{"id":35076,"date":"2018-07-12T16:08:14","date_gmt":"2018-07-12T20:08:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/?p=35076"},"modified":"2018-07-12T16:08:14","modified_gmt":"2018-07-12T20:08:14","slug":"por-acidente-estagiaria-descobre-supercola-feita-com-bagaco-de-cana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/2018\/07\/12\/por-acidente-estagiaria-descobre-supercola-feita-com-bagaco-de-cana\/","title":{"rendered":"Por acidente, estagi\u00e1ria descobre supercola feita com baga\u00e7o de cana"},"content":{"rendered":"<p>Naima Orra, na \u00e9poca estagi\u00e1ria do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas, descobriu a f\u00f3rmula de uma cola at\u00f3xica feita a partir de baga\u00e7o de cana-de-a\u00e7\u00facar e materiais descartados por empresas de celulose.<\/p>\n<p>Depois de ouvir o relato de Orra, a pesquisadora do Laborat\u00f3rio Nacional de Nanotecnologia, Rubia Figueiredo Gouveia decidiu iniciar uma pesquisa espec\u00edfica para aprimorar o estudo e criar uma nova cola. Um m\u00eas depois, as duas chegaram \u00e0 f\u00f3rmula final, patenteada no Brasil este ano. A cola sustent\u00e1vel brasileira deve ser registrada no exterior em 2019 sob a autoria das duas pesquisadoras &#8211; Naima Orra, hoje, faz mestrado na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Caso a patente seja comercializada, metade do dinheiro arrecadado ser\u00e1 destinado ao fundo de inova\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o social CNPEM; os outros 50%, divididos entre as inventoras.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ter a mesma efici\u00eancia de outras colas j\u00e1 comercializadas atualmente, a nova f\u00f3rmula \u00e9 feita a partir da simples mistura de tr\u00eas ingredientes: l\u00e1tex, nanocelulose e lignina.<\/p>\n<p>A pesquisadora afirma que a cola pode beneficiar uma cadeia de ind\u00fastrias que usam o produto, como a automobil\u00edstica, de m\u00f3veis, constru\u00e7\u00e3o civil e brinquedos. Dos tr\u00eas materiais usados em sua produ\u00e7\u00e3o, o l\u00e1tex deve ser o \u00fanico que ainda continuaria sendo extra\u00eddo \u00e1rvores, principalmente de seringueiras.<\/p>\n<p>J\u00e1 a nanocelulose \u00e9 obtida em larga escala hoje no Brasil a partir de \u00e1rvores de eucalipto. Para a produ\u00e7\u00e3o da nova cola, por\u00e9m, a subst\u00e2ncia foi extra\u00edda do baga\u00e7o de cana.<\/p>\n<p>A lignina \u00e9 obtida a partir de um l\u00edquido chamado de &#8220;licor negro&#8221;, comumente descartado em ind\u00fastrias de papel, exceto as mais modernas, que costumam usar a subst\u00e2ncia para a produ\u00e7\u00e3o de energia. Para isso, \u00e9 necess\u00e1rio cozinhar a subst\u00e2ncia com soda em alta temperatura e press\u00e3o.<\/p>\n<p>Fabiano Rosso, gerente de pesquisa do Projeto Lignina da Suzano Papel e Celulose, a maior produtora de pap\u00e9is de imprimir e escrever da Am\u00e9rica Latina, disse que, atualmente, uma fra\u00e7\u00e3o de 3% da lignina produzida pela f\u00e1brica da empresa em Limeira, no interior de S\u00e3o Paulo, \u00e9 separada, purificada, modificada, transformada em uma resina e vendida para f\u00e1bricas de madeira e MDF.<\/p>\n<p>O n\u00famero equivale a cerca de 20 mil toneladas. O restante \u00e9 queimado para virar vapor, alimentar uma turbina e produzir energia, que abastece a ind\u00fastria e ainda gera um excedente que \u00e9 vendido. Caso as experi\u00eancias demonstrem a viabilidade da supercola, boa parte da subst\u00e2ncia produzida pela Suzano Papel e Celulose poderia ser utilizada para este fim.<\/p>\n<p>A not\u00edcia de que uma cola pode ser produzida a partir de lignina animou Rosso. Para ele, o ideal seria diminuir a destina\u00e7\u00e3o do material \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de energia e us\u00e1-lo para fabricar de materiais com valor agregado.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de vantagens econ\u00f4micas e ecol\u00f3gicas, a cola sustent\u00e1vel n\u00e3o usa solventes qu\u00edmicos derivados do petr\u00f3leo como a maior parte das colas usadas hoje industrialmente. O mais conhecido e prejudicial \u00e9 o formalde\u00eddo, classificado como cancer\u00edgeno pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) em 1984 e que est\u00e1 presente na maior parte das colas industriais, inclusive as usadas por sapateiros e vidraceiros. O odor da subst\u00e2ncia pode causar n\u00e1useas, dores de cabe\u00e7a e, em casos mais graves, at\u00e9 mesmo alucina\u00e7\u00f5es e confus\u00e3o mental. A cola sustent\u00e1vel, por sua vez, \u00e9 at\u00f3xica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Naima Orra, na \u00e9poca estagi\u00e1ria do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas, descobriu a f\u00f3rmula de uma cola at\u00f3xica feita a partir de baga\u00e7o de cana-de-a\u00e7\u00facar e materiais descartados por empresas de celulose. Depois de ouvir o relato de Orra, a pesquisadora do Laborat\u00f3rio Nacional de Nanotecnologia, Rubia Figueiredo Gouveia decidiu iniciar uma pesquisa espec\u00edfica para aprimorar o estudo e criar uma nova cola. Um m\u00eas depois, as duas chegaram \u00e0 f\u00f3rmula final, patenteada no Brasil este ano. 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