0, os pais enviaram os tr\u00eas filhos &#8211; ent\u00e3o com 15, 13 e 11 anos de idade &#8211; para longe de casa, na prov\u00edncia de Hama, com cerca de US$ 425 e uma barraca feita de sacos de arroz chineses. As crian\u00e7as vivem sozinhas na Jord\u00e2nia desde ent\u00e3o.<!--more--><\/p>\n<p>O mais velho, agora com 17 anos, trabalha em colheitas de legumes ganhando US$ 8,50 por dia, quando consegue trabalho, a menina aprendeu a cozinhar e o menino mais novo brinca ou joga cartas. Ele n\u00e3o tem cartas de verdade, ent\u00e3o fez as suas pr\u00f3prias, escrevendo n\u00fameros em peda\u00e7os de papel.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que a guerra civil entra em seu terceiro ano, quase um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o de 22 milh\u00f5es dentro da S\u00edria precisa de ajuda humanit\u00e1ria e mais de\u00a02 milh\u00f5es se refugiaram\u00a0em pa\u00edses do exterior. Dos 512 mil buscando ref\u00fagio na Jord\u00e2nia, 55 % t\u00eam menos de 18 anos. Seus problemas e desafios &#8211; anos fora da escola, trauma de ter testemunhado o assassinato de parentes, abuso sexual &#8211; refletem a situa\u00e7\u00e3o de seus pares que lutam para sobreviver em tendas e ref\u00fagios na Turquia, Iraque, L\u00edbano e nas comunidades destro\u00e7adas da S\u00edria.<\/p>\n<p>Essas crian\u00e7as, a pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o perdida, comp\u00f5em uma categoria particularmente preocupante de danos colaterais do conflito ca\u00f3tico da S\u00edria, que deixou\u00a0mais de 100 mil mortos\u00a0.<\/p>\n<p>Antes da guerra, mais de 90% das crian\u00e7as s\u00edrias estavam matriculadas na escola; na Jord\u00e2nia, cerca de 1 em cada 3 dos refugiados entre 6 a 14 anos frequentavam \u00e0s aulas. O restante aprendia a viver a vida no ex\u00edlio, onde a ast\u00facia e agressividade s\u00e3o mais importantes do que livros e testes. Onde n\u00e3o h\u00e1 motivos para olhar al\u00e9m do presente.<\/p>\n<p>O mais velho disse que consegue trabalho agr\u00edcola cerca de uma vez a cada 10 dias, e quando n\u00e3o consegue comprar comida, depende de vizinhos no acampamento improvisado. Em fevereiro, eles se registraram com a ag\u00eancia de refugiados das Na\u00e7\u00f5es Unidas, e, desde ent\u00e3o, v\u00eam recebendo um cupom de alimentos no valor de US$ 48 e visitas do Corpo de M\u00e9dicos Internacional.<\/p>\n<p>Sua tenda \u00e9 grande. Um galho de \u00e1rvore que segurava o centro era decorado com c\u00edrculos de paet\u00eas cor de salm\u00e3o trazidos da S\u00edria. Na parte de tr\u00e1s, duas caixas de pl\u00e1stico guardavam frascos de azeitonas, queijo, lentilhas; a menina faz conserva de quaisquer legumes que seu irm\u00e3o traz para que durem.<\/p>\n<p>A menina usava um len\u00e7o de cabe\u00e7a azul para combinar com as lantejoulas em seu abaya preto. Seus olhos tamb\u00e9m estavam maquiados de azul. &#8220;Eu tenho minha maquiagem da S\u00edria&#8221;, disse. &#8220;Usar maquiagem faz com que eu me sinta um pouco melhor.&#8221;<\/p>\n<p>O garoto de 13 anos estava entediado e com saudades de casa. &#8220;Eu tinha uma vida melhor na S\u00edria com meus pais e meus amigos&#8221;, disse. &#8220;Eu queria ir para a escola.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os pais ficaram horrorizados ao saber que o mais velho de seus sete filhos poderia ser convocado para o Ex\u00e9rcito s\u00edrio. Tinham medo que sua filha adolescente fosse estuprada e sequestrada. E seu filho, que estava quase atingindo a adolesc\u00eancia, tinha come\u00e7ado a se rebelar na escola e na rua contra o governo. 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