{"id":34729,"date":"2018-06-20T13:02:17","date_gmt":"2018-06-20T17:02:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/?p=34729"},"modified":"2018-06-20T13:02:17","modified_gmt":"2018-06-20T17:02:17","slug":"imigrante-brasileira-afastada-do-filho-por-9-meses-lidera-acao-contra-trump","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/2018\/06\/20\/imigrante-brasileira-afastada-do-filho-por-9-meses-lidera-acao-contra-trump\/","title":{"rendered":"Imigrante brasileira afastada do filho por 9 meses lidera a\u00e7\u00e3o contra Trump"},"content":{"rendered":"<p><strong>Ela e o filho cruzaram a fronteira por terra, foram pegos e ficaram separados por 9 meses<\/strong><\/p>\n<p>Alguns passos depois de cruzar de maneira clandestina a fronteira do M\u00e9xico com os EUA, em agosto, a brasileira identificada apenas pela inicial &#8220;C&#8221; foi parada por um guarda de imigra\u00e7\u00e3o americano, ao qual declarou que buscava asilo juntamente com o filho, &#8220;J&#8221;, de 14 anos. Pouco tempo depois, eles seriam separados e a m\u00e3e s\u00f3 voltaria a ver o adolescente nove meses mais tarde.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o, &#8220;C&#8221; se tornou uma das duas autoras de uma a\u00e7\u00e3o coletiva contra a pol\u00edtica de separa\u00e7\u00e3o familiar do governo Donald Trump patrocinada pela American Civil Liberties Union (ACLU), a mais importante entidade de defesa de direitos individuais dos EUA. Se o caso for bem sucedido, ele beneficiar\u00e1 todas as fam\u00edlias de imigrantes que foram separadas ou correm o risco de serem separadas ao entrar no pa\u00eds. A brasileira e o filho adolescente cruzaram a fronteira por terra. Apesar de alegar que temia por sua vida e a do filho, caso voltassem ao Brasil, &#8220;C&#8221; foi processada por entrar ilegalmente nos EUA. A m\u00e3e foi enviada a um centro de deten\u00e7\u00e3o no Texas, enquanto o adolescente foi para um abrigo em Chicago, a 2,4 mil km de dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Os dois n\u00e3o se viram nenhuma vez nos nove meses em que durou a separa\u00e7\u00e3o e falaram por telefone de maneira espor\u00e1dica, de acordo com relato apresentado na a\u00e7\u00e3o. A brasileira foi libertada sob fian\u00e7a no dia 9 de abril, mas s\u00f3 conseguiu se reunir com o filho dois meses mais tarde, quando ele foi autorizado a deixar a institui\u00e7\u00e3o para menores. Juntos, eles aguardam a decis\u00e3o sobre o pedido de asilo.<\/p>\n<p>A separa\u00e7\u00e3o ocorreu antes de o governo Trump adotar a pol\u00edtica de &#8220;toler\u00e2ncia zero&#8221; em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o, em abril, e comprova que a pr\u00e1tica j\u00e1 estava em vigor no ano passado, ainda que de maneira mais restrita. Reportagem de 8 de junho da Reuters revelou que 1.800 fam\u00edlias foram v\u00edtimas de separa\u00e7\u00e3o na fronteira entre outubro de 2016 e fevereiro de 2018. Com a &#8220;toler\u00e2ncia zero&#8221;, o n\u00famero chegou a 2 342 desde maio. A nova pol\u00edtica determina que todos os imigrantes que entrem no pa\u00eds de maneira clandestina ser\u00e3o processados criminalmente. A orienta\u00e7\u00e3o se aplica mesmo aos que pedem asilo e aos que est\u00e3o acompanhados de menores. Acusados da pr\u00e1tica de crime, os adultos s\u00e3o levados a pris\u00f5es federais, onde n\u00e3o h\u00e1 instala\u00e7\u00f5es para crian\u00e7as e adolescentes. Com isso, a fam\u00edlia \u00e9 separada e os filhos v\u00e3o para abrigos ou centros para menores &#8220;desacompanhados&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Traumas<\/strong><\/p>\n<p>Mas h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es em que mesmo fam\u00edlias que pedem asilo nos pontos legais de entrada s\u00e3o separadas. Esse \u00e9 o caso da congolesa &#8220;L&#8221;, autora da a\u00e7\u00e3o patrocinada pela ACLU ao lado da brasileira &#8220;C&#8221;. Autoridades americanas retiraram a filha de 7 anos de &#8220;L&#8221;, no dia 5 de novembro, cinco dias depois de ambas entrarem nos EUA. O governo justificou a decis\u00e3o com o argumento de que havia d\u00favidas sobre a maternidade, que acabou sendo comprovada em exame de DNA. As duas s\u00f3 foram reunificadas depois de quatro meses. &#8220;A separa\u00e7\u00e3o for\u00e7ada pode causar trauma severo em crian\u00e7as jovens, especialmente aquelas que j\u00e1 est\u00e3o traumatizadas e fogem de persegui\u00e7\u00e3o em seus pa\u00edses de origem. O dano cognitivo e emocional resultante pode ser permanente&#8221;, sustenta a a\u00e7\u00e3o patrocinada pela ACLU.<\/p>\n<p>Governos anteriores costumavam deter pais e filhos nas mesmas institui\u00e7\u00f5es ou libert\u00e1-los sob o pagamento de fian\u00e7a. Quando havia separa\u00e7\u00e3o, ela normalmente era motivada pela suspeita de que a crian\u00e7a era v\u00edtima de tr\u00e1fico de pessoas ou maus-tratos. No in\u00edcio deste m\u00eas, a brasileira, a congolesa e a ACLU tiveram sua primeira vit\u00f3ria. O juiz respons\u00e1vel pelo caso, Dana Sabraw, rejeitou o pedido do governo Trump de que o processo n\u00e3o fosse nem iniciado. De acordo com o magistrado, h\u00e1 evid\u00eancia de que a pr\u00e1tica viola o direito ao devido processo legal, por levar \u00e0 retirada de crian\u00e7as da guarda dos pais sem justificativa nem audi\u00eancia pr\u00e9via. As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o do jornal O Estado de S. Paulo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ela e o filho cruzaram a fronteira por terra, foram pegos e ficaram separados por 9 meses Alguns passos depois de cruzar de maneira clandestina a fronteira do M\u00e9xico com os EUA, em agosto, a brasileira identificada apenas pela inicial &#8220;C&#8221; foi parada por um guarda de imigra\u00e7\u00e3o americano, ao qual declarou que buscava asilo juntamente com o filho, &#8220;J&#8221;, de 14 anos. Pouco tempo depois, eles seriam separados e a m\u00e3e s\u00f3 voltaria a ver o adolescente nove meses mais tarde. 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