{"id":35536,"date":"2018-08-16T13:35:23","date_gmt":"2018-08-16T17:35:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/?p=35536"},"modified":"2018-08-16T13:35:23","modified_gmt":"2018-08-16T17:35:23","slug":"roubo-no-rio-erros-no-timao-bronca-no-peixe-e-rivais-de-mg-adilson-sem-segredos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brazilianpress.com\/v1\/2018\/08\/16\/roubo-no-rio-erros-no-timao-bronca-no-peixe-e-rivais-de-mg-adilson-sem-segredos\/","title":{"rendered":"&#8220;Roubo no Rio&#8221;, erros no Tim\u00e3o, bronca no Peixe e rivais de MG: Adilson sem segredos"},"content":{"rendered":"<p>Vamos aguardar&#8221;. O bord\u00e3o n\u00e3o parece ser mais t\u00e3o frequente no vocabul\u00e1rio do t\u00e9cnico Adilson Batista. A frase que marcou a carreira do comandante no passado deu lugar a algo menos enigm\u00e1tico. Aos 50 anos, o treinador que tem a miss\u00e3o de manter o Am\u00e9rica-MG na S\u00e9rie A do Brasileiro trabalha de forma mais direta. De 2015 a 2018, teve um hiato na carreira. Antes do Coelho, o \u00faltimo trabalho havia sido no Joinville, de onde saiu ap\u00f3s 10 jogos. Durante a pausa, fez cursos, observou treinadores mais de perto e clubes mundo afora, principalmente os alem\u00e3es. O que ele busca colocar em pr\u00e1tica neste retorno ao futebol mineiro.<\/p>\n<p>Adilson Batista recebeu o\u00a0GloboEsporte.com\u00a0para contar sobre a passagem por v\u00e1rios clubes do futebol brasileiro e falou sobre bronca no Rio de Janeiro, arrependimento em Minas Gerais e no Sul, erros e decep\u00e7\u00f5es em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Final do Carioca 2014<br \/>\nA retrospectiva profissional de Adilson tem um t\u00f3pico importante no Vasco da Gama. O treinador assumiu o clube no fim de 2013. O objetivo era \u00fanico: livrar a equipe do rebaixamento. Ele n\u00e3o conseguiu fazer com que os cariocas escapassem da degola, mas teve o contrato renovado pela diretoria, que considerou o trabalho promissor.<\/p>\n<p>No Campeonato Carioca de 2014, enfrentou erros de arbitragem em dois jogos contra o Flamengo. No primeiro turno, em duelo no Maracan\u00e3, o Rubro-Negro venceu por 2 a 1. No fim do jogo, o meia\u00a0Douglas, hoje no Gr\u00eamio, cobrou falta, a bola bateu no travess\u00e3o e entrou, mas o juiz e os auxiliares n\u00e3o deram gol. Na final, em outro encontro entre os dois times, o Flamengo levantou o caneco com\u00a0gol de M\u00e1rcio Ara\u00fajo em posi\u00e7\u00e3o de impedimento. Equ\u00edvocos da arbitragem ainda incomodam.<\/p>\n<p>&#8211; Mas estava bem controlado com o Caetano\u00a0(Rodrigo Caetano, ent\u00e3o diretor de futebol), Ricardo Gomes\u00a0(diretor t\u00e9cnico \u00e0 \u00e9poca), e com a gente gerenciando no campo. Fui prejudicado no turno e fui prejudicado na final.<\/p>\n<p>A sa\u00edda de Adilson do Vasco se deu no Campeonato Brasileiro. Uma goleada em S\u00e3o Janu\u00e1rio resultou no adeus do t\u00e9cnico, que garante ter &#8220;pedido o bon\u00e9&#8221; ap\u00f3s o resultado.<\/p>\n<p>&#8211; Tivemos algumas les\u00f5es que fizeram reiniciar o Brasileiro com dificuldade. Concordo que se voc\u00ea tem o t\u00edtulo e um suporte, ficaria mais tempo. O trabalho foi bom. Se voc\u00ea perguntar aos profissionais no Rio de Janeiro, vai todo mundo dizer. Contra Botafogo, Fluminense e Flamengo, n\u00f3s, com poder aquisitivo menor, jogamos melhor.<\/p>\n<p>&#8220;Fomos prejudicados l\u00e1. Depois de uma derrota por 5 a 0 para o Ava\u00ed, eu pedi para sair. Vivenciei algumas situa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o conv\u00e9m comentar, mas disse que n\u00e3o queria mais. Falei que iria embora.&#8221;<\/p>\n<p>Sem boicote no Corinthians<br \/>\nAdilson treinou estrelas como Ronaldo e Roberto Carlos no Corinthians. A hist\u00f3ria de que sofreu boicote do elenco \u00e9 rebatida pelo treinador. Ele admite que pecou pelo excesso de trabalho com o grupo.