{"id":31374,"date":"2017-10-26T14:53:16","date_gmt":"2017-10-26T18:53:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/?p=31374"},"modified":"2017-10-26T14:53:16","modified_gmt":"2017-10-26T18:53:16","slug":"a-vida-dos-imigrantes-brasileiros-que-decidiram-recomecar-em-israel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/2017\/10\/26\/a-vida-dos-imigrantes-brasileiros-que-decidiram-recomecar-em-israel\/","title":{"rendered":"A vida dos imigrantes brasileiros que decidiram recome\u00e7ar em Israel"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 quatro anos, o designer paulista Bernardo Bromberg deixou para tr\u00e1s sua pr\u00f3pria empresa ao imigrar para Israel com a esposa e os tr\u00eas filhos.<\/p>\n<p>Uma semana depois de desembarcar, recebeu uma proposta para trabalhar na segunda maior importadora de autope\u00e7as israelense, a ABC. Bromberg n\u00e3o hesitou em aceitar a vaga. S\u00f3 que o posto n\u00e3o era de ger\u00eancia ou dire\u00e7\u00e3o e, sim, nos armaz\u00e9ns da empresa, para contagem e etiquetagem de produtos. Nos \u00faltimos anos, cada vez mais brasileiros, a maioria de classe m\u00e9dia alta, vem trocando o Brasil por Israel. Entre os motivos, est\u00e3o a viol\u00eancia e a crise econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Mas, uma s\u00e9rie de obst\u00e1culos faz com que a grande maioria, assim como Bromberg, tenha que aceitar empregos de menor qualifica\u00e7\u00e3o, tendo de recome\u00e7ar do zero. Desde sua funda\u00e7\u00e3o, em 1948, Israel vinha recebendo uma m\u00e9dia de 150 a 200 imigrantes brasileiros por ano. Mas um recorde foi registrado em 2016, quando o n\u00famero chegou a 1 mil, e neste ano a marca deve ser superada. Al\u00e9m disso, verificou-se tamb\u00e9m uma mudan\u00e7a no perfil do imigrante brasileiro.<\/p>\n<p>No passado, jovens com menos de 30 anos representavam a maior parte dos chamados &#8220;novos imigrantes&#8221; (conhecidos como &#8220;olim chadashim&#8221;, em hebraico). Eles tinham origem judaica e defendiam a ideologia sionista &#8211; a de que Israel \u00e9 a casa dos 14 milh\u00f5es de judeus do mundo. Muitos optavam pela vida comunit\u00e1ria em vilarejos de economia compartilhada &#8211; os chamados kibutz.<\/p>\n<p>Outros privilegiavam estudar nas universidades israelenses, pois imigrantes de ascend\u00eancia judaica recebem benef\u00edcios com base na chamada &#8220;Lei do Retorno&#8221; (segundo a qual judeus da Di\u00e1spora t\u00eam direito de receber imediatamente cidadania israelense). J\u00e1 os mais recentes n\u00e3o se mudaram para Israel por motiva\u00e7\u00e3o puramente religiosa ou sionista. Tampouco t\u00eam necessariamente origem judaica &#8211; s\u00e3o convertidos ou casados com judeus.<\/p>\n<p>Todos os imigrantes, recentes ou n\u00e3o, recebem uma &#8220;cesta b\u00e1sica&#8221; que inclui universidade gratuita para jovens, aux\u00edlio financeiro de at\u00e9 um ano, seguro sa\u00fade por seis meses e subs\u00eddios tempor\u00e1rios para moradia, compra de carro e financiamento de im\u00f3veis. Mas a ajuda nem sempre cobre o alto custo de vida no pa\u00eds. Neste sentido, se trabalhar como gar\u00e7om ou telefonista de telemarketing era, antes, uma op\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria para os estudantes, se tornou uma necessidade para muitos dos imigrantes de meia-idade e com crian\u00e7as para sustentar. Um ponto positivo, contudo, \u00e9 a receptividade dos israelenses. Diferentemente de muitos pa\u00edses europeus, os novos imigrantes n\u00e3o s\u00e3o mal vistos pela sociedade &#8211; diante da no\u00e7\u00e3o de que, em geral, s\u00e3o judeus que &#8220;retornam&#8221; \u00e0 Terra Prometida. Hoje, Bromberg \u00e9 gerente de log\u00edstica da empresa de importa\u00e7\u00e3o na qual come\u00e7ou como etiquetador.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 quatro anos, o designer paulista Bernardo Bromberg deixou para tr\u00e1s sua pr\u00f3pria empresa ao imigrar para Israel com a esposa e os tr\u00eas filhos. Uma semana depois de desembarcar, recebeu uma proposta para trabalhar na segunda maior importadora de autope\u00e7as israelense, a ABC. Bromberg n\u00e3o hesitou em aceitar a vaga. S\u00f3 que o posto n\u00e3o era de ger\u00eancia ou dire\u00e7\u00e3o e, sim, nos armaz\u00e9ns da empresa, para contagem e etiquetagem de produtos. 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