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o fui boicotado no Corinthians. O meu erro foi carga de trabalho. Estava h\u00e1 tr\u00eas anos trabalhando com a linha de quatro, tr\u00eas e mais tr\u00eas ou um meia, um ponta e um centroavante. Eu gosto disso e pe\u00e7o isso com intensidade. O time n\u00e3o respondeu.<\/p>\n<p>&#8220;Nisso, eu errei. Eu poderia dar a manuten\u00e7\u00e3o de duas linhas de quatro, dar a bola para os outros e jogar no contra-ataque. Mas eu n\u00e3o gosto. Tem que entender isso. Eu erro, e o clube que me contrata erra tamb\u00e9m.&#8221;<\/p>\n<p>Nem mesmo os hor\u00e1rios dos treinos da manh\u00e3, conhecidos no mundo do futebol por incomodar alguns jogadores com vida noturna mais atribulada, s\u00e3o vistos por Adilson como empecilho para a falta de continuidade nos trabalhos anteriores. Aos 50 anos, o treinador garante ter experi\u00eancia para evitar locais em que prevale\u00e7am a cultura de treinar mais na parte da tarde.<\/p>\n<p>&#8211; Eu gosto de trabalhar de manh\u00e3, acordo 6h e gosto de dar treino 9h. Tem estado que gosta de trabalhar \u00e0 tarde, ent\u00e3o n\u00e3o vou para l\u00e1. N\u00e3o foi boicote. Foi erro de carga no Corinthians. O Ronaldo me tratou bem, o Roberto Carlos tranquilo.<\/p>\n<p>Outro erro foi admitido por Adilson na gest\u00e3o do Corinthians: a contrata\u00e7\u00e3o do zagueiro Thiago Heleno, com quem havia trabalhado no Cruzeiro. O t\u00e9cnico justificou que pretendia uma defesa mais r\u00e1pida, mas que os desfalques pesaram em momentos decisivos.<\/p>\n<p>&#8211; Eu perdi o Ralf em um jogo contra o Gr\u00eamio, perdi o Jorge Henrique e o Jucilei. Errei em levar o Thiago Heleno. Eu tinha Chic\u00e3o, Cast\u00e1n, Paulo Andr\u00e9 e William\u00a0(zagueiros do Corinthians \u00e0 \u00e9poca). Queria um enfrentamento, um time mais r\u00e1pido. Isso voc\u00ea erra.<\/p>\n<p>&#8220;Querem fumar, fumem, querem beber, bebam. Mas t\u00eam que correr. \u00c9 preciso ter responsabilidade com a institui\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso que as pessoas entendam que aqui h\u00e1 um profissional que tem compromisso com a institui\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Nunca mais ao Santos<br \/>\nRecentemente, o Am\u00e9rica-MG foi \u00e0 Vila Belmiro e venceu o Santos por 1 a 0. A satisfa\u00e7\u00e3o de Adilson, naquele momento, pode ter ido al\u00e9m dos tr\u00eas pontos. O treinador admitiu que sofreu injusti\u00e7a no Peixe, quando assumiu no fim de 2010 e saiu em fevereiro do ano seguinte. Al\u00e9m de recusar qualquer chance de voltar ao clube paulista, Adilson ainda citou que se arrepende de ter deixado Atl\u00e9tico-PR e Cruzeiro.<\/p>\n<p>&#8211; No Santos eu fui mandado embora injustamente. Eu nunca mais volto para o Santos. Eu queria ter feito um \u00f3timo trabalho no Atl\u00e9tico-PR e n\u00e3o deu tempo de montar o time. O Zez\u00e9 (Perrella, ex-presidente do Cruzeiro) me falou uma vez uma coisa interessante. \u00c0s vezes voc\u00ea monta o time e os outros ficam com os \u201clouros\u201d da vit\u00f3ria. Eu n\u00e3o deveria ter sa\u00eddo do Cruzeiro. O time vice-campe\u00e3o brasileiro (2010) \u00e9 de quem? O time que fez mais pontos na Libertadores (2011), antes de perder para o Once Caldas, \u00e9 de quem?<\/p>\n<p>&#8220;Tem coisas que voc\u00ea tem que fazer um sacrif\u00edcio. Voc\u00ea monta, faz 50 e tantos pontos, mas n\u00e3o pode ficar para os outros. Voc\u00ea vai aprendendo isso.&#8221;<\/p>\n<p>Dois passos atr\u00e1s<br \/>\nUm jogo contra o Corinthians, em 2011, quando treinava o S\u00e3o Paulo, martela a cabe\u00e7a de Adilson. Na ocasi\u00e3o, ele enfrentou a equipe de Tite, que, segundo o t\u00e9cnico, se fechou na defesa e conseguiu o empate no Morumbi.<\/p>\n<p>&#8211; No S\u00e3o Paulo, empatei demais. Poderia ter chegado \u00e0 lideran\u00e7a do Brasileiro em um jogo contra o Corinthians no Morumbi. O que o que Tite fez? Colocou a bunda l\u00e1 atr\u00e1s, se fechou e empatou no Morumbi. Ali, eu iria para a lideran\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;Na vida, \u00e0s vezes, \u00e9 melhor dar um passo para tr\u00e1s e depois dar dois para a frente. Fui mandado embora do S\u00e3o Paulo em um jogo que acertamos quatro bolas na trave e perdemos. \u00c9 assim o futebol.&#8221;<\/p>\n<p>Cruzeiro na vida de Adilson<br \/>\nO trabalho mais promissor de Adilson como t\u00e9cnico foi no Cruzeiro. Foram dois anos e meio com dois t\u00edtulos mineiros conqusitados. Por\u00e9m, a base s\u00f3lida formada n\u00e3o resultou em conquistas expressivas. A derrota na final da Libertadores 2009, para o Estudiantes, dentro do Mineir\u00e3o, se tornou um trauma. As hist\u00f3rias de que houve briga por conta de premia\u00e7\u00e3o antes do jogo n\u00e3o foram confirmadas pelo t\u00e9cnico, embora outros jogadores j\u00e1 tenham falado sobre o assunto. O que fica para Adilson \u00e9 a frustra\u00e7\u00e3o de n\u00e3o ter sido vencedor na Raposa.<\/p>\n<p>&#8211; Faltou um grande t\u00edtulo pelo Cruzeiro, at\u00e9 pelos jogadores. Faz parte da nossa vida. N\u00e3o (teve briga). Teve excesso de confian\u00e7a. O time vinha jogando bem, mas errou na decis\u00e3o. A desaten\u00e7\u00e3o numa bola parada.<\/p>\n<p>Em compensa\u00e7\u00e3o, Adilson sorriu na maioria dos cl\u00e1ssicos que disputou. Foram 12 cl\u00e1ssicos no per\u00edodo em que comandou o clube celeste. Sob o comando de Adilson, o Cruzeiro venceu nove, empatou dois e s\u00f3 perdeu uma partida para o Atl\u00e9tico-MG.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00f3s t\u00ednhamos um grande time. Chegamos nas oitavas da Libertadores jogando melhor que o Boca. Eles deram quatro contra-ataques e ganharam o jogo. No outro ano, chegamos na final. No Brasileiro, chegamos no terceiro lugar. No segundo ano, abdicamos e fizemos menos pontos. Eu n\u00e3o queria ficar reconhecido apenas por ganhar cl\u00e1ssicos. Olha para tr\u00e1s, olho o que foi feito. Tirar o Paysandu da queda (2004), o Gr\u00eamio em 2003, o Figueirense na pen\u00faltima rodada em Bras\u00edlia (contra o Brasiliense, em 2005). Isso \u00e9 trabalho. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 cl\u00e1ssico, estou relatando outras coisas.<\/p>\n<p>Trabalharia no Atl\u00e9tico-MG?<br \/>\nO pr\u00f3prio Alexandre Kalil, presidente marcado na hist\u00f3ria do Galo, j\u00e1 fez elogios ao conhecimento de Adilson Batista sobre futebol. Inclusive, h\u00e1 uma lenda no notici\u00e1rio esportivo mineiro em que em um jantar com Zez\u00e9 Perrella, ex-presidente do Cruzeiro, Kalil teria dito que um dia tomaria o treinador para o lado alvinegro.<\/p>\n<p>O\u00a0GloboEsporte.com\u00a0perguntou a Adilson Batista como ele encararia a hip\u00f3tese de trabalhar no Atl\u00e9tico-MG. O t\u00e9cnico n\u00e3o descartou e disse que j\u00e1 foi sondado pelo Galo.<\/p>\n<p>&#8211; Acho que at\u00e9 situa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o posso afirmar, mas tenho amigos, sondagem j\u00e1 (do Atl\u00e9tico). N\u00e3o vou cravar. Um dia&#8230;n\u00e3o sei. Sou um profissional e hoje estou contente aqui (Am\u00e9rica).<\/p>\n<p>&#8211; Faltou s\u00f3 jogar aqui. L\u00e1 eu joguei, no Cruzeiro tamb\u00e9m. Aqui eu vim treinar com o Wantuil escondido, mas nos juniores. D\u00e1 para dizer que a trinca foi feita.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vamos aguardar&#8221;. O bord\u00e3o n\u00e3o parece ser mais t\u00e3o frequente no vocabul\u00e1rio do t\u00e9cnico Adilson Batista. A frase que marcou a carreira do comandante no passado deu lugar a algo menos enigm\u00e1tico. Aos 50 anos, o treinador que tem a miss\u00e3o de manter o Am\u00e9rica-MG na S\u00e9rie A do Brasileiro trabalha de forma mais direta. De 2015 a 2018, teve um hiato na carreira. Antes do Coelho, o \u00faltimo trabalho havia sido no Joinville, de onde saiu ap\u00f3s 10 jogos. Durante a pausa, fez cursos, observou treinadores mais de perto e clubes mundo afora, principalmente os alem\u00e3es. 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